Pulo Duplo entrevista: Kabum! e-Sports (parte 1)

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O Campeonato Brasileiro de League of Legends já é quase mandatório na agenda de um fã dos e-Sports. Mais do que treinar diariamente, os times possuem diversos lados, como o gerenciamento da organização, a preparação física e psicológica dos jogadores e a própria convivência entre si. Entre as várias equipes a passar pelo torneio, uma das mais tradicionais é a Kabum! e-Sports, campeã da edição de 2014 e uma das apostas para as finais desta segunda etapa. Para apresentar a vocês um pouco mais da equipe e seus indivíduos, fizemos uma entrevista bem bacana com os principais setores que compõem a sólida base da entidade: diretoria, comissão técnica e atletas.

Uma das coisas mais legais foi a atenção dada por todos eles. Todas as perguntas foram respondidas com receptividade – inclusive as mais polêmicas – e só temos a agradecer à Kabum! e-Sports por ter atendido prontamente o Pulo Duplo. Como fizemos vários questionamentos, dividimos essa entrevista em duas partes. Nesta primeira, o auxiliar técnico Hugo “Galfi” Dantas esteve em conjunto com Luccas “Zantins” Zanqueta, Alvaro “Verto” Martins, Daniel “Danagorn” Drummond, Guilherme “Vash” Del Buono, Pedro “Matsukaze” Gama e Jorge “Verfix” Silveira, integrantes da formação de League of Legends da equipe. Amanhã, teremos a conversa com Guilherme Fonte, diretor do time.

Vamos conferir?

Equipe Kabum! e-Sports

Esquerda para direita: Zantins, Matsukaze, Verto, Galfi, Vash, Verfix e Danagorn

Pulo Duplo – Galfi, primeiramente, como é seu trabalho como auxiliar técnico durante a semana, dentro e fora dos jogos? 

Hugo “Galfi” Dantas – Dentro de jogo, meu trabalho consiste em acompanhar todos os jogos de todos os treinos, juntamente com o Peter, além de tomar notas dos nossos erros e acertos. Quando o jogo acaba, usualmente eu faço uma revisão da partida, dessa vez sem a presença do coach, abordando os erros que cometemos e como podemos consertá-los. Caso os jogadores tenham alguma dúvida que eu não consiga esclarecer efetivamente, nós recorremos ao Peter, que tem a devida experiência para nos guiar. Além disso, eu e o Peter, como integrantes da comissão técnica, também analisamos juntos os jogos dos times adversários pra detectar padrões de jogo/pick e planejamos o nosso draft/gameplay. Também é parte de minha rotina assistir VoDs de outras regiões, detectar tendências, picks, builds e etc.

Além do trabalho dentro do jogo, é essencial o acompanhamento fora dele. Eu procuro sempre auxiliar a equipe para manter a confiança e união dos jogadores, a fim de encarar a pesada rotina de treinos. Este preparo tem o respaldo do Dr. Hermes, o nosso psicólogo, que é essencial ao apoio moral que a equipe necessita durante os nossos jogos do CBLOL, no estúdio da Riot.

PD – E como é a relação entre você e o Peter Zhang (treinador da equipe)? Há dificuldade pela falta de contato, como desentendimentos ou erros de interpretação, visto que existe a barreira da distância e da língua?

Galfi – O Peter é um cara extraordinário, extremamente inteligente e com bastante talento para a didática – um coach nato. Temos uma relação muito boa, e tento aprender o máximo possível com ele. Para mim é um privilégio e uma responsabilidade muito grande representá-lo aqui no KaBuM!. Portanto, sempre me esforço ao máximo para fazer um bom trabalho. Em relação à comunicação, não temos nenhum problema – o inglês dele é muito bom, assim como o meu. Então tudo flui de maneira bastante natural, não é algo com que eu jamais tenha me preocupado.

PD – Você acha que dividir as funções de auxiliar técnico de um coach no exterior e de analista pode afetar um pouco o seu trabalho?

Galfi – Acho que cada organização encontra o seu balanço. Às vezes, a carga de trabalho a ser feita realmente pode ser bastante intensa em alguns momentos, mas é tudo feito com muito prazer. Além do que, toda a experiência no KaBuM! até agora tem sido extremamente valiosa para o meu crescimento profissional. Sempre busco aprender o máximo possível, enquanto tenho o Peter ao lado para me ajudar. Diante desses pontos, procuro sempre absorver a maior quantidade de trabalho que eu puder, pois isso fará toda a diferença.

Galfi e Guilherme Fonte

Galfi e Guilherme Fonte, diretor do time

PD – A filosofia de reservas que possibilitam novas estratégias ou outros elementos com a entrada deles nas partidas é algo comum em outras ligas pelo mundo, e temos visto isso sendo incorporado neste segundo split do CBLoL com a RED Canids e a própria Kabum!, por exemplo. Você acha que as equipes já estão prontas para utilizar-se disso ou os nomes nos bancos de reservas ainda não representam novos estilos de jogo ou causariam impacto suficiente com suas entradas?

