A maternidade nos games

Quando falamos de mães presentes nos games, nos lembramos de vários títulos que trazem a figura materna, porém e se fizermos uma busca mais detalhada? Quantas dessas mães que nos lembramos, possuem um papel significativo na narrativa do jogo? E esse papel não sendo o de apoio ao herói da história, como morrer por ele, cuidar dele ou torcer pela sua vitória? Aposto que os número de mães que você imaginou diminuiu drasticamente.

Essa quantidade diminui ainda mais quando procuramos mães que não usam seus poderes para contrariar o filho, o protagonista da trama. Onde consequentemente esse filho acaba tendo de batalhar contra a própria mãe, em uma possível alusão a um encerramento de uma fase da vida e início de uma nova, quando depois de matar a progenitora o personagem se torne livre e pronto para viver sua vida ou continuar sua aventura.

Por que os jogos seguem esse padrão e estereotipam o papel materno? Essa pergunta pode ser respondida olhando para o papel das mães de onde os games são inspirados, ou seja, o papel que a nossa cultura impõe sobre as mães reais. Os jogos focam nesse quesito de cuidado e carinho quando temos a figura materna, porque é isso que se espera de uma mulher que deu á luz. É esperado que ela se torne mãe e deixe de ser mulher, que viva em favor da maternidade, mesmo que ela não queira.

Um grande exemplo disso é a franquia de jogos de Pokémon, onde a mãe do protagonista é em sua maioria somente isso, a mãe do protagonista. Como dito nesse artigo que fala da maternidade no game, elas não tem sequer um nome e seu único trabalho é ficar em casa esperando o retorno do filho. Muitas dessas mulheres inclusive já foram treinadoras, mas não sabemos detalhes sobre.

Por a figura da mãe trazer um sentimento de segurança, ela não tem papel em grande parte dos jogos, exceto como vilã. Proteção e cuidado não é algo que procuramos na trama de um jogo e como a maternidade está atrelada a essas características, a mãe fica em segundo plano. Diferentemente do pai ou uma versão paterna que é muito mais presente, como por exemplo, em The Last of Us e The Walking Dead.

Felizmente temos alguns bons exemplos, como Joyce Price, mãe da Chloe em Life is Strange. Apesar de suas aparições serem em função da filha, ela é muito real e podemos achar diversas mães como ela, que trabalham como garçonetes para sustentar a família, que casaram com um homem problemático e que não sabem muito bem como lidar com a adolescência da prole. Temos também Child of Light, que mesmo que a mãe de Aurora tenha morrido e, no princípio do jogo o nosso objetivo seja encontrar uma cura para o pai, é a mãe da protagonista demonstra grande poder e é por causa dela que Aurora consegue alcançar seu objetivo. Porém, a grande maioria dos exemplos são ruins e insatisfatórios.

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Os produtores precisam tirar as mães do pedestal e deixar de vê-las como deusas que vivem em função de seus filhos. Uma mãe nunca é somente uma mãe, assim como um pai não assume só esse papel. Construir personagens mães jogáveis e protagonistas de suas histórias ainda é uma coisa extremamente rara na indústria de jogos. E é completamente possível e plausível, se os esteriótipos forem abandonados.

Author: Priscilla Rubia

Amante de livros, séries, mangás e claro, amante de jogos, principalmente aqueles com uma ótima e profunda história. Estuda pedagogia porque precisa trabalhar para comprar os games no lançamento.

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