Análise | Call of Duty um pouco mais avançado

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Call of Duty: Advanced Warfare

Mais um ano, mais um CoD. Call of Duty: Advanced Warfare chega em 2014 com algumas novidades, e a primeira delas está no time de desenvolvimento, assumido pela Sledgehammer Games. Um dos principais motivos de inserir um novo estúdio nessa empreitada é o de dar mais tempo de produção (por serem agora três desenvolvedoras, o intervalo entre jogos feitos por cada um deles passa a ser três anos), o que implica em maior qualidade e refinamento para suas obras.

Sem dúvidas, a adição da Sledgehammer ao time de CoD foi algo importante por dois motivos. O primeiro é o citado acima; se é pra ter todo ano, que seja bem feito. O segundo é a oportunidade de novas ideias surgirem e serem implementadas em um novo título da série, e sabemos bem que isso não andava às mil maravilhas. Eles já tinham o conhecimento necessário para a produção (trabalharam juntos com a Infinity Ward no Modern Warfare 3), então era natural que fossem recrutados.

Advanced Warfare é um resultado direto disso. Uma mescla de tudo que já vimos nas obras anteriores (até do FPS em geral) com novidades instigantes e, várias delas, divertidas.

A “ode ao comum” (como chamarei as repetições dos padrões CoDianos que percebi enquanto jogava) não foram poucas, e a primeira delas envolve a história. Meu primeiro receio com o modo Campanha do game foi quando foi revelada a participação de Kevin Spacey, que faz o papel de Jonathan Irons, o presidente da Atlas Corporation, uma supercorporação de armas tecnológicas e agentes treinados para travar batalhas contra os inimigos de qualquer um que pague muito bem pelos serviços. Não critico o ator, pelo contrário; eu adoro o trabalho dele. Mas seu papel de vilão também foi anunciado, e aquele velho enredo clichê de “bandido poderosíssimo e aparentemente intocável contra um soldado que se destaca na guerra” já me veio à mente. Até o final da campanha veio na cabeça, oras (quem já jogou os Modern Warfare deve saber do que estou falando)! Torci por grandes mudanças no enredo enquanto avançava, mas elas não vieram, ao menos não como eu esperava.

Jonathan Irons

Kevin Spacey assume o papel do vilão Jonathan Irons

Você assume o papel de Mitchell, um soldado que, em meio a um combate, perde um braço e também seu amigo, que é filho (por um mero acaso) do Irons. Então, ele te dá um braço novo e você, por sua vez, entra na empresa bélica e os dois ficam felizes um com o outro, até que há a reviravolta na história em que você descobre que o pai do seu amigo não é exatamente tão bom. Se você, como eu, já sabia que isso iria acontecer, esse plot twist acaba não te afetando em nada e, bem, essa era a grande revolução na campanha.

Outro problema é que a sua evolução é travada e cansativa, com muitos diálogos e cinemáticas que nem sempre você pode passar, e há momentos em que aquele sentimento de “que desnecessário” é o que passa na sua cabeça, como a cena do sepultamento do amigo de Mitchell, tão ironizada nos fóruns e internet em geral. Além disso, em várias cenas de diálogo, você segue algum personagem (geralmente, o Gideon) e tem liberdade total de movimento. Embora você sempre ande mais rápido, você nunca pode ultrapassar o lerdão na sua frente, pois ele e o cenário entram em comum acordo pra não te deixar passar. Muitas vezes, o ambiente é estreito ou tem pessoas ao redor e, por mais que você veja o mundão de meu Deus aberto na sua frente, a lesma não te deixa passar de forma alguma. Ah, e se você resolve voltar e dar uma olhada (já que não pode ir na frente mesmo) no que deixou pra trás, o NPC ainda te espera, ao melhor estilo “minha conversa é extremamente interessante, ele vai voltar pra escutar“. Devo confessar, contudo, que até curti a campanha, mas porque joguei por partes. No fim, me pareceu que assistia a um seriado, como House of Cards, embora um tanto sem graça.

Press F to pay respects

Prestar homenagem com um botão já é demais

O combate do jogo, no entanto, também abraça o comum, mas avança um pouco mais, graças à tecnologia da Atlas. Tipos diversos de granadas, miras que marcam o inimigo e de calor, ganchos (não disponíveis no multiplayer), luvas que grudam nas paredes e, claro, quem não gosta de dar pulos duplos? Eu achei bem legal ter toda essa variedade de dispositivos a meu favor e eu realmente senti minha progressão no jogo, mesmo com tantos botões pra mudar arma, selecionar granada tática ou letal, dar um dash para o lado ou para a frente durante um pulo. A evolução rápida, até certo ponto, prejudica o modo de um jogador, que fica mais fácil, mas te ajuda bastante no multiplayer.

Por sinal, o modo multijogador continua ótimo, pra mim, a começar pelos mapas, que estão maiores. Por isso, há agora muito mais mobilidade e é mais difícil você morrer assim que reaparece no cenário. Além disso, embora existam muitos itens desbloqueáveis, o kit inicial que o jogo dispõe é bem balanceado, e vai ajudar até um iniciante a não ter uma diferença vexatória de assassinatos e mortes, e, como não é difícil avançar de nível, os desbloqueios costumam ser rápidos. A variedade de modos de jogo é grande e traz, além dos já conhecidos Team Deathmatch, Gun Game e Kill Confirmed, um novo modo chamado Uplink, que mais parece um jogo de handebol (e é surpreendentemente divertido). Uma pena que sofri muito com lags enquanto jogava. Também há um modo cooperativo, o Exo Survival, em que você e mais três juntam-se para enfrentar ondas de soldados invisíveis, drones e cachorros (aproveitar o que já tem, por que não?), parecido com o velho modo Zombies (que estará de volta, graças a um já prometido DLC). Infelizmente, ele sofre um pouco do mesmo mal do modo Campanha, e o desafio demora pra chegar.

Advanced Warfare multiplayer

O multiplayer, sempre frenético, vem com diversos modos de jogo.

Call of Duty: Advanced Warfare, enfim, é uma alegria para a série, uma esperança de que seu futuro é promissor. Embora a campanha tenha mais pontos baixos do que altos, com uma dificuldade que não acompanha sua evolução e uma história parecida com dezenas de outros jogos e filmes, o multiplayer compensa com uma boa variedade de modos de jogo e novos e maiores mapas, e as novas armas e dispositivos deixaram mesmo a jogabilidade divertida. Não adianta esperar ideias revolucionárias e grandes inovações em uma franquia que tem lançamentos todos os anos, mas torcemos que a evolução presente neste título se estenda aos próximos (e inspire os seus respectivos estúdios).

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.