Galfi – Acho que um roster completo nunca é ruim. A variedade de jogadores traz muitas oportunidades bacanas para a equipe, como competitividade, versatilidade no estilo de jogo e principalmente a evolução do grupo em si, com mais cabeças pensando a respeito do mesmo problema. Essa tendência, acredito que seja o rumo natural que as organizações irão tomar no futuro. No KaBuM!, só estamos cuidando para que esse futuro seja mais próximo para nós, a fim de entrarmos nessa nova fase dos e-sports atualizados com a maneira mais eficiente de trabalhar.

PD – Com relação à pergunta anterior, você acha que falta mais iniciativas das organizações em geral para poder revelar novos jogadores? Poderemos ver algum dia algo como o Barcelona (time de futebol), que treina jovens atletas com estilos de jogo semelhantes aos praticados com a filosofia do time?

Galfi – É o que estamos tentando fazer, por exemplo, com o Verto. Revelar talentos é uma tarefa muito delicada, já que envolve muito mais do que trabalhar um jogador. Pois, antes de um player, existe ali um jovem-adulto. Há de se fazer essas revelações de maneira gradual, respeitando o tempo de aprendizado e evolução do jogador. Até porque, se não tomarmos cuidado, nós mesmos podemos comprometer a carreira de um jovem talento ao colocá-lo em situações em que ele não esteja preparado pra enfrentar. Como vanguardistas dessa tendência – a de montar um roster maior e mais completo, com novas caras, estamos tendo cautela no processo de desenvolver talentos e esperamos, em um futuro próximo, mostrar o resultado do nosso trabalho – aliado à grande força de vontade desses jogadores.

PD – Verto, como você descreve o seu estilo e em que situações o Verto seria melhor que o Zantins e vice-versa?

Alvaro “Verto” Martins – Nós temos, de certa forma, estilos diferentes. Mas, acima disso, somos jogadores profissionais e devemos nos adaptar a qualquer estilo de jogo. Também há outros aspectos, sendo um deles a experiência – tanto em palco como no meta do top atualmente. Sendo assim, o Zantins é um jogador que joga sem correr riscos, enquanto eu tento tirar mais vantagem dos erros dos adversários.

Verto

Verto, uma das novidades da Kabum! em 2016

PD – Embora o Zantins já tenha feito duas ótimas séries na Super Semana, já foi dito mais de uma vez que não existe um titular absoluto no topo. Para as outras posições, no entanto, essa discussão não é mencionada, mesmo com um Zuao na reserva do Danagorn. Para vocês, isso mantém os pés no chão?

Verto – Somos profissionais, temos as mesmas condições de estrutura oferecidas pela organização e trabalhamos para manter os pés no chão, a fim de fazer o melhor pelo time.

PD – E como está sendo essa vinda para o cenário competitivo e a nova rotina de trabalho?

Verto – Minha rotina não mudou muito, em relação ao que fazia em minha casa e o que faço hoje na Gaming House.  A diferença está nos treinos todos os dias, em horários pré-estabelecidos, já que em casa eu tinha mais liberdade para jogar a hora que quisesse. Além disso, há outros compromissos, como viagens para o estúdio da Riot e responsabilidades relacionadas ao treinamento.

PD – Danaga, você começou o CBLoL de uma forma impressionante, mesmo tendo ficado tanto tempo sem jogar. O que você fez para voltado tão bem para essa segunda etapa?

Daniel “Danagorn” Drummond – Eu continuei treinando e aprendendo sobre as mudanças e evoluções do jogo. Estar fora do competitivo não me impediu de me dedicar.

PD – E como era o contato entre você e o Minerva durante o tempo que esteve fora? Você acha que esse contato influenciou de alguma forma esse seu atual rendimento?

Danagorn – Eu gostava bastante de conversar sobre o jogo com o Minerva e acho que poder acompanha-lo, e também o time, me ajudou a entender melhor como o meta do jogo evoluía.

Danagorn

Danagorn tem sido o grande destaque do time no 2º split

PD – Vash, você provavelmente já está totalmente adaptado para a rota do meio atualmente. Como foi a sua evolução desde a época de Solo Top? Considera hoje o mid sua rota mais forte? Tornou-se também sua preferida?

Guilherme “Vash” Del Buono – O jogo é completamente diferente da época em que eu era top laner, por isso acho que isso dificulta a comparação. Considero, sem dúvida, minha rota mais forte e é também a minha lane preferida.

PD – Você foi considerado um dos responsáveis por manter a CNB no CBLoL, juntamente com o Pablo “pbo” Yuri. O quanto você contribuiu para o feito e o que traz de lição para si sobre essa troca para a Kabum!? 

Vash – Acho que só pelo fato de ter causado uma mudança na line-up já foi um fator positivo, ainda mais quando ocorre um upgrade na role. A minha experiência na CNB foi muito gratificante e com certeza mudou minha cabeça em relação a diversas coisas dentro de jogo e fora dele.

Vash

Depois de passagem pela Kabum! Black, Vash está de volta à organização

PD – Você, o Danaga e o Matsukaze jogaram juntos na extinta Kabum! Black. Além da sinergia e da convivência que o Matsukaze já confirmou em uma entrevista para o MyCNB, o que vocês apontam de positivo e negativo daquela época que podemos ver nessa Kabum! de hoje?

