Análise | Valkyria Revolution

Em uma Europa fictícia, um novo tipo de mineral chamado Ragnite foi descoberto. Alguns indivíduos conseguiam extrair mana dessas pedras, essas pessoas com alta afinidade ao Ragnite eram chamados de Alquimistas.

Rapidamente, cientistas criaram um motor de mana que era capaz de extrair o mana desses minerais. Com essa nova fonte de energia a busca e o domínio desses minerais se tornou um ponto vital para o poder econômico e militar dos países. Com isso, máquinas de guerras foram criadas e todo equilíbrio político foi balançado. Grandes impérios foram formados e quatro grades países dominam boa parte da Europa.

Valkyria Revolution se passa no reino de Jutland, um país portuário, banhado pelo Mar de Azure – que não tem relação alguma com a península de Jutland da nossa geografia. Diante de um severo, e injusto, embargo econômico, o pequeno país vê-se no meio de uma crise. Sua população está a beira da pobreza e o país está à beira do colapso. Como se isso não fosse o suficiente o país entra em confronto com o Empério Ruz, uma das quatro potências mundiais.

Esse é o cenário da história principal do game, mas ela não é contada desse ponto de vista, pois já começa 100 anos após a chamada “Guerra da Libertação”. Toda narrativa é transmitida pelo ponto de vista de Richelle, uma historiadora de uma antiga linhagem de professores. Sua tataravó viveu no período da guerra e passou para seus descendentes a verdadeira história daquela era.

O relato é composto por um prólogo e 11 capítulos contando como 5 indivíduos – que lutaram para a liberação do reino de Jutland – foram considerados traidores e acabaram presos e condenados por crimes de guerra. Além da linha de tempo principal, alguns diálogos secundários aparecem como fragmentos da crônica e cabe ao jogador escolher se quer ver ou não. Esses fragmentos contam com mais detalhes o que ocorreu entre os fatos principais e apesar de serem opcionais, acabam sendo obrigatórios para o entendimento completo da trama.

No centro do entrecho temos Amleth Grønkjær, o capitão da unidade Anti-Valkyria Vanargand e um dos protagonistas do game. Ele comanda mais oito soldados – que são nossos personagens jogáveis durante todo o enredo. Cada um com uma afinidade específica aos quatro tipos de elementos de Ragnite (Agua, Fogo, Vento e Terra) e uma classe específica de combate.

São quatro tipos de classes: Shockers são focados em força bruta, Sappers são especialistas em suporte e cura, Scouts são guerreiros extremamente ágeis e Shielders são responsáveis por defesa e suporte. Os inimigos também seguem a mesma definição de classes, o que torna o sistema de combate mais simples.

A progressão das batalhas dá-se por missões que são apresentadas em formas de alfinetes no mapa. Cada ponto abre um mapa predeterminado com uma rota específica e alguns objetivos primários e secundários devem ser realizados. Como todo Action-RPG, os jogadores podem se movimentar livremente, esquivar e executar ataques mágicos e físicos. A diferença é quando se entra no modo de seleção de ações, onde o tempo para e você pode escolher qual Ragnite utilizar, se vai manusear itens, atacar com armas secundárias ou ordenar outro membro da equipe a fazer alguma ação. De modo geral, os comandos são bem simples, o que torna o jogo extremamente divertido e dinâmico.

Dentre os pontos negativos nos temos alguns ângulos da câmera, o fato de seu personagem ficar preso entre os tanques e alguns ataques que não conectam, pois seu personagem anda e passa do oponente – esse último acontece somente quando estamos atacando os tanques imobilizados, mas ainda é irritante.

Nessas batalhas temos 4 personagens na party e caso algum deles fique incapacitado, você tem 60 segundos para recuperar seu amigo (apertando R1/RT/R). Caso o contador chegue a zero, seu personagem sofre morte permanente. Isso mesmo, ele “bate as botas” e caso você decida prosseguir com o game, os eventos em que ele deveria aparecer são simplesmente ignorados e ele não fará parte da história principal. Reforçando: ele realmente morre!

O nível de dificuldade do jogo não é elevado, mas alguns combates são traiçoeiros, pois uma hora o batalhão de inimigos pode ser composto de alguns tanques leves e uns Scouts, enquanto em outras temos Shockers e Shield-bearers, o que torna a luta bem mais desafiadora. Alguns chefes apresentam um nível de desafio bem elevado e em alguns desses confrontos o embate demorou mais que 50 minutos.

Os gráficos são baseados no motor de renderização Goauche – que dá um tom de anime muito realistas -, esse tipo de arte gráfica não é algo que me atrai muito em jogos, porém por vários momentos peguei-me absorto ao nível de detalhamento. Após 2h de jogo já tinha perdido todo o preconceito prévio e estava aproveitando o título. A trilha sonora é incrível e encaixa-se perfeitamente com a narrativa e com as batalhas, não poderia esperar menos, pois Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger) foi o compositor da mesma.

Valkyria Revolution foi uma surpresa para mim, pois estava com baixas expectativas sobre o título. Mesmo inicialmente estranhando a movimentação travada dos personagens nos diálogos, o jogo conseguiu me aproximar dos personagens e torcer por eles. Cada um dos integrantes do Vanargand tem uma personalidade forte e sua história pode ser descoberta com algumas pequenas side stories (opcionais), apresentadas durante o jogo. A história é cativante e fez-me virar várias noites jogando, pois não conseguia deixar para depois o que estava para acontecer. E mesmo ao terminar a campanha, ainda me vi jogando mais para tentar completar todos os fragmentos da história principal e do passado dos personagens.

O título está disponível para PlayStation 4, PS Vita e Xbox One.

Author: Shorang

Programador, Hater e as vezes Gamer.

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