Análise | Overwatch

O gorila cientista de Overwatch, Winston, inicia o jogo com um pouco da história de fundo do game em um teaser anteriormente liberado pela Blizzard, empresa responsável pelo título, na internet. No vídeo, ele convoca os agentes Overwatch para atender seu chamado, pois o mundo precisa deles mais uma vez.

As cenas de destruição que seguem mostram ataques dos Omnics – uma espécie de robô responsivo com inteligência artificial -, antes frutos da era dourada da tecnologia (de um futuro não muito distante do nosso), passa a impressão de algo semelhante aos acontecimentos de Matrix (com adicionais): robôs gostam dos humanos, humanos tratam eles mal, alguns ficam chateados, treta, alguns humanos gostam deles – há até relacionamentos com eles, inclusive -, chance de reconciliação, morte de um dos líderes robôs, Overwatch!

Assim, o início do jogo colocará o jogador em um cenário com o importante papel de liderá-los contra a ameaça iminente e salvar o mundo ou fazer parte dos grupos mercenários. Isso em teoria, ao menos. Na prática, Overwatch bebe da fonte do clássico Team Fortress 2, um game de tiro totalmente multiplayer, com classes. E isso está longe de ser algo ruim.

Pense comigo. Quantos filmes ou games tiveram um primordial, que criou um gênero ou variação, seguidos de outros que fizeram desta fórmula algo ainda melhor? Este é exatamente o caso de Overwatch. O título de tiro em primeira pessoa da Blizzard coloca você em batalhas de time contra time, onde a combinação de estratégia de equipe pode ser peça chave para vitória.

As classes de cada personagem não existem apenas como coisinhas legais e meramente ilustrativas. Você contará com tipos ofensivos, tanques, defensivos e suportes, sendo que cada uma dessas conta com uma média de quatro a cinco personagens que conseguem ser totalmente diferentes uns dos outros, algo feito de forma magistral. Cada personagem tem seu loadouts e habilidades, o que disponibiliza um leque incrível de opções para cada estilo de jogador ou necessidade em campo.

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Ao todo são vinte e um personagens que prefiro chamar de vinte e uma diferentes experiências. Essa é a beleza do game. Você pode mudar de char  (Character, do inglês livre, personagem) a qualquer momento do jogo, desde que esteja em sua base – o que acontece no início do jogo, se você retornar a ela ou for abatido -, permitindo que diferentes táticas possam ser desenvolvidas a depender da necessidade de seu time em campo. Você pode sim jogar apenas com um estilo de batalha ou até mesmo com um único char que mais tem a ver com você, porém ter estilos diferentes preparados em seu arsenal pode ser a diferença entre a vitória ou a derrota.

Eu estou totalmente cativado pelo estilo bruto de Reinhardt – sim, meu favorito. Sua capacidade esponjosa de resistir a dano (500 de vida + 2000 do seu imponente escudo) fazem dele a máquina de defesa perfeita. E pobres daqueles que chegarem perto, pois sua marreta causa muito dano, além de seu ultimate que derruba a todos em sua trajetória. Perfeito? Não. Ele é lento, tem apenas uma habilidade para disparar à distância (que está longe de ser uma das mais rápidas) e uma missão que falte pouco tempo para ser completada não pode contar com ele.

Eis o momento para trocar por um dos irmãos ninjas, Genji ou Hanzo. Eles são rápidos, letais, sobem paredes, tem ultimates devastadores e ainda sim são bem diferentes um do outro. Enquanto Hanzo dispara flechas de seu arco, mais lentas e letais em distâncias mais longas, Genji é muito mais brutal em combates próximos, com sua habilidade de arrancada, combinada a seu ult, torna seu dano de curta distância mortal e, diferente do irmão, ele tem Pulo Duplo (olha que garoto propaganda incrível!).

E tolo de quem pensar que os suportes são os mais fracos (tudo bem, eles morrem bem fácil, mas…). O poder de cura e buffs de Mercy, como seu “Heroes Never Die” que ressuscita um combatente tombado desde que ainda não tenha revivido na base, podem facilmente mudar o rumo de uma partida. Imagine isso combinado à chuva de tiros de Bastion, em seu modo torreta, imóvel, porém letal. São inúmeras as possibilidades de estratégia, para os mais diversos tipos de estilo, basta escolher.

Ok, que divertido. E o que fará você jogar isso por horas, dias, meses ou anos? A Blizzard.

A empresa desenvolvedora do game é famosa por fazer isso com praticamente todos os seus títulos: inovar e trazer mais. Praticamente uma fórmula de sucesso que sempre caímos, como patinhos. Você pode não admitir, mas como diria meu amigo Robson, “aceita que dói menos”. Se você ainda não está convencido: cada personagem tem dentre 54 a 55 desbloqueáveis – dentre skins, frase de efeito, poses de batalha e vitória, sprays para pichar os cenários e mais -, vários modos de jogo fixos (clássicos que lembram o capture a bandeira, até novos de levar um veículo do ponto Y ao ponto X), modos completamente diferentes toda a semana, e todo um universo em constante atualização.

Até suas microtransações são bem executadas. Nenhum dos desbloqueáveis melhora seu desempenho em jogo. Tudo estético e aleatório. Comprar novas loot boxes só vai garantir que você colete novidades mais rapidamente e itens repetidos viram moeda do jogo, para comprar o que deseja.

Overwatch é um jogo viciantes e seu rico universo vai além do game, tanto que sua história sequer está totalmente presente no jogo: está espalhada por sites, HQs e vídeos pela internet (que a própria Blizzard avisou: acabou a primeira temporada). Inúmeros outros personagens já apareceram neste universo expandido e nem sequer sabemos o nome deles ainda. Para mim, o único defeito é ainda não termos jogabilidade cross-play, para que possamos jogar com amigos em outros consoles (o que a empresa já se pronunciou a favor).

Logo mais, teremos atualizações com novos modos, chars e outras coisas que nem consigo imaginar, então se posso dizer uma coisa é: gosta de jogos de tiro e multiplayer? Então este é perfeito para seu PC, PlayStation 4 ou Xbox One.

Author: Jeancarlos Mota

Games Editor, geek multi-classe e fã de esportes que acredita que bom mesmo é jogar games, pouco importa a plataforma.

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