Análise | For Honor

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Sempre fui competitivo e gostei de medievalismo. Posso não ser o melhor jogador de multiplayers online, mas adoro passar horas em PvPs e me divertir em diversas disputas, seja com amigos ou contra ilustres aleatórios da internet. Filmes do Rei Arthur, ou de Samurais, e a série Vikings, todos constantemente me chamaram atenção e estiveram entre meus favoritos. E eis que na E3 de 2015, a Ubisoft anuncia um jogo com batalhas medievais e uma forte tendencia eSport? Sim, contei as horas para por as mãos e entrar de cabeça em For Honor.

Porém, “entrar de cabeça” provavelmente não será a melhor solução. Neste título, bater com estratégia pode ser a chave da vitória. Concordo plenamente com a citação de Tom Marks, da página PC Gamer, e muito bem colocada pelo King em sua prévia do jogo: For Honor é “a partida de pedra, papel e tesoura mais mortal já jogada”.

Diferente de outros jogos de combate corpo-a-corpo em terceira pessoa, como Dark Souls III ou Nioh, For Honor aparenta ser bem simples, todavia seu ritmo de combate requer visão e estratégia, além de boas pitadas de paciência. Claro que você pode ter como estratégia utilizar uma carga do Berserker – uma das classes vikings, ‘Invasor’ na versão em português -, partir insanamente para cima do adversário e vencer. Mas nem sempre a vitória será garantida desta forma.

O título conta com as três mais icônicas facções de guerreiros da história: cavaleiros, vikings e samurais. Não importando qual dessas três você escolha, será possível jogar com qualquer um dos 12 heróis disponíveis, quatro de cada origem – inicialmente três, um de cada -, que vão sendo desbloqueados com a moeda adquirida ao jogar, tanto no singleplayer como no multiplayer. Ao escolher sua favorita, batalhas épicas têm início.

Go, #teamorochi

Seus reflexos estarão sempre em teste e isso faz com que cada embate tenha ares épicos. No geral, cada classe tem uma lista de movimentos de ataques, bloqueios e esquivas que geram um sistema de combate único. O melhor, não é complicado para iniciantes. Todavia, sua profundidade de combinações é a chave em busca do desenvolvimento de suas habilidades.

Por exemplo, um dos meus favoritos é o Orochi, um dos quatro guerreiros samurais, que tem ataques precisos e esquivas como foco, diferente da força bruta e tackles do Berseker, que citei acima. Depois de jogar mais com ele, aprendi que suas esquivas, quando aplicadas no momento preciso e na mesma direção de um ataque inimigo (indicados pela seta vermelha na tela), podem gerar um contra ataque, perfeito para encaixar um combo e vencer um Berserker com maior facilidade, inclusive. Tenha sempre em mente que cada um desses guerreiros tem uma série de pontos fortes e fracos, que podem ser aproveitados a depender da estratégia. Se o mesmo guerreiro viking lhe encurralar no canto… descanse em paz, nobre samurai.

Já uma batalha entre o Orochi contra Nobushi, mestres samurais da lança – com seus ataques lentos, porém certeiros à distância -, fazem um embate digno de filmes orientais, com movimentos contados a dedo, reflexos afiados, e desfecho imprevisível. Foi em um desses combates onde tive que decidir entre esquivar ou defender para contra atacar, ou tentar atacá-lo ferozmente, não dando tempo para reação. Afinal, ele pode fazer o mesmo e devido ao maior alcance de sua arma… descanse em paz (novamente), sábio soldado oriental.

Nunca subestime um Nobushi (ou qualquer outro herói).

Como você pôde perceber, tenho uma leve preferência pelos samurais. Contudo, que bom que o game permite mudar de classe a cada combate. E, apesar dos exemplos e dicas dadas pelo jogo quando você inicia os embates com um herói diferente pela primeira vez, o verdadeiro tutorial é o modo campanha. Aqui está o verdadeiro aprendizado inicial e, infelizmente, a decepção do jogo.

Cada uma das facções são encontradas no formato de capítulos, e juntos eles mostram todas as classes. Você terá a oportunidade de ver as diferenças entre eles e como jogar com suas habilidades especiais (ou Feats, na versão em inglês). Aprender a lidar com elas, como variar combos e saber suas fraquezas será vital para todo a competitividade online que o espera.

