Análise | The Banner Saga 2 – para Arberrang

The Banner Saga é uma franquia da Stoic – desenvolvedora independente formada por ex-funcionários da BioWare – que me atinge profundamente, pois me faz lembrar de coisas que amava quando criança, como Asterix e Obelix com suas cores vibrantes, e desenhos da Disney, com seus traços “clean” e bem definidos. Inclusive, os artistas da obra, Arnie Jorgensen e Igor Artyomenko, buscaram sua inspiração nas obras de Eyvind Earle que produziu ilustrações para Disney nos anos 1950. Ele me faz pensar em Vikings e também na cultura celta, além de ter uma história rica e cheia de mistério (isso me ganha fácil). Ele, portanto, contém em um único “pacote” diversas das coisas que sempre me encantaram, e isso permitiu-me entrar de cabeça no jogo com extrema facilidade.

The Banner Saga 2

The Banner Saga 2 é a sequência do título lançado em janeiro de 2014, que apresenta um mundo fictício dividido por diferentes raças que estão lutando entre si, se ajudando e fugindo de algo maior do que poderiam dar conta, mas que desconheciam até aquele momento. Você carrega seu clã por inúmeros desafios e batalhas sangrentas a fim de proteger-se da tempestade que se aproxima. Ao mesmo tempo, inimigos, outrora considerados apenas lendários, começam a aparecer e deixar um rastro de destruição por onde passam. E difíceis decisões são tomadas, daquelas que deixam um vazio impossível de ser preenchido, porém você segue em frente, sem ousar olhar para trás e se arrepender daquilo que os manteve vivos e unidos até ali.

O segundo jogo começa do ponto em que o primeiro termina e a história segue de acordo com as decisões tomadas no passado. Portanto, a trama é costurada a partir de suas escolhas que, na maioria das vezes, não são nada fáceis de se tomar.

O jogo é um RPG de aventura dividido em momentos de jornada e acampamento através dos belos cenários e combates por turnos. As jornadas são onde a habilidade de comandar diversos povos sob sua bandeira em busca de um lugar seguro é colocada à prova, com difíceis decisões já mencionadas acima. Já os combates apresentam a mesma mecânica do primeiro jogo, porém tornaram-se bem mais desafiadores. O novo título traz novos tipos de unidades adversárias, bem como novos aliados – cheios de personalidade – com habilidades distintas, permitindo assim decisões mais estratégicas durante as lutas. Suar frio é lugar comum aqui – uma escolha errada e dezenas ou até centenas de seus seguidores perdem suas vidas, famílias são despedaçadas e até raças beiram a extinção. Como líder de seu clã, errar não é algo que possa ser consertado de forma simples; cada movimento é observado por todo o seu clã. Lealdade e confiança levam tempo para serem conquistadas, mas se vão em poucos instantes.

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Horsebacks

Horseback

Acreditava-se que apenas três raças viviam no mundo: os gigantes com chifres chamados de Varls, os humanos e os supostos inimigos conhecidos por Dredge. Mas a nova obra incluiu outras espécies e grupos, como os Horsebacks, que são muito parecidos com centauros, os Valkas – que, mesmo já tendo espaço no primeiro jogo, foram mais explorados no novo título e são uma divisão mágica dos humanos – e até inimigos sinistros que habitam o coração dessas terras selvagens.

A longa e difícil viagem é alimentada por uma lindíssima trilha sonora composta por Austin Wintory e executada pela Orquestra Sinfônica do Colorado. Seja durante batalhas ou nas mais simples caminhadas, a música cria a magia necessária para que seu coração seja arrebatado por tudo aquilo que acontece na tela e faz com que seu mundo se transforme naquele que você vê em sua frente. Quando você é forçado a lutar, fugir e tomar difíceis decisões ao mesmo tempo, tendo a música como orientação para o ritmo do gameplay, é quando você realmente contempla o poder de The Banner Saga 2. São momentos angustiantes, tensos, mas muito gratificantes.

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Talvez este seja o ponto mais forte da obra: a capacidade de fazer o jogador imergir completamente em seu universo. É um mundo do qual me doeu sair porque, por mais difícil que estivesse minha jornada e por mais doloridas que fossem as perdas, eu só queria continuar. Joguei com a emoção, deixei a racionalidade de lado e agi como o coração mandou, e realmente sugiro que você tente fazer o mesmo. A lógica pode ajudar em alguns momentos, mas você pode acabar se surpreendendo com os resultados puramente calculados, pois no final o que importa não são apenas os números, mas sim a lealdade, amizade e admiração de seguidores que morreriam por sua bandeira.

Venha logo, The Banner Saga 3.

Author: VelhoTulkas

Marketing na cabeça, game no coração. Não importa o dia, a hora e muito menos a plataforma, o que importa é o prazer de jogar.

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