Análise | de Blob Remastered

Remasterizar jogos costuma ser um bom negócio. Grim FandangoCrash N’ Sane TrilogyResident Evil Revelations Ratchet & Clank estão aí para provar a tese, especialmente nessa geração. E a bola da vez é o de Blob.

O game original foi lançado em 2008 pela THQ Nordic e foi bem recebido pela crítica, ostentando uma média 82 no Metacritic, site que agrega a nota média dada por resenhas profissionais.

A fórmula deu tão certo que, três anos depois, ganhou continuação. Com o passar do tempo, o título também recebeu versões para Xbox 360, PlayStation 3, PC, 3DS e até iOS. Agora, ganha um remaster para PC, Xbox One e PlayStation 4 — testamos o game nesse último.

A proposta é bem simples: você controla uma bola meio gosmenta que precisa colorir um mundo monocromático, trazendo assim a alegria de volta para seus habitantes. Para pintar algo, basta tocar em uma estrutura. É possível utilizar várias cores, desde que se pule em alguns serzinhos que andam com pacotes de tintas por aí. Também dá para misturar cores e, ocasionalmente, perder a sua ou ficar todo pintado de preto.

O ambiente do game é elaborado sobre um estilo cartunesco e, na versão remasterizada, conta com maior fluidez, melhor renderizado do que a original e com bordas suavizadas. Contudo, não espere muito além disso: não há nenhum grande efeito especial inserido, nenhum jogo de luz e sombras mais perceptível.

Mas, tudo bem. O jogo ainda é bonito e simpático, tal qual o original. Sair por aí pintando os cenários apenas com o seu toque é extremamente divertido. As animações originais também dão um tom de alegria para o game.

E é mais ou menos isso.

O jogo é simpático, alegre e charmoso, mas não vai muito além. É um tanto repetitivo, pouco recompensador e nada desafiador.

Para pintar as cidades, você tem um cronômetro. Se ele zerar, você falha. A única forma de ganhar tempo é realizando uma série de desafios espalhados pelo mundo. Eles consistem em tarefas de pintar determinadas arquiteturas, fazer corridas ou apertar repetidamente um botão em determinado ambiente. É tudo muito fácil e repetitivo. Após realizar o mesmo desafio pela quinta vez e receber uma quantidade absurda de tempo pelo sucesso, você se sente em um eterno Dia da Marmota.

A pouca variedade de missões propostas consistem em desviar de alguns obstáculos, procurar caminhos alternativos e pular sobre determinados inimigos. Com o tempo, essas tarefas se tornam tão monótonas quanto o cinza dos ambientes.

A única recompensa por complementar as quests é ver a cidade mais colorida e bonita. Isso, somado à simpatia das animações e à excelente trilha sonora, ao estilo do jazz e do funk, são o charme do game.

de Blob também tem um modo multiplayer local, um pouco mais divertido. Nele, a proposta é sair correndo contra um adversário e ver quem consegue colorir mais a cidade. É um dos poucos momentos em que há maior desafio, mas este é imposto pelo fator humano, e não pelo gameplay.

Lendo as críticas de 2008, vejo que de Blob encantava pela proposta então inovadora de colorir ambientes despretensiosamente, algo que combinava com o Wii. Mas, quase uma década depois, com títulos como Splatoon 2 voando alto no Switch, dá pra dizer que o game envelheceu mal.

de Blob é um jogo simpático, alegre e até relaxante. Conta com uma excelente trilha musical e animações bacanas. Seu remaster traz melhorias gráficas relevantes, porém medianas. O problema está mais na repetição e na falta de desafio. É um bom game para jogar com crianças. E só.

 

Author: Kaluan Bernardo

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