Vash – Com certeza, nós três amadurecemos bastante em diversos sentidos. Eu, particularmente, sou um player completamente diferente da época do KaBuM! Black. E sim, o fato de já nos conhecermos e lidarmos bem uns com os outros ajuda bastante na construção de uma base mais forte para a nova KaBuM!.

Danagorn – Já nos dávamos bem naquela época e o fato de já ter uma noção de cada um em jogo, é um fator que sem dúvida nos ajuda bastante atualmente.

Pedro “Matsukaze” Gama – De pontos positivos, acho que, em primeiro lugar, a amizade e depois a noção de como cada um de nós joga. Em relação a ponto negativo, não vejo nada relevante, talvez manias dentro de jogo… De verdade, não sei apontar (risos).

PD – Matsukaze, desde a Kabum! Black, muitos te consideram um dos melhores AD Carries brasileiros, mas ainda faltava experiência. Você diria que a experiência obtida depois de mais de um ano de CBLoL já é a ideal?

Matsukaze – Não diria que é a ideal e nem que está perto disso. Os maiores ADCs do mundo tem um grande histórico em suas carreiras, com títulos importantes e inúmeras jogadas memoráveis. Tenho muito caminho a trilhar ainda.

Matsukaze

Alvo de crítica de seus ex-colegas, “Matsugod” quer apenas seguir em frente

PD – Você foi bem criticado pelos ex-jogadores da Kabum! que foram para a CNB por falta de comprometimento. O quão você acha que eles estão certos, se é que estão?

Matsukaze – Acredito que não haja necessidade de tocar mais neste assunto, pois já basta de confusões por causa disso, que não irão levar a nada. Tenho meu foco voltado para o que interessa, que é o jogo.

PD – Colocada no seu Twitter, a frase “ainda bem que o patch do Final Fantasy não mudou” é claramente uma referência à crítica dos garotos sobre você. Tudo isso te deu um ânimo a mais para provar o seu valor? Vai ter um gostinho a mais quando enfrentar a CNB?

Matsukaze – Eu não preciso provar o meu valor. Quem confia em mim, confia, e quem não confia, simplesmente não confia. Isso não é decidido/alterado com vitória ou derrota. Não tenho sentimento de vingança, nem nada negativo. Apenas estou motivado a melhorar individualmente, o que é natural para qualquer um que esteja no competitivo. Quanto a “gostinho”, vencer sempre será o objetivo, seja qual for o time.

PD – Verfix, você apareceu no CBLoL com a responsabilidade de suplantar o Baiano na Keyd Stars, não sentiu a pressão e, para muitos, jogou ainda melhor que ele. Não ficou um pouco de mágoa por fazer exibições melhores e ser trocado para a fase eliminatória, mesmo com um Baiano recém-recuperado, ou sempre esteve na sua cabeça que era temporário e só tinha de agarrar a chance enquanto estivesse lá?

Jorge “Verfix” Silveira – Não posso falar em mágoa, quando o que tive foi uma oportunidade de mostrar meu potencial. A chance foi tão positiva que estou hoje como titular do KaBuM! e-Sports.

Verfix

Agora titular no Kabum!, Verfix chega para repetir as boas atuações na Keyd

PD – O novo patch (6.10) é famoso por mudanças drásticas tanto no controle dos objetivos como no meta. Vocês acham que as próximas duas semanas serão de oportunidades para os times de baixo da tabela subirem, visto que todas as equipes ainda precisam se adequar 100% às alterações? O que vocês acharam das novas mecânicas, tanto para o jogo em si quanto para o competitivo?

Jogadores – Analisando as equipes que estão um pouco abaixo da tabela, acredito que, independente da atualização do patch ou não, todas possuem as mesmas chances de subir, pois o momento ainda é de instabilidade. Sendo assim, estão abertas as oportunidades para que algum time alcance o favoritismo. O patch muda muito a maneira de jogar e as estratégias praticadas durante a partida. São nessas semanas de aprendizado que se deve arriscar um pouco e tentar inovar em alguma composição – ou até mesmo durante a própria partida. A diferença pode estar aí, tendo em vista o momento em que os times ainda estão “em fase de aprendizado”.
Quanto às novas mecânicas, elas contribuem para o jogo não ficar limitado ao que os jogadores já estão habituados, refletindo em maior esforço do competitivo, a fim de obter resultados e novas estratégias de jogo.

PD – Quais as chances de vermos a Kabum! e-Sports representando o país no mundial desse ano?

Jogadores – Acredito que toda a organização, assim como a equipe, tem o sonho e o objetivo de voltar a representar o Brasil lá fora, mas sabemos que não será uma tarefa fácil. O caminho é árduo e nossos jogadores estão focados e se esforçando ao máximo para conseguir a permanência no topo da tabela e buscar o bicampeonato. Decorrente desse esforço, conquistar uma vaga e a oportunidade de representar o país no mundial novamente.

Kabum! e-Sports

 

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.