Análise | Tom Clancy’s Ghost Recon: Wildlands

Antes de analisar o que Tom Clancy’s Ghost Recon: Wildlands tem a oferecer, faço-lhe um convite, estimado leitor. Como você definiria os sonhos?

De acordo com o famoso psicanalista Sigmund Freud, os sonhos (noturnos) são gerados na busca pela realização de um desejo reprimido. Já o suíço Carl Jung vai um pouco além.  Ele acreditou que o papel dos sonhos não seria apenas de revelar desejos ocultos, mas sim de agir como uma ferramenta da psique que busca o equilíbrio por meio da compensação. Em um exemplo simples, você pode sonhar com figuras que tentam demonstrar a você, sonhador, a necessidade de uma mudança de atitude.

Com isso, o que dizer de um menino que saiu do México aos 11 anos com o sonho de ser Rei? Não é bem a fábula infantil que você está pensando, quando a “mudança de atitude” desse jovem para alcançar seu objetivo foi alcançar o status de sicário (assassino de aluguel) aos 12.

Posteriormente, já um jovem adulto, ele teve “a visão” com a terra prometida, La Tierra Sagrada, o que o levou à Bolívia para a formação de seu próprio cartel de cocaína. Por último, e longe de ser menos importante, esse visionário governante mostrou “a verdade” – recebida da Santa Muerte (sim, a inevitável “em pessoa”) em um sonho – para seu povo, revelando sua abençoada história sobre o cartel de Santa Blanca e reivindicando a posição de “rei” do país.

Santa Muerte está em todo lugar.

Seu nome já diz tudo: El Sueño (do espanhol livre, O Sonho). Seu verdadeiro nome, um mistério. Já a sua missão, caro leitor, será destruir o sonho do pequeno menino mexicano, que cresceu e se tornou uma ameaça terrorista global.

Como grande parte das obras do mestre da espionagem Tom Clancy, Ghost Recon: Wildlands conta com um bom desenvolvimento de sua história, que por si só já prende o jogador por horas. Cada missão revela detalhes do Cartel de El Sueño e pouco a pouco será possível juntar as peças do principal quebra-cabeça: onde fica a toca del rei? Essa será a tarefa mais importante e árdua do jogo, uma vez que o mapa da Bolívia de GH:W é gigante, em um ótimo sentido.

Há lugares para explorar, veículos a serem pilotados, armas a serem conquistadas e personalizadas, enfim, muito a ser feito. Os gráficos do jogo ajudam nessa tarefa e impressionam. Diversas vezes parei de jogar um pouco para simplesmente admirar o trabalho desenvolvido pela Ubisoft. Este, por sua vez, é diretamente proporcional à liberdade de exploração.

Você pode visitar qualquer localidade, porém é interessante levar em consideração o indicativo de dificuldade de cada região – logo abaixo do sicário ou buchón responsável no mapa principal -, pois, no início, ainda não é recomendado invadir uma região com grau de dificuldade cinco, quando você ainda tem poucos recursos.

Insisto em dizer que todos os lugares são de tirar o fôlego, seja por sua beleza ou pela quantidade de inimigos vista em algumas localidades. Essa segunda parte envolve outro tipo de beleza, a tática. GH: Wildlands também permite que você escolha a forma de engajar-se ao combate.

É possível partir para cima com tudo, transformando qualquer local controlado pelos sicários em um campo de guerra, ou ser mais furtivo e derrubar adversários um a um. Enquanto você estiver jogando sozinho, outros três personagens controlados pela IA estarão sempre com você nas missões e exercem um papel fundamental na execução delas.

Além deles, você conta com alguns poucos rebeldes espalhados pelo país (ou presos, tornando-se aliados ao serem libertados) e as informações passadas por sua líder local. Contra você, apenas todo o cartel e o exército Boliviano, que obviamente está no bolso de El Sueño (assim como o governo, parte da população, mídia…).

Os recursos previamente citados podem ser determinantes em ambos os cenários de batalha. GH:W conta com uma interessante árvore de habilidades no intuito de incrementar armas, itens – como seus binóculos ou drone -, táticas de seu time (enquanto controlados pela IA) e até talentos do seu personagem.

Você consegue melhorá-las com níveis de experiência ou pontos de habilidade encontrados no mapa, representados por medalhas e símbolos de importância para os sicários, desde que combinados a recursos liberados para os rebeldes (alimentos, combustível, tecnologia e medicamentos).

Também é possível adquirir e melhorar auxílios vindos de rebeldes, na medida em que você cumpre missões especiais, como chama-los para invasões ou requisitar ataque aéreo, por exemplo. Junto com as tarefas de coleta de recursos, tais objetivos rebeldes transformam o sonho perfeito que Ghost Recon: Wildlands poderia ser em momentos de pesadelo.

A árvore de habilidades tem muitas opções.

No início, essas missões (como invadir um local e retirar um avião ou helicóptero com posses, ou ainda detonar comboios inimigos) são interessantes e até trazem novas pitadas de adrenalina. Contudo, depois de executar exatamente a mesma coisa para conseguir mais recursos pela enésima vez… chega. É maçante e repetitivo demais.

Outra questão são bugs e glitches do game. Imagino que um jogo tão massivo necessita de muita informação, meses de programação e tantas outras coisas. Porém passei por momentos bastantes frustrantes e até perdi uma missão inteira – das mais longas -, bem no seu final devido a uma dessas falhas de programação.

Resumidamente, uma pessoa x, após ser resgatada (nome suprimido para evitar spoilers), caminhou em direção a um precipício, transpassando uma proteção de estrada (guardrail) como se não estivesse lá. Resultado? Uma queda fatal do dito cujo e falha da missão que estava praticamente concluída.

Respirei fundo, desliguei o aparelho e voltei a jogar no dia seguinte, quando a paciência voltou.

“I believe I can flyyyy..”

Quando o assunto é multiplayer, não existe PvP em GH:W, apenas o modo cooperativo (e muito bom, por sinal). Agora, é necessário lembrar um detalhe: se um amigo seu entrar em na partida, todos os demais membros do esquadrão controlado pelo game serão automaticamente removidos e apenas vocês dois terão que resolver tudo.

Não é impossível jogar assim, principalmente com a opção de modificar o nível de dificuldade a qualquer momento, todavia é sempre melhor jogar com mais três pessoas.

Apesar dos momentos de tormento, Tom Clancy’s Ghost Recon: Wildlands é um bom jogo, com muita história, lindos ambientes repletos de ação e táticas, que fica ainda melhor se jogado com amigos ou ilustres aleatórios online. Gostei tanto da trama que realmente considero adquirir seu passe de temporada para estender a trama. E olha que ainda tenho bons lugares para explorar, caso queira fazer todas as conquistas.

Author: Jeancarlos Mota

Games Editor, geek multi-classe e fã de esportes que acredita que bom mesmo é jogar games, pouco importa a plataforma.

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