Uma pena que a história do jogo não segue sua riqueza de elementos. Enquanto a obra conta com todas essas incríveis opções de embate e estratégia, seu enredo de campanha é fraco e nada empolgante. Uma senhora da guerra, chamada Apollyon, quer eternizar a era das guerras. Pena que o porque é irracional, ao ponto de nem sequer ter graça. Os personagens pouco diferem, mais lembrando modelos de outros adversários que enfrentei online e a batalha final chegou a ser mais simples que outras no desenrolar da história.

Miga, sua louca! #Apollyon

Até há momentos em que você tem interessantes interações com os belíssimos cenários, motivados pelos ainda mais belo trabalho de som – repleto de gritos e músicas – que empolga a cada luta, porém, em panos bem limpos: que bom que o singleplayer serve como tutorial, para facilitar sua rica vida online, uma vez que ele em si não empolga.

Com isso, chega a hora de escolher um dos modos online e conhecer a verdadeira guerra. Mesmo com a opção de enfrentar a IA (o que muito recomendo no início, até que você esteja familiarizado com os modos e guerreiros), nos modos para mais de dois jogadores, seu time será completado com outras pessoas online.

No modo Dominion, apesar do foco do jogo estar nos duelos, este 4×4 põe dois times pelo controle do campo de batalha, conferindo pontos para seu time ao dominar pontos estratégicos no mapa, ao derrubar adversário e soldados rasos (minions, que tentarão atrapalhar seu progresso). Já no Duel (do inglês, duelo), você enfrenta outro adversário, mano a mano, em uma melhor de cinco rounds, sem contagem de pontos, onde somente a morte do adversário interessa.

O Brawl coloca times em um 2×2, onde faz-se necessário matar os integrantes da equipe adversária. O mapa colocará você e seu aliado em pontos opostos do mapa já de cara com um inimigo. Cabe a você decidir entre arriscar a sorte logo de cara ou unir-se antes de atacar. Em Skirmish novamente temos dois times em uma 4×4, porém nada de pontos por área, apenas por mortes. Ao completar 1000, o time oposto começa a quebrar, ficando sem respawns.

Por último, e longe de ser o menos importante, temos o Elimination. Essa muito lembra uma combinação de modos: tem dois times, mas em um 4×4 que muito lembra o Brawl. Todos em lugares opostos do mapa, pareados com um inimigo. É aqui que você precisa decidir sua estratégia: unir para vencer, ou guerra insana? Para incentivar, há itens para turbinar seu guerreiro espalhados pelo mapa.

Os mapas são outro destaque em todos os modos, pois além dos elementos de combate, sofrem mudanças climáticas que afetam todo o cenário. Confira no vídeo abaixo:

Antes tinha dúvidas sobre a vida útil do título. Quanto tempo até os jogadores perderem o interesse? Contudo, é perceptível que este jogo foi pensado como um eSport medieval, algo que – se tratado da forma correta – poderá fazer a manutenção do interesse de todos por anos, pois é bastante divertido. O melhor é saber qual sua facção favorita, antes mesmo de jogar. E nada impede de experimentar machados rápidos dos Bárbaros ou o pesado mangual dos Conquistadores. A mudança pode vir para o bem (lê-se, vitórias).

For Honor motiva seus jogadores a buscar um combate com inteligência e adaptação. E sim, às vezes o movimento correto é partir para cima com toda a ferocidade. Cabe a você escolher a melhor opção para vencer a guerra, desde a escolha do seu personagem e como utilizar seus talentos, até mesmo em como lutar no mapa de cada diferente modo. Não há facções certas ou erradas, muitos menos estratégias incorretas, mas o caminho que te leva até a vitória.

Seja partir para cima, utilizar o ambiente para tostar o inimigo em chamas ou até mesmo derrubá-lo em um abismo, tudo resume-se ao seu plano de embate. E então, qual sua classe favorita pela busca da honra: cavaleiros, vikings ou samurais? Respondendo àqueles que possam ter ficado curiosos, venci todos os embates contra o Berserker do início do texto e empatei em 5 x 5 contra o temido Nobushi. E certamente vou continuar jogando. Quem sabe não nos vemos online, combatente.

For Honor está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC.

Plataforma de análise: Xbox One.

Games Editor, geek multi-classe e fã de esportes que acredita que bom mesmo é jogar games, pouco importa a plataforma.