Análise | Legends of Eisenwald

Análises PC

Logo-Legends-of-Eisenwald 2

Comecei a jogar Legends of Eisenwald, pois a primeira vista me pareceu um pouco com Heroes of Might and Magic – um dos jogos que fez parte da minha adolescência, pelo qual tenho bastante carinho -, e eu não estava enganado. O game, produzido pela independente Aterdux Entertainment, iniciou sua vida através do Kickstarter em 25 de abril de 2012 e atingiu a meta estipulada em 13 de maio do mesmo ano. A obra, é uma aventura com combates táticos por turnos, incluindo elementos de estratégia e RPG.

Ao iniciar sua campanha, lhe são apresentados três personagens: o Cavaleiro (Knight), a Baronesa (Baroness) e o Místico (Mystic). Cada um possui habilidades distintas, sendo o cavaleiro especialistas em combate corpo a corpo, a Baronesa em ataques a distância e o Místico em feitiços.

O enredo nos leva a uma região germânica no ano de 1422. Você está viajando com um velho companheiro chamado Berthold e está a caminho do castelo de um velho amigo de seu pai. A viagem, é claro, não termina bem e a Lenda de Eisenwald começa a se formar.

Traições, assassinatos, intrigas e muita maldade atravessarão seu caminho constantemente. Num dia você é um poderoso dono de terras e no outro está fugindo por sua vida, com apenas um punhado de leais soldados ao seu lado. Aqui, você será forçado a fazer escolhas em diversos momentos. Precisará optar por lados e caminhos que muitas vezes são totalmente opostos. E pensar em procurar “o lado do bem” para seguir é ingenuidade – estamos em 1422, onde a ignorância domina as massas e a vida não vale um pedaço de pão.

Zmiter "O Carrasco"

Zmiter “O Carrasco”

Eu sempre busquei seguir o “lado do bem” nos games. Ser o arauto da verdade, o paladino da justiça…mas caí de cara no chão em Legends of Eisenwald. Escolhi um dos caminhos mais negros que o jogo oferece, e cada passo que eu dava maltratava minha alma paragon.

Terminei o jogo, resolvi seguir um outro caminho e…SURPRESA! Ele também era cheio de maldade e ações desonrosas. Fiquei muito feliz com isso, pois se você parar para pensar um pouco, era assim que as coisas realmente aconteciam naquela época. Nada de bater e assoprar, às vezes o jogo só quer moer a sua carne.

A campanha foi longa, mas agradável. Você deve estar preparado para extensas leituras, já que todos os diálogos – e tem dialogo para caramba – são apresentados com longos e, nem sempre muito esclarecedores, textos (nada está em português). Chegar em novos territórios e dominar castelos, enfrentar cavaleiros, barões, bandidos, mercenários e ainda, lobisomens, fantasmas, zumbis, tudo isso mantém o ritmo do jogo acelerado, sem tempo para ociosidade. Principalmente por que os combates são simples e rápidos; eles acontecem em terrenos sem obstáculos e as ações ocorrem por turnos, com batalhas que podem chegar a 12×12, dependendo de quantos castelos você tem sob seu comando.

O sistema de evolução também é simples e permite que ela aconteça em tempo bastante satisfatório. No entanto, cada capítulo do jogo é como um novo começo; tudo o que você construiu em um território, não costuma te acompanhar para o outro. Isso garante que você não se acomode na missão principal e explore o mapa em busca de novos eventos.

O Rei da Floresta

O Rei da Floresta

Mesmo quando você se acomoda e fica de bobeira vendo o dia passar, a trilha sonora te envolve em uma agradável sensação de nostalgia dos clássicos jogos de RPG. Desde instrumental até canto gregoriano, a trilha sonora é muito boa.

Nem tudo correu como deveria: lançado em 2 de julho, o jogo ainda passa por atualizações e patches. Enfrentei alguns problemas, como travamentos e fechamento do game. Se o autosave não fosse tão eficiente, eu certamente teria me irritado, mas felizmente, minha experiência geral acabou sendo pouco afetada. Outro ponto negativo é o excesso de textos que você precisa ler para seguir no jogo. Eles são cansativos e nem sempre a história consegue guiar o jogador, às vezes você precisar dar uma de curioso e “caçar” a missão seguinte, para então evoluir na trama. Eu entendo que a intenção é enriquecer a história, mas em alguns pontos não se pode esquecer de indicar melhor o caminho.

Legends of Eisenwal é divertido. Eu devo retornar para a segunda, quem sabe até uma terceira jornada com outros personagens a fim de testar caminhos diferentes. Fãs das séries Heroes of Might and Magic e King’s Bounty certamente vão se sentir em casa. Para mim fica mais uma experiência: ser um pouco vilão (nos games) machuca, mas não mata.

 

Marketing na cabeça, game no coração. Não importa o dia, a hora e muito menos a plataforma, o que importa é o prazer de jogar.