Análise | Ori and the Blind Forest – Da magia à provocação

Análises PC Xbox One

Ano passado, quando estava na dúvida de qual console Next Gen comprar primeiro, vi um vídeo de Ori and the Blind Forest e fiquei mais tentado a pegar um Xbox One. Naquele momento, os belos gráficos e aquele jeitão Metroidvania – sub-gênero de ação-aventura, inspirado nos conceitos de jogabilidade das séries Metroid e Castlevania – me pegaram de jeito.

O que acabou acontecendo? Adquiri um Xbox One. Queria jogar Ori.

Claro de diversos outros fatores influenciaram em minha decisão e tamanha vontade não me livrou de receios. Afinal, quantos games hoje em dia prometem tanto e decepcionam ao jogar? Afinal, só beleza não põe mesa. Já imaginou se ele tivesse uma jogabilidade ruim?

Pois bem, não tem. Ori and the Blind Forest era ainda mais incrível do que esperava.

Os belos gráficos e traços foram apresentados a uma trilha sonora tão bela quanto. Esta, por sua vez, já estava em um relacionamento sério com uma jogabilidade divertida, familiar e igualmente desafiadora. Não deu outra, esses três elementos, mesmo competindo pela minha atenção, formaram um triângulo amoroso bizarro, para New Order nenhum botar defeito.

Por mais que o enredo não seja dos mais originais – em uma floresta encantada, um ser espiritual cai longe da árvore da vida e é criado por uma simpática criatura da floresta conhecida como Naru, como se fosse seu filho, contudo, ao ver Naru e floresta em perigo graças à corrupção da árvore, parte em uma aventura para salvar a floresta da “cegueira” que a ameaça, causada pela figura de uma coruja gigante -, OatBL traz um design com uma das mais belas apresentações que já pude experimentar.

Naru e Ori

Naru e Ori

Não é apenas o pequeno Ori, mas toda a floresta que se movimenta enquanto você explora os ambientes. Da mesma forma, os efeitos, combates, animações dos personagens, tudo acontece na tela com uma fluidez impressionante. Por mais que tenha uma essência 2D, diversos elementos 3D interagem com o cenário de forma bastante natural, revelando surpresas interessantes (não citadas aqui, para evitar spoilers).

A trilha sonora, os efeitos e até os sons de inimigos são executados em harmonia, criando uma ótima ambientação. Todos os personagens têm seu estilo próprio, combinando os elementos gráficos e sonoros, fazendo que você lembre de boa parte deles – principalmente daqueles que te tiram do sério -, ótimo para deixá-lo em estado de alerta, para agir da melhor forma contra eles. Essa combinação de som e traços é tão interessante que eles conseguem ter um impacto emocional em quem joga, trazendo à tona sentimentos como frustração, angústia e até mesmo raiva.

Sim, raiva. Raiva esta que me deixou de joelhos, fazendo até orações. Fazia tempo que não rogava tantas pragas em algo controlado por um joystick. Eu não tenho certeza do que isso significa. No entanto, percebi que os aspectos “bonitinhos” e alegres de Ori and the Blind Forest estão aí como uma arapuca, para pegá-lo em seu voo de esperança em direção ao jogo fofo. Pois bem, é aí quando Ori revela-se como algo BEM difícil, honrando os bons tempos de games 8-bits e 16-bits como Ninja Gaiden ou Quackshot. Todavia o título tem uma curva de dificuldade interessante e desafiadora. Não há opções para escolha do nível de desafio, por isso ele vai aumentando na medida em que você também vai evoluindo, mantendo-o com doses corretas de instigação e afronta.

OatBF conta, inclusive, com um marcador de mortes, que provavelmente terá um número proporcional à quantidade de vezes que você vai querer jogar seu controle na tela ou no chão – figura de linguagem, por favor, não faça isso! Por mais que o Ori te inspire a fazê-lo -. Não se espante no momento em que, ao ver os créditos finais, seu contador passar das 300 mortes, isso é absolutamente normal.

Para tentar tornar as coisas menos complicadas, o pequeno espírito terá o poder de criar save points em qualquer lugar, utilizando sua energia, porém até isso é bem pensado e é interessante saber balancear a quantidade de saves de sua jogatina, para ter energia para utilizar seus poderes.

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Se não der para passar agora, volte quando tiver o poder certo.

Os poderes, por sua vez, são mais uma das coisas que casam bem com outro aspecto de OatBF, a progressão do jogo. Você tem a liberdade de explorar qualquer parte da floresta, e quando isso ainda não for possível, seja por ter uma barreira ou por parecer impossível de alcançar, provavelmente serão acessíveis mais tarde, quando você conquistar o poder correto. Até mesmo a árvore de habilidades tem três caminhos diferentes, e você é quem dirá qual poder é prioritário naquele momento.

Com isso, diversas vezes você retornará a áreas familiares para chegar a um ponto antes impossível e descobrir que valeu a pena se arriscar tanto. Há poucas partes no jogo que se tornam inacessíveis depois de passar por elas, mas se adquirir todas as conquistas é um objetivo, crie save points em momentos velozes do game para não deixar nada escapar, ou então terá que jogar do início uma outra vez, posteriormente.

Ori and the Blind Forest é uma experiência como poucas, e há um bom tempo não me divirto – e xingo – tanto um game. Ele reúne novos elementos a questões clássicas do gênero plataforma, com uma dificuldade incitante que chega perto de ser irritante, entretanto retorna uma sensação de dever cumprido maior que a de um achievement a cada momento difícil superado, e está disponível exclusivamente em consoles para Xbox One e no PC.

E se ao terminar você quiser ainda mais desafio, há uma conquista para quem terminar o jogo sem morrer uma única vez. Boa sorte!

Games Editor, geek multi-classe e fã de esportes que acredita que bom mesmo é jogar games, pouco importa a plataforma.