Análise | Life is Strange – Polarized

Life is Strange

Confesso que estava um pouco decepcionado com  Life is Strange, pois a história que começou tão bem, parecia ter se perdido durante o processo de desenvolvimento. Mecânicas de jogo pouco envolventes e enfraquecimento do enredo que tanto havia me cativado em Chrysalis me botaram para baixo mais rápido do que os xavecos do Warren nos capítulos que se seguiram.

Quando lançado, no começo do ano, fiquei impressionado com a forma em que o game nos jogava em situações fora de nossas zonas de conforto e nos forçava a lidar com temas pouco abordados no universo dos games, como bullying e suicídio. Era esse mundo cruel, cheio de fenômenos fora de nosso controle que me ganhou de cara e eu estava sentindo falta destes elementos até a chegada de Polarized.

Life is Strange

A história continua do ponto em que paramos em Dark Room; Max e Chloe finalmente descobriram o que realmente aconteceu com Rachel Amber e quem estava por trás de seu desaparecimento. A verdade é que as respostas foram bem mais assustadoras do que se poderia imaginar – não para todos, claro – e isso certamente deixou tudo mais interessante. Em Polarized passamos a maior parte do tempo investigando formas de solucionar os problemas ao nosso redor e escapar do destino que nos foi revelado, sempre forçando a estranha habilidade de Max ao máximo, revivendo diversos momentos transcorridos em outros capítulos, bons e ruins. Este processo foi uma verdadeira batalha que me levou a muitas realidades paralelas antes da “solução” – são inúmeras idas e vindas até que a coisa finalmente se desdobra. Porém, quem leu minhas outras análises talvez se lembre dos comentários sobre como o poder de Max estava afetando seu corpo e sua vida, e que ele talvez devesse ser utilizado com cautela. Eu tinha a sensação de que eventualmente isso a mataria, portanto quanto menos ela usasse o poder, melhores suas chances. Acontece que no capítulo final uma nova questão é levantada; e se todas essas realidades paralelas criadas e alterações do passado, presente e futuro fossem responsáveis também por prejudicar a vida de todos ao seu redor? E se suas viagens no tempo estivessem aos poucos usurpando a vida daqueles a sua volta?

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A inclusão destas perguntas não só tiveram impacto no enredo, como também enorme impacto no gameplay. Utilizar os poderes de Max parecia algo tão perigoso que eu repensava diversas vezes a melhor forma de alterar a história, de maneira que o resultado apresentasse o menor efeito colateral possível. Isso tornou o final do jogo muito mais emocionante e elevou a tensão a níveis ainda não vivenciados na trama. Eu cheguei a suar na cadeira em determinadas decisões e me emocionei com os diferentes resultados enquanto “brincava de Deus” e assistia os efeitos seguirem como ondas de um mar bravio. Finalmente o jogo voltou a ser aquilo que se propunha e o título começou a fazer sentido novamente. Não só porque Max tem poderes sobrenaturais e manipula o tempo, mas porque a vida é mesmo estranha, sem os poderes, sem alteração do tempo, sem uma tempestade. Ela é estranha e os caminhos por onde ela nos leva são inimagináveis na maioria das vezes.

O caminho de Max, nosso caminho foi assim, estranho e difícil. Não há uma maneira de fazer todos felizes, não existe mundo perfeito. A única coisa que existe é a chance de fazer suas escolhas e viver com os resultados.

Life is Strange

Author: VelhoTulkas

Marketing na cabeça, game no coração. Não importa o dia, a hora e muito menos a plataforma, o que importa é o prazer de jogar.

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