Análise | Gears of War 4

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A espera acabou. Chegou a hora de passar a Lancer para uma nova geração de COGs em Gears of War 4. A mais nova entrada da franquia originalmente criada pela Epic Games, 10 anos após o primeiro título, é passada para uma nova geração de desenvolvedores, a The Coalition. Com isso, além da responsabilidade de trazer uma nova entrada da franquia para um novo console, é inevitável a pergunta: ele faz jus a seus antecessores?

Gears of War 4 traz novos elementos, mas seu DNA mantém diversos traços dos primeiros títulos da série. Prato cheio para qualquer fã, sem deixar de ser uma interessante forma de abordar uma nova geração de jogadores. Assim, tenha algo bem claro: apesar de ser uma continuação, GoW 4 apresenta-se mais como um reboot da série.

https://www.youtube.com/watch?v=ji2aU4EdQww

25 anos após os acontecimentos dos títulos originais e com o final da guerra contra os Locust, onde a raça humana mal sobreviveu àquela ameaça, foi possível iniciar uma reconstrução. Os sobreviventes da Coalizão de Governos Ordenados – também conhecidos como COGs – agora vivem em cidades supervisionadas, comandadas por um governo mais rígido. A justificativa seria a garantia da sobrevivência. Entretanto, em um mundo repleto de lembranças trágicas, feitos de guerra e seus heróis, alguns sobreviventes não concordam com tal chefia, e optaram por viver em comunidades fora das cidades de muros e proteções feitas por robôs comandados pelos COGs. A questão é que suprimentos são detidos pelo governo, fato que obriga os que vivem fora dos muros a saquear os estoques COGs, gatilho para uma espécie de guerra civil.

É quando conhecemos nosso novo protagonista, J. D. Fenix, e seu melhor amigo, Del Walker, que saem dos COG e unem-se ao grupo de forasteiros comandados por Reyna, mãe de sua amiga Kait Diaz. Mas, é a agressividade repentina adotada pelo governo, sem justificativa e combinada a uma desconhecida nova ameaça, que obriga J.D e seu grupo a solicitar ajuda de seu pai: ninguém menos que o heróis de guerra, Marcus Fenix. Com isso (e por mais incrível que pareça), você encontrará um Gears of War com uma quantidade menor de história – se comparado às obras anteriores da série – e bem mais violento, repleto de Sci-Fi e horror (detalhes que particularmente me agradaram).

A exploração do modo campanha tem pontos bem positivos. Se você jogou títulos anteriores, vai sentir-se em casa, mesmo com as novidades (caso contrário, não tema. Tudo é bem intuitivo). A campanha suporta até dois jogadores em modo colaborativo (nesse aspecto, Gears of War 4 apresenta um retrocesso se comparado a títulos anteriores, que já esses permitiram co-op para até quatro jogadores), onde o segundo player pode escolher entre jogar com Kait ou Del. Independente se você jogará com mais um amigo ou em modo solo, a IA sempre estará presente controlando os demais personagens de forma eficaz, na grande maioria das vezes, o que é louvável. Afinal, grande é a quantidade de jogos onde faz-se necessário a presença de outro jogador, para que você não acabe por destruir seu controle.

IA de verdade (graças aos céus).

IA de verdade (graças aos céus).

O combate é um espetáculo à parte. Na verdade, lembro-me que foi o estilo de tiro em terceira pessoa e elementos como sistema de cobertura, rolamentos e corridas para emboscar o inimigo que me fizeram comprar um Xbox 360, nos bons tempos do primeiro game da série. Pois bem, tudo isso ainda está presente. As coberturas, de forma costumeira, estão espalhadas em pontos estratégicos tanto para você como para os adversários, resultando em combates divertidos, intensos e desafiadores. Combine os elementos clássicos de combate aos novos – poder puxar adversários do muro ou saltar sobre eles, atordoando-os o suficiente para encaixar uma facada, por exemplo -, e tudo fica ainda mais empolgante.

As armas (como praticamente tudo em Gears 4) misturam antigas com novidades de tirar o fôlego. A sensação de serrar o inimigo ao meio ao emboscá-lo continua sendo mais que gratificante, da mesma forma que dependurá-lo na baioneta de sua retro lancer. Porém, as novas armas vêm acompanhadas de possibilidades variadas de destruição e caos. A escopeta gnasher ainda conta com todo o poder de fogo que já decidiu diversas batalhas entre a vida e a morte, mas a presença da escopeta overkill, ofusca sua antecessora, graças a sua capacidade de tiros simultâneos e dano mais que massivo. Enquanto isso, a dropshot é uma arma de mineração modificada, que dispara uma mina aérea flutuante em linha reta até você soltar o gatilho. Uma vez liberada, essa munição desce violentamente, perfurando o que vier no caminho (inclusive um inimigo) e explodindo pouco tempo depois. Assim, fica mais fácil entender o pânico de oponentes ao ver seu disparo pelo ar, efeito bastante familiar ao “salve-se quem puder” de quando serras circulares da buzzkill (do inglês livre, estraga prazeres) saem voando e dilacerando tudo em seu caminho.

Overkill: amor em forma de múltiplos tiros de escopeta.

Overkill: amor em forma de múltiplos tiros de escopeta.

As novidades não deixam de se destacar no tocante aos inimigos. Além dos robôs COG já descritos acima, os antipáticos juvies cumprem seu papel de importunar incessantemente, esquivar de seus tiros e desviar sua atenção com o intuito ganhar tempo para ameaças maiores, como o Pouncer. Esse rápido caçador, que causa terror desde os primeiros trailers do jogo, é capaz de disparar espinhos de sua calda, que causam dano comparável a de uma escopeta natural e são capazes de crescer rapidamente. Não esquecendo da resistência e da justificativa do seu nome (do inglês livre, Pounce quer dizer ataque rápido), onde a feroz criatura consegue saltar em cima de você e somente uma rápida reação (com o pressionar repetido do botão B)  ou disparos aliados serão capazes de te salvar.

A união desses elementos ajuda a construir um modo campanha que, em suma, é sólido e empolgante. A junção de ataque, estratégia e defesa recebe ainda mais destaque em momentos que muito lembram o modo horda (visto em outros jogos e no terceiro título da franquia, também de volta em Gears 4, mas falo dele posteriormente). Você terá a oportunidade de montar defesas, armas e armadilhas para deter ondas de adversários, além de ser perspicaz ao criar um plano B, quando estas não funcionarem mais. Tal inserção é, ao mesmo tempo, incrível e decepcionante, já que o modo horda – e suas aparições durante o modo campanha – é altamente divertido, contudo fiquei com a sensação que o game tenta empurrá-lo diversas vezes na grande maioria dos estágios.

Os momentos desagradáveis da campanha ainda tiveram uma cereja podre no topo: um bug de progressão impediu meu progresso em um determinado momento do jogo, uma vez que a cena cinemática entre combates simplesmente travava a imagem, o que não permitiu a continuação do combate. Por sorte, li nos fóruns oficiais que o motivo era a utilização de uma torreta (vai entender o porquê?!). A não construção dela, permitiu-me continuar. Que bom foi ler que uma rápida atualização saiu no dia seguinte, graças ao feedback da comunidade nos mesmos fóruns, resolvendo a questão. Tais desprazeres são compensados por outros elementos encontrados até o final da história, na forma de batalhas em veículos – divertidas e que adicionam  muito à campanha – , ou como os desafios do clima ambiente de Sera (planeta onde o jogo se passa). Este cria obstáculos intrigantes, como as Windflares – tempestades adicionadas de chamas -, colocando suas habilidades em cheque, além de adicionar ainda mais beleza aos gráficos muito bem trabalhados pelos integrantes da The Coallition.

