Análise | Life is Strange: Before the Storm – Episódio 1: Despertar

Quando, na E3 deste ano, a Microsoft anunciou uma prequela de Life is Strange intitulada Before the Storm, fiquei em dúvida e receosa de como iriam fazer uma prequel da história que me conquistou. O receio foi ainda maior ao saber que o estúdio responsável pelo game não seria o Dontnod, autores do jogo original. A Deck Nine Games seria a incumbida de mostrar a história de Chloe e Rachel, que já conhecemos e sabemos como acaba em Life is Strange e ainda trabalhar a toda a trama sem os poderes de Max, que é um dos pontos chaves do game original.

No dia 31 de agosto foi lançado o primeiro episódio de Before the Storm, Despertar. Nele, Chloe é a personagem principal, ainda sem o cabelo azul que é sua marca registrada, mas igualmente com muita raiva da vida.

De início, parece que Chloe é simplesmente uma adolescente revoltada, que faz tudo para mostrar que não liga para nada e nem para o que pensam dela. Com o andar do episódio, a raiva da Chloe se torna compreensível e pode ser sentida pelo jogador, que também deseja bater boca, brigar e bater, porque o pai dela morreu de forma abrupta,  a mãe está namorando um cara escroto e Max mudou-se e não responde suas mensagens. Aliás, o bate-boca é um recurso utilizado no jogo para enfrentar as pessoas e conseguir o que quer ou simplesmente mostrar o seu ponto de vista. Às vezes ele é opcional e, em outras ocasiões, é necessário para avançar na trama.

Chloe começa o episódio dizendo que não tem amigos e por isso o encontro com Rachel se torna tão importante. Rachel Amber é a garota mais popular da escola, aquela que é o foco e o desejo de todos. Além de ser bonita, ela também é inteligente e bondosa. Só que nem tudo são flores e, quando as duas saem em um passeio sem destino em uma tarde, Chloe descobre que a vida de Rachel não é tão perfeita quanto parece.

O relacionamento de Chloe e Rachel se constrói fácil e rapidamente. Elas se conhecem e logo sentem uma conexão entre si, um recurso para que a trama funcionasse em apenas três episódios. A relação entre as duas pode ser somente uma amizade muito forte ou algo a mais, escolha que fica a cargo do jogador. As escolhas, tão importantes e significativas no game original, estão presentes nesse primeiro episódio, mas ainda não conseguimos sentir as consequências de nossas escolhas. Porém, no fim, com um vislumbre do que vem a seguir, já podemos ver que elas terão sim impacto na trama do jogo.

Rachel e Chloe então se unem, cada uma com seus problemas. Me pareceu que o sentimento predominante nesse primeiro episódio é exatamente esse: raiva. Uma raiva que se mistura com tristeza e, quando vemos o relacionamento das duas se estabelecendo, nos faz sentir um peso no peito, pois quem jogou o game original sabe como esse relacionamento acaba.

A trilha sonora, tão presente e importante em Life is Strange, volta a ser marcante em Before the Storm. As músicas da banda indie Daughter casam com as situações e ambientes e tornam-se parte significativa do game. O amor de Chloe pela música também contribui para que a trilha sonora seja tão presente e indispensável.

Para quem estava chateado com a mudança da dubladora de Chloe, pode ficar tranquilo. A voz é diferente, mas ao mesmo tempo ainda é a Chloe, fazendo com que a falta da voz de Ashly Burch seja notada, mas não tão sentida.

As legendas em português, com adaptações das expressões adolescentes, são muito bem feitas e por vezes vergonhosas, mas ei, quem nunca sentiu vergonha ao se lembrar da adolescência?

Alguns recursos de Life is Strange estão presentes em Before the Storm, como o diário e as mensagens no celular, que nos dão mais detalhes de que Chloe está pensando e do relacionamento com outros personagens. Todo o clima um tanto místico do jogo original, com os poderes de Max, está presente de certa forma na prequela com os sonhos muito reais de Chloe com o pai, como se William desse conselhos para a filha.

O meu receio com a prequela acabou completamente no fim desse primeiro episódio. Ele me causou o peso no peito que Life is Strange também causou. A Deck Nine Games conseguiu respeitar e fazer funcionar uma trama da qual os jogadores do game original praticamente já sabem como acaba e, mesmo assim, provocar ansiedade com o que está por vir. Para os novos jogadores, Before the Storm começa funcionando muito bem e mostra a construção de um game totalmente focado em contar uma boa história.

Author: Priscilla Rubia

Amante de livros, séries, mangás e claro, amante de jogos, principalmente aqueles com uma ótima e profunda história. Estuda pedagogia porque precisa trabalhar para comprar os games no lançamento.

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