Análise | Marvel vs. Capcom: Infinite

Após uma passagem pela E3 2017 bastante criticada por seus fãs, muitas dúvidas acabaram instauradas em torno do novo Marvel vs. Capcom: Infinite. O jogo parecia mal acabado e não tinha o mesmo apelo de antes. Seria ele uma mancha na história da franquia? A verdade é que o resultado final do título não é o desastre esperado por alguns, embora Infinite careça do encanto mostrado por seus predecessores.

O novo game mantém a essência da franquia: é um jogo de luta dinâmico e pautado em combos incríveis, tão belos que nos fazem encher os olhos de alegria. Só que no meio de tudo isso há uma série de deslizes, de faltas, e deixa uma sensação de que por pouco ele não levou um nocaute.

Esses pequenos problemas estão na própria forma de como o jogo desenvolve seus objetivos. Na busca por se tornar um jogo de luta mais acessível a novos jogadores (uma medida que vem se tornando cada vez mais comum em games do gênero), Infinite insere novas mecânicas que facilitam a execução de combos, como os auto combos e os easy combos.

Só que o que deveria facilitar a vida do jogador, pode se tornar uma verdadeira dor de cabeça. Não é incomum desencadear um combo em momento errado devido a esse sistema tão “fácil”. Por vezes, o jogador até mesmo acaba por perder um pouco da sua barra HC (necessária para aplicar os combos mais complicados), o que é bastante frustrante.

Em compensação, a nova ideia de colocar as Pedras do Infinito como itens aplicáveis à luta é bastante proveitosa. Elas não só possibilitam que um bom jogador possa tirar vantagens de seus combos para aplicar ataques bem calculados (as pedras da alma, realidade e poder são ótimas para isso), como também permitem que se desvie de investidas incômodas ou atraia um inimigo para um golpe mortal.

As pedras também podem desencadear uma Infinity Storm, fazendo com que se consiga um aumento de determinados status por curtos períodos de tempo. É o melhor momento para colocar todo o treinamento à prova já que exige uma postura ofensiva do jogador, e com isso, pode-se até mesmo virar o jogo em uma luta complicada.

Ao contrário de Ultimate Marvel vs. Capcom 3, as lutas de Infinite são entre duplas e não mais em trios. Isto faz com que os embates sejam mais rápidos e graças às boas aplicações de controle para troca de personagem, é fácil efetuar aqueles golpes combinados já manjados entre os fãs da série.

O game vem com três modos principais: um modo Estória, um de Batalha e um modo Missão –  além do já conhecido Treinamento. Desses três modos, o Missão é o menos atrativo, pois é basicamente um tutorial de como efetuar combos e ataques com os personagens. Nada divertido e provavelmente o jogador não vai querer ficar voltando a este modo muitas vezes – a não ser para conseguir algumas conquistas que exigem a finalização de certo número de missões.

O modo Batalha é com certeza o grande destaque do jogo. É nele que estão as batalhas de Arcade e as lutas Online, além das disputas locais e da possibilidade de se configurar uma briga única com a máquina, escolhendo seus próprios oponentes – e eu realmente admiro quando os games de luta permitem que se faça isso, já que considero esta uma ótima forma de treinamento.

Sobre o Arcade, ele segue o sistema básico com o qual já estamos acostumados: vencer sete lutas seguidas até chegar a um chefe final gigante no oitavo embate, sempre com inimigos aleatórios e com a possibilidade de aumentar ou diminuir a dificuldade das lutas. Interessante que no começo de cada combate, o jogo permite que se troque a Pedra do Infinito que se vai utilizar na luta, de modo que é possível reelaborar suas estratégias com base nos inimigos que se enfrentará na briga seguinte.

As brigas online (um elemento que a Capcom tem se atentado cada vez mais, inclusive em outras séries como Street Fighter) ocorrem com bastante fluidez e sem problemas de conexão que possam causar qualquer frustração. Se há alguma demorar em achar um oponente, o game é rápido o suficiente para mandar uma resposta de que não se encontrou ninguém na busca, evitando que o jogador espere por longos períodos de tempo por um embate que nunca acontecerá.

O modo Estória, por sua vez, é curto e sua narrativa é pouco interessante, ainda que as justificativas para a união dos dois universos sejam aceitáveis. Na trama, Ultron e Sigma se uniram e, com a ajuda das Pedras da Realidade e do Espaço, fizeram os universos da Marvel e da Capcom colidirem. Heróis e vilões dos dois universos então são obrigados a cooperar uns com os outros para evitar que o novo Ultron Sigma escravize toda forma de vida biológica.

Um grande problema desse modo são suas brigas confusas, já que a intenção aqui é apenas a exposição de todos os personagens possíveis para o jogador. Dessa forma, são criadas brigas coesas com a história, e outras que surgem do nada – nas quais inclusive fica difícil saber antes da batalha quem você controlará – como aquelas mais pro fim da história.

As brigas mais complicadas contra “chefes” não são tão divertidas, e nem mesmo muito desafiantes. Os diálogos nas cutscenes são sofríveis, cheios de frases de efeito e piadinhas forçadas, o que faz com que seja bem cansativo acompanhar a narrativa. O fato dos personagens terem a expressividade de uma parede também não ajuda.

Os gráficos melhoraram das versões prévias para a final, mas ainda assim Marvel vs. Capcom: Infinite não parece ter todo o cuidado com os modelos de seus personagens que outros games têm por aí. Talvez a qualidade gráfica pouco chamativa seja para evitar que o grande número de personagens em tela deixe o jogo lento, mas ainda assim me parece que este elemento poderia ter sido melhor trabalhado. Inclusive, acredito que os gráficos estilizados de Ultimate Marvel vs. Capcom 3 são muito mais chamativos que os de Infinite.

Entretanto, tenho que aplaudir o cuidado com os cenários, que são evidentemente contruídos com base nos tons das cores das Pedras do Infinito. Eles oferecem certa unidade ao universo do jogo e reforçam seu aspecto de mundo pós-apocalíptico.

Infinite tem bom número de personagens jogáveis (sem contar os DLCs), mas é notável a falta que alguns heróis da Marvel fazem no título, principalmente os X-Men (o que chega a ser irônico, uma vez que a franquia começou justamente com X-Men vs. Street Fighter). Fica a dúvida se a escolha dos heróis presentes no game foi apenas uma forma da Marvel tentar alavancar a popularidade de seus personagens em outra mídia – e também se a Marvel precisa mesmo trazer seus imbróglios de outras mídias para suas produções nos videogames.

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Outro fator notável é o número pífio de personagens de femininas (apenas quatro de trinta). Numa época em que se discute tanto a representatividade nos games, principalmente feminina,  a Capcom podia ter trabalhado melhor essa parte.

Marvel vs. Capcom: Infinite é um bom game, até mesmo desestressante, mas não memorável. Mesmo sendo um jogo de luta com uma boa modalidade de Arcade, é difícil acreditar que o jogador vá retornar várias vezes para testar todos os personagens. É mais um título que você joga, se diverte, mas depois que os créditos sobem pela tela, você o desliga e parte para um outro desafio.

Author: Pedro Vieira

Nerd, gamer e cinéfilo. Apaixonado por Zelda, acredita ser a reencarnação do herói do tempo.

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