Vocês conhecem o teste de Bechdel?

Pense rápido: diga os três últimos títulos que você jogou protagonizado por mulheres.

Difícil, não? Isso ocorre pois boa parte das obras que conhecemos têm foco nos homens, seja nos games ou no cinema. De forma a chamar a atenção para isso, em 1985, a cartunista americana Alison Bechdel criou em uma de suas tiras em quadrinhos (da série Dykes to Watch Out For) um tipo de teste para checar se existe a presença ativa de personagens femininos em filmes.

Bechdel
image-5911

Alison Bechdel

Essa análise se baseia em três perguntas:

1 – Existem duas ou mais mulheres com nomes?
2 – Elas conversam entre si?
3 – Sobre algo que não seja homem?

Se a resposta for sim para as três questões acima, então o filme passou no teste. Existe ainda uma quarta diretiva de que ambas as garotas devem possuir nome, mas essa não faz parte da regra original.

Teste de Bechdel
image-5912

Quadrinho “The Rule”, que cita as três regras

Embora aplicado inicialmente à indústria cinematográfica (o site BechdelTest.com, por exemplo, possui uma lista com quase 6000 filmes cadastrados, classificados pela aprovação ou rejeição das leis), essas diretrizes podem ser exploradas em qualquer forma de mídia (embora caiba uma discussão sobre seu uso). Porém, decidimos fazer uma lista de alguns jogos que passam pelo teste.

  •  Tomb Raider
  • Alice: Madness Return
  • The Last of Us
  • Child of Light
  • Heavenly Sword
  • Mirror’s Edge
  • Life is Strange
  • Batman: Arkham City
  • Gravity Rush
  • Mass Effect
  • Perfect Dark 
  • Final Fantasy XIII
  • Fear Effect 2: Retro Helix
  • Castle of Shikigami III
  • Bayonetta
  • Dragon Age: Origins
  • Space Channel 5
  • Alan Wake
  • King’s Quest VII: The Princeless Bride
  • Steal Princess
  • Contrast

O teste, claro, também tem suas limitações, por apenas indicar a presença feminina nas mídias, mas um jogo pode, por exemplo, passar por essas diretrizes e, mesmo assim, ter um contexto sexualizado da mulher (Bayonetta, ao meu ver, é um desses casos), assim como uma obra sem falas pode ser rejeitada. Dessa forma, o canal do YouTube Push to Smart fala sobre como podemos adaptar as regras para uma realidade mais próxima dos games (veja abaixo). Seu propósito é avaliar a relação entre o personagem (ou avatar, como denominam) e o jogador, ao contrário de simplesmente ponderar sobre as interações de duas mulheres na mídia. Para eles, o teste deve analisar se há a) uma personagem feminina jogável que b) suas ações não são influenciadas pelos desejos de um homem.

No entanto, o que Bechdel faz é simplesmente chamar a atenção para como as mulheres costumam ser pormenorizadas ou objetificadas nas mídias, e um pouco de bom senso não faz mal a ninguém, especialmente em uma era em que destacam-se cada vez mais.

Lembrou dos três  games? Deixe nos comentários para que possamos aumentar ainda mais esta lista.

Author: Bruno Pequeno

Fã de games desde a época em que eles eram incompreendidos. Me explodo em alegria quando vejo antigos preconceituosos de games atualmente degustando, elogiando e se encantando com esse universo fantástico. Classic trained real gamer, ou, aquela pedra no seu sapato do modo VS.

Share This Post On
%d blogueiros gostam disto: