Análise | Watch Dogs 2

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Acredita na privacidade? O direito de controlar sua exposição e a disponibilidade de informações sobre si pode ter mudado. Com o passar dos anos a internet e as redes sociais e, por tabela, a tecnologia, são os maiores responsáveis pela mudança com que nossa reserva de informações pessoais, e até nossa vida privada, tende a ficar mais exposta. Claro, é nossa opção expor (ou não) nossa vida para outros. Ou, ao menos, deveria ser. Mas e se não houver escolha? Até onde você iria para ter seu espaço respeitado e o que faria ao descobrir que empresas não respeitam mais seu direito de ser deixado em paz? Se você não iria ficar de braços cruzados, bem-vindo a Watch Dogs 2.

Você estará na pele de Marcus Holloway, um jovem e famoso ativista-hacker (ou hacktivist), também conhecido pelo alias de “Retr0”, devido ao seu gosto por hip hop e filmes clássicos. Ele foi falsamente acusado por suspeita de roubo de tecnologias de alto nível, porém sem nenhuma prova, a não ser o sistema preditivo da ctOS 2.0 – sistema operacional da Blume, presente em praticamente toda cidade -, Marcus teve que cumprir pena de serviços comunitários. Devido a isso, e ao assédio de pessoas que acreditaram que ele realmente era culpado, Holloway decide se juntar ao grupo de Hackers da DecSec após seu maior teste para entrar no grupo: invadir uma estação da ctOS 2.0 e hackear o sistema para remover seu perfil dele, algo que ninguém tinha conseguido até então.

Ao entrar para o time DedSec, e conhecer seus peculiares membros, São Francisco estará praticamente à sua inteira disposição, pedindo para ser hackeada. Essa é a maior prova que a privacidade está com seus dias contados, uma vez que esse sistema inteligente dá acesso a praticamente tudo: rede elétrica, de gás, gadgets, semáforos, carros, residências, câmeras, enfim, todo e qualquer lugar ou objeto  que esteja conectado a ele. E é exatamente contra isso que a DedSec luta, com o objetivo de devolver o controle e a sua privacidade a você. Ao meio deste envolvente e divertido enredo, é possível ver o que o jogo tem de mais interessante: escolhas.

Você é quem determina como cada momento deve ser jogado. É possível, inclusive, jogar quase todo o título de forma furtiva (o que tentei e foi bastante desafiador). Apesar das diversas armas e habilidades desbloqueadas com o passar do tempo (na ordem de sua escolha), sempre tentei resolver tudo na surdina, o mais invisível possível. Porém, se preferir resolver as coisas a outro modo, é possível simplesmente explodir tudo e atirar pelos ares. Todavia, isso tem um preço. Como tudo é bem conectado, é muito fácil (e rápido) chamar por reforços, e a depender do nível de ameaça que você estiver classificado, a artilharia para te deter pode vir com chumbo grosso, o que não será nada fácil lidar. Em momentos onde apelei para a força bruta, uma escopeta e uma sniper me ajudaram bastante a lidar com problemas, contudo não foram suficientes quando abusei da sorte (e da quantidade de inimigos). Esse e outros detalhes foram discutidos em nossa entrevista com o Diretor do jogo, Danny Bélanger (abaixo).

Agora, se quiser seguir o caminho dos furtivos, hacks e paciência serão suas maiores ferramentas. Comandos enviados através do seu smartphone serão úteis para praticamente tudo. É possível abrir portas, explodir caixas elétricas ou de gás ou até invadir sistemas. Outros comandos vitais para escapar de inimigos, como controlar veículos utilizados em fugas, explodir coisas, (des)controlar o tráfego e até criar armadilhas para perseguidores também serão possíveis graças a essa conectividade tão temida por muitos. Se no primeiro Watch Dogs os elementos hackáveis eram razoáveis, aqui o céu é o limite.

Para dar mais força ao grupo revolucionário, faz-se necessário obter mais seguidores. Isso mostra que a culpa não está na tecnologia, mas ao uso que é dado a ela. É essa mesma tecnologia que fornece os meios para retaliar assim, quanto mais pessoas baixam o app DedSec, maior é seu poder e alcance de hacks. Com isso, cada missão realizada tende a ser transmitida em redes sociais – e às vezes até pela própria mídia -, o que ajuda a conseguir mais seguidores e conscientizar outros do que a Blume e empresas que dizem respeitar sua privacidade, ou até políticos e outras figuras públicas, fazem com seus dados (supostamente) pessoais. Em termos de jogo, há missões principais e secundárias e são elas que providenciam mais seguidores, refletindo no número de habilidades que você terá à sua disposição. Porém, não é necessário focar nas secundárias, quando as principais já fornecem muitos seguidores. É mais uma questão de quanto da cidade você quer explorar.

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Jogar Watch Dogs 2 e explorar tudo o que sua São Francisco tem para oferecer é muito divertido. O mapa é praticamente o dobro da Chicago do primeiro game, e a quantidade de missões, easter eggs e coisas extra para fazer é surpreendente. Você tem corridas (de motos, barcos, kart, drones…), viagens como motorista de um app de compartilhamento de veículos, fotos de lugares e pessoas para tirar e muito mais. Essas atividades, assim como as missões, não somente fornecem horas de diversão, como providenciam seguidores e dinheiro, que você utilizará para comprar itens, veículos, armas e gadgets e personalizar seu Marcus. Um exemplo é o quadcopter, drone que será mais que útil para descobrir caminhos para completar missões, hackear veículos e objetos que estejam fora do seu alcance ou até mesmo assustar e atacar inimigos. Semelhante ao RC Jumper (uma especie de carrinho controle remoto de alta performance), ele é uma extensão de seus comandos hackers, e permite realizar muitas manobras a qualquer momento.

“festa estranha, com gente esquisita…”

Watch Dogs 2 conta ainda com interessantes missões multiplayer, sejam competitivas ou cooperativas. É possível de deixar (ou não) que outros jogadores entrem temporariamente na sua versão da cidade, para jogar tais partidas. Elas abrangem um bom leque de opções, como uma para caçar um jogador que tem a cabeça a prêmio, ou para hackear alguém que está em um ponto específico da cidade, sem que ele perceba a sua presença (caso ele te encontre, resolva na bala se você será pego ou não). Lembre-se, há dias da caça e outros do caçador. Assim, haverá momentos em que você é o alvo dos exemplos que citei anteriormente.

Meu avô já dizia que temos apenas três certezas nessa vida: a morte, os impostos e que nada nessa vida é perfeito. Se você vacilar nesse game, é morte na certa. Você pode até conseguir grana de várias formas, porém algumas delas vêm cobrar impostos bem caros (vide o que acontece quando você vacila). E Watch Dogs 2 não é perfeito. Tive o desprazer de encontrar pequenos glitches de câmera e outros, como o que que travou meu personagem ao utilizar um emoji de interação com pessoas na rua (supostamente já resolvido com uma atualização). Além disso, algumas batalhas tiveram momentos mais que surreais – e incrivelmente irritantes -, como um tiro a queima roupa de escopeta que simplesmente não acertou o alvo que por sua vez, com um simples tiro de pistola, ceifou minha vida. Com sorte, foram momentos raros que não tornaram a acontecer e não foram suficientes para tirar o brilho do game.

O poder das escolhas nesse jogo é tão grande que você pode mostrar como a carna é fraca, e invadir a privacidade alheia também. Há coisas engraçadas e outras bem inúteis ao fazer isso, todavia é sempre muito divertido fazê-lo. Tanto que existe uma missão para invadir a sede da Ubisoft da cidade, a pedido de um site de games (juro que não foi o Pulo Duplo!), com o objetivo de invadir seu sistema em busca de um suposto vídeo de um jogo que só será anunciado na próxima E3. Fiz a missão, vi o vídeo e o melhor? Notícias na mídia do mundo real afirmam que esse realmente será um título de exploração espacial da empresa. Segue o vídeo abaixo, mas se preferir a imersão, deixa para ver no mundo de Watch Dogs 2.

Dos lugares para beber algo, às loucuras para conseguir novos fãs, ou nos diferentes veículos para pilotar e músicas de todos os cantos do mundo, para ouvir entre missões (tem até Daniela Mercury) -, Watch Dogs 2 é um jogo riquíssimo, repleto de coisas para fazer, missões para cumprir e privacidade a recuperar. Você não fica sem ter o que fazer aqui e, quando menos espera, outro jogador pode surgir e invadir seu território. Tudo é personalizável, tudo pode ser feito do seu jeito e a cidade estará pronta para ser hackeada por você. Watch Dogs 2 está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC. “A DedSec te trouxe a verdade, o que você vai fazer?”.

Games Editor, geek multi-classe e fã de esportes que acredita que bom mesmo é jogar games, pouco importa a plataforma.