Windflares: tempestades com vento e chamas. Tá fácil...

Windflares: tempestades com vento e chamas. Tá fácil…

Já o novo modo Horda 3.0 é totalmente primoroso. Sim, você ainda terá ondas de inimigos com o objetivo de dizimar você e seus amigos e, identicamente, armas e elementos de defesa para ajudar a segurá-los. Não obstante, é impressionante a adição de elementos que justificam o “3.0” da Horda. Neste novo modo, seu time de cinco jogadores agora conta com classes, cada uma delas com elementos únicos, sejam armas próprias ou funções únicas. Após determiná-las, vocês deverão escolher uma posição para o fabricator, item que libera armas e fortificações em troca de moedas coletadas durante as partidas, não somente para garantir um local de troca para compra desses benefícios, tão quanto para ter uma forma de proteger a área e lutar por ela. Graças a isso, um mesmo mapa pode ser mais simples ou complicado, a depender de suas escolhas.

Ao todo são 50 ondas e a cada 10 delas um novo elemento de dificuldade é adicionado (seja uma melhor mira, dobro de vida ou de dano causado por inimigos). A cada múltiplo de 10, um chefão comandará a onda, e este elemento torna tudo mais intenso (e provavelmente boa parte do que você construiu sofrerá dano). São em momentos como esse que você enxergará a importância das classes. Além das relacionadas ao combate, como o soldado (mais maleável), sniper (perfeito para abater inimigos à distância) e heavy (artilharia pesada e bônus com tais armas), o engenheiro é capaz de reparar danos causados às fortificações, armas e torres de defesa, enquanto o scout duplica bônus e munições coletadas durante o combate. Após entender as mecânicas, você e seus amigos terão horas de diversão.

Gears of War 4 também conta com diversos modos PvP, seja para partidas mais casuais como também competitivas ranqueadas. Se tais modos vão prender ou não sua audiência, eu não arrisco dizer. O que posso dizer é que os elementos para o sucesso estão presentes. Os mapas são divertidos e sempre oferecem um ponto para emboscadas, ao mesmo tempo que para defesas e estratégia. Os modos, velhos e novos, divertem todos os estilos de jogadores. Desde o clássico Team Deathmatch ao novo e interessante Dodgeball (modo em inglês para o esporte queimada), onde cada jogador tem apenas uma vida, mas pode voltar ao campo quando um adversário morre, o que acrescenta surpresas e a necessidade de pensamento rápido e agilidade a cada kill.

E tudo nos modos multijogador gera uma moeda que você pode utilizar para comprar os packs de personalização. Cada pack vem com cartas que trazem novidades de personalização, como novos personagens, skins para eles, emblemas para seu cartão de jogador, skins para suas armas e cartões de recompensa. Esses últimos existem em dois formatos – horda e PvP – e dão algum tipo de bônus, desde que uma condição seja cumprida. O mais interessante é que tudo que funciona no modo versus é cosmético, e não interfere nas partidas versus online. Essas cartas contam com um sistema de raridade e se alguma delas não te agrada, é possível transformá-las em scrap (algo como sucata), uma moeda especial que é utilizada para criar outras de seu agrado.

Gears of War 4 já está disponível para Xbox One e PC e corresponde a boa parte da expectativa criada a seu redor. Seu elementos misturam (e muito bem) o clássico e o novo, dando origem a o que pode ser o primeiro de muitos games em uma nova linha temporal. Depois do primeiro Gears, eis meu novo favorito.

Vale também lembrar que o jogo conta com crossplay entre jogadores dessas plataformas, exceto no modo PvP Online. Se o jogo entregue pela The Coallition já está assim divertido, mal posso esperar para por as mãos nas novidades que as DLCs trarão, como as já anunciadas para o início de novembro.

Games Editor, geek multi-classe e fã de esportes que acredita que bom mesmo é jogar games, pouco importa a plataforma.