Feliz Natal e Leeroy Jenkins é uma farsa

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Há milhares de anos antes da internet como a conhecemos, havia a internet discada. Um lugar sombrio, inóspito e onde apenas os mais perseverantes conseguiam desbravá-la diariamente com pleno sucesso. Foi uma época de reinado do mIRC e Fotolog, bem antes do sucesso de WhatsApp, Instagram e Facebook. Nesse ambiente, nasceu o ícone Leeroy Jenkins.

Em meio ao descobrimento deste ambiente, vídeos dificilmente bombavam. Afinal, baixar um simples áudio em mp3 podia demorar horas. Imagina então falar em streaming na época! Mesmo assim, o meme Leeroy Jenkins viralizou absurdamente, em um tempo em que os termos “meme” e “viralizar” sequer existiam.

E, por muito tempo, ele representou muito para mim. Em Leeroy, incorporava-se a alegria de jogar por jogar, sem amarras e obrigações impostas por guildas que mais pareciam um trabalho extra, com estresse e sem salário. Para que duas horas de estudo e táticas quando poderia ter passado esse tempo me divertindo com coisas mais simples – profissões ou roleplay, talvez?

Hoje, no entanto, é um dia triste. É o dia que a criança finalmente percebe que Papai Noel não existe. Sabe quando todas as pistas indicam o contrário, mas você insistentemente prefere acreditar? Sim, senhores: por mais que a causa (neutralidade da rede) seja ótima, aquele senhor de barba branca e roupa característica foi desmascarado. Leeroy Jenkins é uma farsa.

Em uma matéria na página Kotaku, em pleno Natal,  Ben “Anfrony” Vinson (o “câmera” da brincadeira) declara que “nunca pensamos que alguém fosse acreditar que era real; pensamos que era um sátira óbvia, mas estávamos errados”. Sim, Anfrony, estavam.

O vídeo estava em uma qualidade tosca, obter informações na época era uma autêntica caça e – o mais importante – boa parte das guildas (em especial, as mais antigas) têm uma história parecida com a da “Pals For Life”. Víamos Leeroys no novato da raid, no mestre do grupo e até em nós mesmos. Conforme os anos passaram, ouvimos seu grito em quadrinhos, filmes, séries e programas de televisão. Até conquista em World of Warcraft e carta no Hearthstone ele recebeu.

Mais do que somente ver e sorrir, precisávamos de um Leeroy. Necessitávamos da valentia do desprendimento, da bravura pela libertação: daquele que já chamei de arauto da alforria. Alguém para nos lembrar de que, nas palavras de Satoru Iwata, “jogos devem ser apenas uma coisa. Diversão. Diversão para todos” e não um emprego fora do emprego.

Hoje, 25 de dezembro, tenho mais uma prova de que não podemos acreditar na internet. Embora tente com todas as forças prender-me a tudo que esse vídeo ensinou a mim e a tantos outros jogadores, a criança em mim decepcionou-se outra vez. Papai Noel está morto.

Feliz Natal.

P.S.: conheça mais sobre a neutralidade da rede e sua importância aqui.

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.