Análise | Battlefield Hardline – Chega de soldadinhos e sua disciplina

Em um clima bem diferente de seus antecessores, Battlefield Hardline abre mão do clima militar cheio de atos de coragem e honra para abraçar a nova abordagem em sua franquia: a guerra urbana. O caos da cidade se torna um campo de batalha em Hardline, onde policiais, criminosos e representantes corruptos de ambas as partes se enfrentam para ver quem consegue dominar o território. E para contextualizar esse novo cenário, nada melhor do que um modo história com cara de série policial para TV, com direito até a abertura e música tema ao estilo Hawaii Five-0. O trabalho de arte do game é bem polido e mostra um ambiente urbano com bastante detalhes, e sua trilha sonora traz um clima que lembra GTA V, só que em uma escala bem menor.

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O protagonista dessa trama é o ex-policial de origem cubana, Nick Mendoza, que acabou de iniciar sua carreira como detetive juntamente com sua parceira veterana, Khai. Durante suas missões, a dupla se envolve em confrontos armados com o crime organizado a fim de desarticular suas operações ilícitas e, em meio a suas investigações, Nick acaba percebendo que está em uma disputa de poderes muito mais complexa que imaginava, e que envolve agentes de ambos os lados. O desenrolar dessa conspiração é interessante, pois prende o jogador em uma história que, apesar de ser bem curta, acaba servindo como um tutorial para o verdadeiro desafio de games do tipo tiro em primeira pessoa: o modo multijogador online.

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Diferentemente do modo história, neste campo de batalha você não escolhe o nível de dificuldade e suas habilidades são colocadas à prova em disputas lado a lado com outros indivíduos mais experientes e desprovidos de misericórdia. Como o jogo mantém um gameplay impecável com anos de experiência na produção desse tipo de conteúdo, cada tiro seu que erra o alvo, pode significar sua morte, e em certos casos, o gatilho nem chega a ser acionado antes de seu avatar atingir o chão. Entretanto, as opções oferecidas pelo modo multiplayer deste novo título de Battlefield trouxeram condições de vitória diferentes para que você enfrente seus adversários online, o que acabou abrindo as portas da  franquia para jogadores menos experientes no bom e velho mano a mano.

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Essa adição é mais uma evidência que mostra o interesse dos criadores do jogo em trazer uma experiência diferenciada a este público. Nos modos tradicionais como “Cada Equipe Por Si” (mate o maior números de inimigos que puder) e “Conquista” (a conquista e o controle do maior números de áreas demarcadas no mapa), a vitória do jogador depende muito de suas habilidades de tiro,  e veteranos da franquia têm uma vantagem esmagadora nesse caso. Mas no caso dos novos modos como “Roubo”, “Resgate”, “Ligação Direta” (pegue um dos carros destacados no mapa e fuja com ele a maior distancia possível), “Mira”(mate ou salve o V.I.P.) e “Dinheiro Sujo”(proteja a evidência ou roube o dinheiro sujo), habilidades como agilidade, furtividade e trabalho em grupo podem ser utilizadas para subjugar seus oponentes sem mesmo usar uma bala. Essa é uma forma inteligente de trazer um novo desafio aos atiradores habilidosos e uma chance de sucesso para iniciantes na categoria.

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De forma geral, a proposta de Hardline é trazer inovação a uma categoria de jogadores que já estava começando a ficar entediada com a evolução do tipo de conteúdo oferecido por títulos de tiro em primeira pessoa. Há uma evidente carência de narrativa dentro desse título, mas não creio que esse seja um quesito de tanto peso para a categoria de tiro, e mesmo assim este Battlefield introduziu uma história envolvente, que embasa a nova ambientação adotada com uma duração adequada. A manutenção de controles básicos de movimentação, seleção de armas e uso de dispositivos, somada à melhoria gráfica também deve manter seu público original satisfeito. Mas, apesar de todo o progresso verificado no título e seu esforço bem sucedido em trazer algo mais além do velho feijão com arroz, é necessário destacar que houve um grande retrocesso em relação a um item na versão brasileira, que foi a dublagem. Por isso, devo concluir essa análise com uma citação de uma obra do responsável pela voz brasileira de Nick Mendoza, para expressar minha opinião sobre a necessidade da indústria de jogos em usar vozes de pessoas famosas sem experiência em dublagem em seus tútulos.

Eu não tenho nada pra dizer
Também não tenho mais o que fazer
Só pra garantir esse refrão
Eu vou enfiar um palavrão (Ah..Cu)

 

Author: Vinicius Kazuo

Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, este profissional do ramo bancário da seus pulos duplos no mundo dos games por ser fascinado pela forma como esta arte influencia os indivíduos.

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