The Game Awards fez o básico – e isso é bom

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Há algum tempo, acompanho as premiações do The Game Awards. Considerado o Oscar dos videogames, nunca o considerei de tal modo por ter um formato um tanto quanto longe do objetivo final. O evento, ao meu ver, parecia mais uma distribuição de prêmios com um monte de outras coisas aleatórias, artistas consagrados (e com pouca ou nenhuma história na indústria), listas de indicados duvidosas, piadas sem graça e até exposição de carro na edição anterior. Então, nada mais justo meu sentimento de assistir apenas para ver quem ganhou e falar por aqui para vocês. Para conferir os vencedores, basta clicar aqui.

The Witcher III

The Witcher III é eleito mais uma vez o Jogo do Ano

Eis que me deparo com um evento calmo, quase moroso. Sem besteiras, firulas ou coisa parecida. Prêmios distribuídos, nomes conhecidos (ok, não eram um Samuel L. Jackson, mas eram mais relevantes), homenagens e até indiretas mais que diretas, quase polêmicas. Alguns podem ter achado chato, mas era esse o “Oscar dos games” que queria ver há muito tempo. O motivo? Comprometimento. Com a indústria, com os desenvolvedores e com os jogadores.

MENOS É MAIS

Toda a premiação em si foi discreta. Os prêmios eram distribuídos por pessoas envolvidas com vários projetos de renome, como Reggie Fils-Aimes (presidente da Nintendo of America), Troy Baker (dublador de diversos personagens de games como Joel, de The Last of Us) e Camilla Luddington (a voz de Lara Croft nos Tomb Raider mais recentes). Não são atores de Hollywood, porém são figuras ativas na indústria e “vivem” o desenvolvimento das obras que tanto amamos. Ouvir um deles falar sobre seus sentimentos ou impressões é bem mais relevante do que colocar uma Jessica Alba no palco dizendo “eu também amo jogar”.

Camilla Luddington

Camilla Luddington > Jessica Alba

Também foi legal ver o Geoff Keighley mais ativo no espetáculo. Claro, ele tinha toda uma festa incrível para planejar e organizar, mas sempre senti falta de ele chamar a responsabilidade de anfitrião. Quem melhor do que ele pra saber conduzir a carruagem da melhor forma possível? Nesta edição, Keighley foi capaz de mostrar o motivo de ser considerado um nome forte no jornalismo de games, seja por convencer produtoras a anunciar títulos completamente novos ou por suas colocações sutis e, ao mesmo tempo, com algumas farpas ou motivações aqui e ali. E o melhor e mais importante de tudo: ele foi franco quando teve de ser.

Os shows foram legais e estrategicamente colocados para dar uma amenizada no falatório, e o humor sem sal – que acabou não sendo tão sem sal assim – esteve presente apenas em uma ação promovida pela Budweiser com entrevistas feitas com pessoas nas ruas, ou alguns convidados como o Conan O’Brien, apresentador americano famoso pelo quadro “The Clueless Gamer”.

NÃO EXATAMENTE 100%

Obviamente, o TGA também teve seus tropeços. Eventos dessa dimensão geralmente têm seus erros aumentados, então é bom ter cuidado ao analisá-los, especialmente por nem sempre serem provocados pelo festival em si. Alguns, entretanto, foram dignos de vergonha alheia.

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O maior deles, sem dúvidas, foi o vacilo no prêmio de Melhor Atuação. Jade Raymond, conhecida por seu trabalho em Assassin’s Creed, foi conduzida ao erro ao anunciar o jogo errado em que o ganhador trabalhou. O prêmio foi vencido por Viva Seifert, do título independente Her Story, mas ela anunciou The Witcher III, deixando todo mundo confuso e a apresentadora com um sorriso sem graça. No entanto, a falha não foi dela, conforme o próprio Geoff confirmou em seu Twitter (“A propósito, minhas sinceras desculpas a @ibjade. O envelope que entregamos a ela foi impresso errado. Nossa falha, não dela.”). Jade, na hora, ainda pergunta em tom de desarranjo: “The Witcher?”, mas apenas voltou-se ao público, e entregou a estatueta e um “desculpe” à Viva. Afinal, o que fazer, não?

Todavia, a produtora deu uma alfinetada de mal gosto: “quem poderia imaginar Metal Gear sem a voz de David Hayter [dublador de Solid e Naked Snake em diversos títulos da franquia]?”. Ok, Jade, até não discordo de você, porém é meio deselegante falar esse tipo de coisa, especialmente porque Kiefer Sutherland – o ator que substituiu Hayter em Metal Gear Solid V – estava presente no evento e até subiu no palco para receber uma das premiações em nome de Hideo Kojima (ainda bem que antes do acontecido). Afinal, quem era o seu alvo: Konami, Kojima ou o próprio Kiefer? Como se não bastasse, Jade ainda colocou “cuidadosamente” o troféu de Viva no chão depois de cometer o vacilo supracitado. Não, garota, o prêmio não é seu para colocá-lo onde quiser.

BARRADO NO BAILE

Se o alvo da Jade foi a Konami, a empresa continua a dar motivos para tanto ódio desferido contra ela. Em mais uma polêmica e absurda decisão, a desenvolvedora não permitiu que o lendário produtor de Metal Gear fosse ao evento (provavelmente, por medo da enxurrada de perguntas que todos fariam a ele). A informação foi dada pelo próprio apresentador e organizador do TGA, logo após Kiefer Sutherland pegar a taça de Melhor Jogo de Ação/Aventura em nome de Kojima, e está transcrita logo abaixo:

Muito obrigado, Kiefer, por aceitar esta premiação e, como vocês notaram, Hideo Kojima não está aqui conosco esta noite, e quero falar um pouco a vocês sobre isso. O senhor Kojima tinha toda a intenção de estar aqui, mas infelizmente ele foi há pouco informado por um advogado que representava a Konami que não seria permitido a ele viajar para a cerimônia de premiação de hoje e aceitar quaisquer prêmios. (…) É inconcebível para mim que um artista como ela seja impedido de vir aqui para celebrar com seus pares, seus colegas e companheiros de equipe o jogo tão incrível que é o Metal Gear Solid V, mas essa é a situação que temos.

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O HOMEM ÚNICO

Por fim, deixo a vocês o tributo feito a Satoru Iwata, que veio a falecer em julho deste ano. Depois de palavras sentidas de Keighley, um vídeo e uma mensagem de Reggie Fils-Aimes, a quem vê o ex-presidente da Nintendo como “um mentor” e “um amigo”. O mais incrível é ver o impacto de sua morte, assim como a lembrança dos seus feitos em vida, em cada um dos presentes no local. O discurso de Reggie foi ouvido tão atentamente que o mínimo barulho poderia ter ecoado pelo salão. Este é o respeito que apenas um homem único como Iwata pode adquirir.

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Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.