Análise | Mass Effect Andromeda

Fãs de Mass Effect aguardavam ansiosos pela nova obra de uma das franquias de maior sucesso de público e crítica. Aficionados e curiosos de primeira viagem embarcaram no hype train dos belos trailers e gameplays que aos poucos ganharam vida na internet. Para nós, que desde 2012 aguardávamos por mais do maravilhoso universo criado pela BioWare, a sensação, à medida que a data de lançamento se aproximava, era de calor no peito como quando se é criança e o natal está chegando – afinal, foi uma longa espera.

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No entanto, pouco antes do jogo ser liberado para o público em geral, a mídia e assinantes EA Access tiveram acesso a dez horas de Mass Effect Andromeda, e foi aí que o hype train começou a perder força: o jogo é o primeiro da franquia a estrear na nova geração, mas problemas de animação e falta de acabamento criaram cenas tão bizarras que cheguei a pensar que meu presente de natal seria, no fim, uma caixa cheia de carvão.

De acordo com o especialista na área – ex-animador da BioWare, atualmente na Naughty Dog -, Jonathan Cooper, o que aconteceu foi um problema de má definição de escopo: a enorme quantidade de personagens que falam no jogo necessitavam de animação facial e isso demandava um tempo que a desenvolvedora não teve. Por este motivo, um algoritmo para rodar a animação facial foi utilizado – com qualidade reduzida -, o que resultou no famoso meme “my face is tired” que provocou risadas, mas também frustração para jogadores que adquiriram ou pensavam em colocar as mãos no título.

Folgo em dizer que para nosso alívio o último patch, liberado em 06/04, resolveu muito destes problemas e deixaram a experiencia melhor… O que um shaderzinho não faz, não é mesmo?

Com um certo medo de começar a jogar, fiz meu male Ryder padrão (impossível fazer um male customizado legal) e parti para Andromeda.

Fem. Ryder

Mas até que fiquei orgulhoso da minha fem. Ryder.

Acontece que, apesar de apresentar alguns dos problemas que tanto comentaram, a obra vai muito além das animações. Mass Effect Andromeda é um universo gigantesco e novo. Sensações de Mass Effect 1 e Mass Effect 2 estão sempre no ar, bem como algo do humor de Mass Effect 3. Em alguns momentos, as referências são tão fortes que é preciso reprimir um gritinho agudo de excitação.

A história segue a receita simples: mistério, antagonista digno e protagonista que precisa se provar e vira o “peak of the galaxy” (adoro). O cenário de Andromeda é selvagem – uma versão alienígena da Austrália, onde tudo quer te matar -, mas, como pathfinder, cabe a você encontrar o caminho de uma nova vida para os milhares de seres que abandonaram a Via Láctea e apostaram num futuro 600 anos à frente de seu tempo (#sehloko).

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Grandes mapas, bastante conteúdo. Heleus Cluster não te permite ficar entediado: seja para ajudar pessoas, formar alianças, limpar as terras de inimigos ou abrir caminho para novas jornadas e histórias, você sempre encontrará algo para fazer – as side quests agradam a gregos e troianos e, felizmente, não há nada como “O drufalo perdido” de DA:Inquisition.

Apesar da boa história, alguns diálogos deixaram a desejar e soaram muito superficiais e falsos, principalmente em momentos em que seu personagem deveria demonstrar fortes emoções.

Mesmo assim, a quantidade de diálogos no jogo é imensa e a grande maioria é bem trabalhada e agrega valor à narrativa. Muito humor e emoção rolam durante toda a história e, após as correções nas faces de alguns personagens, finalmente você consegue sentir-se mais parte daquele mundo.

O áudio foi para mim o ponto mais forte do título. De uma qualidade que superou minhas expectativas, ele foi o responsável por me colocar na pele do protagonista pela primeira vez, por me fazer imergir naquele universo e viajar para Andromeda com o som da arca Hyperion entrando em Heleus Cluster. É tão impactante que minha atenção foi completamente sugada para o que estava acontecendo ali e não me decepcionou do começo ao fim. Mas, não incluo nos elogios o voice acting  triste, pobre e sem atuação apresentado em diversos momentos da narrativa… Saudades Hale e Meer.

Já a trilha sonora, apesar de bela, falha em criar o tom épico que a trilogia Shepard entregou com tremenda maestria. É fácil de perceber alguns elementos da trilha de ME1 em algumas das composições, mas não me ganhou (exceto pela música do trailer de lançamento: Rag’n’Bone Man – Human, a qual escutei quase sem pausa por duas semanas). Foi um ponto triste da minha jornada; a trilha sonora parecia tímida e às vezes mal conseguia escutá-la durante o gameplay. Nada comparado com momentos épicos iguais ao discurso do Almirante Hackett seguido pela defesa da Terra em ME3.

Já o combate foi outro dos pontos fortes. Com uma variedade ainda maior de armas, equipamentos e habilidades, agora é possível mudar de classe durante o gameplay e evoluir classes híbridas como o explorador, por exemplo, que é a mistura das classes combate, biótica e tech.

A adição do jetpack também foi um acerto. Matar adversários enquanto plana ou dar saltos e atirar poderes bióticos em adversários atrás de coberturas é extremamente útil e divertido. E ainda existem conquistas para todos os achievement hunters ao redor do mundo. Basicamente tudo o que deu certo na franquia até agora, aprimorado e inserido em um único pacote.

O modo multiplayer é uma cópia do MP de ME3, que é cooperativo, agora com novas armas, raças e mapas nunca vistos. No modo campanha, é possível realizar missões do modo MP com times especialistas, conhecidas como missões APEX.

Tais missões podem ser realizadas por times treinados e indicados por você de dentro da Tempest – a nave mais sexy do universo – e Nexus ou pode escolher entrar você mesmo(a) na missão, o que dá uma sensação de relação entre os modos de jogo. É um dos multiplayers que mais gosto de participar, já que permite usar outras raças como os Krogans e Asaris, por exemplo. Mas ele é repetitivo e não tem nada de inovador.

Mass Effect Andromeda é um jogo bastante honesto, não é genial, mas é um bom começo para uma nova sequência de jogos da franquia. Para fãs deste universo, acredito que foi um bom passeio e para os novos exploradores, creio que ficou um gostinho de quero mais.

E antes de encerrar o texto, gostaria apenas de mencionar que as cenas românticas presenciadas em Andromeda me deixaram corado e agradecido por ninguém entrar no meu quarto quando elas aconteceram.

“This is VelhoTulkas signing off”

Author: VelhoTulkas

Marketing na cabeça, game no coração. Não importa o dia, a hora e muito menos a plataforma, o que importa é o prazer de jogar.

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