Análise | Beholder

Muitos games nos trazem um ambiente opressor onde o protagonista tem que lutar para se libertar e/ou fazer a mudança que libertará a todos. Porém, poucos nos colocam na pele do próprio opressor e Beholder pode te dar esse gostinho.

No game, você controla Carl, agente do governo incumbido de ser o síndico de um complexo de apartamentos. O seu trabalho é garantir que os moradores “andem na linha” e reportar qualquer faísca de revolução, crimes e materiais proibidos pelo governo. Já de início podemos perceber que a tarefa não será fácil, pois vemos o antigo síndico sendo escoltado para fora do prédio depois de ser torturado.

Para que você possa executar seu trabalho, entrar nos apartamentos, remexer gavetas, móveis e instalar câmeras é necessário. Ao encontrar algo de errado – o que não é muito difícil, já que o governo proíbe coisas absurdas a cada semana, como por exemplo, usar jeans -, você tem a opção de fazer um relatório e enviar para o gabinete que logo manda alguns policiais que, de forma nada gentil, retiram o infrator do complexo. Porém, você também pode ser bondoso e tentar ajudar o morador a fugir, por exemplo. Ou ainda, você pode exigir uma propina enviando a ele uma carta descrevendo os materiais proibidos que você encontrou na casa do mesmo.

Vendo as opções do que pode ser feito, não pense que você poderá ajudar a todos por baixo dos panos. Lembre-se de que vigiar os moradores é o seu trabalho, só assim você consegue pagamento e dinheiro é um fator muito importante em Beholder. Pois, além de cuidar da vida dos moradores, Carl precisa cuidar da própria família, mulher e dois filhos que têm suas necessidades. A mulher pede dinheiro para pagar as contas, a filha fica doente e precisa de um remédio proibido pelo governo, o filho precisa de livros caros para a escola. Tudo isso coloca o jogador em uma situação difícil e nos faz questionar cada escolha e o destino de cada morador.

Além das escolhas implicarem em um peso moral, elas trazem uma dificuldade para o game, já que se você for pego ajudando um morador, você é preso e o jogo se encerra. Se você irritar um morador, você pode ser assassinado e game over. Beholder traz várias possibilidades das coisas darem muito errado, fazendo com que cada escolha seja pensada com muito cuidado, mas com rapidez, já que cada missão tem um prazo para ser completada.

A complexidade da história e ambiente de Beholder me surpreendeu. A possibilidade de replay também é muito abrangente, podendo variar suas escolhas facilmente. A dificuldade pode nos dar uma sensação de ingratidão, mas combina perfeitamente com o ambiente opressor e sombrio presente no game.

Author: Priscilla Rubia

Amante de livros, séries, mangás e claro, amante de jogos, principalmente aqueles com uma ótima e profunda história. Estuda pedagogia porque precisa trabalhar para comprar os games no lançamento.

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