Análise | Assassin’s Creed Origins

A série Assassin’s Creed completou 10 anos essa semana e todo esse tempo de franquia só foi possível por muita persistência e resiliência. Suas equipes de desenvolvimentotiveram que administrar um período bem complicado, sem um game que retomasse o grande sucesso adquirido com a trilogia da época de Desmond.

Assassin’s Creed Origins é o fruto das esperanças da Ubisoft em reerguer a franquia com a adoção de mecânicas mais novas e um grande saldo da fé para as origens da Irmandade dos Assassinos. Como o diretor de conteúdo online, Bruno Guérin, afirmou, esse jogo foi uma ótima oportunidade para introduzir novos jogadores à ordem dos assassinos e prover mais informações sobre o que deu origem às penas e símbolos que compõem o credo.

Com uma responsabilidade pesando três pirâmides do Egito em suas costas, Bayek protagoniza os eventos ocorridos antes do surgimento de nomes canônicos, que introduziram essa ordem secreta aos fãs. Anteceder nomes como Altaïr e Ezio como fundador da irmandade foi uma missão arriscada, mas que foi muito bem administrada pelo medjai.

Até o momento em que havíamos jogado a demo, só foi possível captar a força física do protagonista, sua agilidade e habilidade com armas pesadas. Suas mecânicas de luta inovadoras para a série revelavam uma abordagem com maior nível de dificuldade para jogadores mais acostumados a assassinatos instantâneos. O gameplay conseguiu equilibrar seus desafios com suas recompensas durantes os combates, conferindo uma experiência satisfatória e que pode ser regulada a qualquer momento conforme o nível de dificuldade escolhido pelo jogador.

A partir do momento em que a história de Bayek começou a ser revelada, foi possível conhecer outro lado interessante sobre o assassino. Enquanto sua brutalidade em combate é comparável a de Connor, as motivações reveladas em sua narrativa remetem às de Ezio. A história de Bayek e sua companheira Aya conseguiu atrair minha atenção de forma a me estimular a seguir em frente nessa jornada. Assim como o assassino italiano que tanto contribuiu com a série, o guerreiro do Egito e sua companheira mostram que não têm sangue de barata como alguns de seus irmãos. A atitude respeitável de heróis críveis é perceptível à construção de suas personalidades.

Lentamente, os dizeres fundamentais da Ordem começaram a se formar a medida que suas ações e sacrifícios eram feitos em cada missão cumprida, sem deixar de lado as leves lembranças do tema que embalou Assassin’s Creed II ocasionalmente.

Personagens famosos como César e Cleópatra não poderiam deixar de adornar a experiência, e suas histórias fundiram-se a de Assassin’s Creed de forma brilhante, preservando ao máximo aquilo que é conhecido sobre a história real e complementando a ficção do jogo. O mesmo primor pôde ser visto em sua ambientação de tirar o fôlego. Um mapa com um tamanho respeitável, monumentos reconstituídos conforme a época e segredos escondidos em toda sua extensão oferecem um balde de água para que os fãs possam matar sua sede de conhecimento e curiosidade.

Um dos componentes mais importantes da experiência da franquia também foi recuperado por esse título. Sem dar spoilers, só é possível revelar que a Ubisoft ouviu algo que os fãs pedem faz anos e que conexões fundamentais com narrativas de outras mídias foram reveladas por esse jogo. Uma quantidade significativa de conteúdo foi oferecida em bandejas de ouro para que os fãs possam deleitar-se, abrindo o caminho e deixando esperanças para um futuro ensolarado aos próximos games da série.

De uma forma geral, é possível notar que um grande esforço foi empregado para reerguer Assassin’s Creed ao nível de sua era dourada e que a equipe da Ubisoft conseguiu superar as expectativas em relação a uma marca que estava lentamente sendo sufocada por jogos sem grande sucesso. Bayek, Aya, Senu e sua ambientação deslumbrante conseguiram suportar uma tonelada de história e realinharam a série em seu eixo.

 

 

 

Author: Vinicius Kazuo

Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, este profissional do ramo bancário da seus pulos duplos no mundo dos games por ser fascinado pela forma como esta arte influencia os indivíduos.

Share This Post On