Análise | Life is Strange: Chrysalis

Muitas pessoas costumam afirmar que, se pudessem, gostariam de mudar ou reviver momentos do passado. Mas se você realmente tivesse o poder de voltar no tempo, você o faria? Se soubesse que com isso poderia ter vantagens sobre os demais, você usaria este poder? Imagine se trouxesse consequências graves, você arriscaria? Difícil responder? E se isso, na verdade, pudesse salvar vidas? E então, o que faria?

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Life is Strange apresenta todas estas perguntas complicadas ao jogador que veste a pele da personagem Maxine (Max) Caulfield, uma jovem de 18 anos, estudante de fotografia em uma escola no Oregon, Estados Unidos.

Com todos os clichês permitidos na cartilha, neste cenário temos o ídolo jogador de futebol que namora a garota popular, a menina rica e má que maltrata a protagonista, a alternativa amante do Rock ignorada pela maioria, o introspectivo rapaz que gosta de desenhar e sofre toda a sorte de bullying, e por aí vai.

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Após ter um estranho pesadelo durante a aula de fotografia, Max percebe que pode “rebobinar” o tempo. Assim como nos jogos da TellTale Games e BioWare, Life is Strange da Square Enix é um jogo de escolha e consequência, portanto suas decisões interferem no desenrolar da história. A grande diferença é que aqui, ao voltar no tempo, você poderá alterar as decisões tomadas. Se, por acaso, você não achou interessante a sequência de uma decisão, como por exemplo, mentir sobre determinado assunto, poderá retroceder até o início da conversa e mudar sua versão, alterando assim o rumo da história. Algumas decisões terão reflexo imediato, mas a maioria só apresentará seu resultado nos próximos episódios.

Voltar no tempo não só permite mudar suas decisões, como também é uma ferramenta crucial de investigação. Por vezes você não terá importantes informações até que as vivencie – em uma conversa ou busca por objetos, por exemplo – pelo menos uma vez. Só assim poderá voltar no tempo para utilizar tal informação a seu favor e prosseguir com a história.

Max ainda interage com alguns amigos e parentes através de mensagens de texto via celular, ou encontros ocasionais. Seu diário, além de conter interessantes informações sobre a personagem e fornecer dicas de cenas futuras, apresenta também, entre outras coisas, uma aba chamada “SMS” para acessar as tais mensagens de texto.

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Warren

Warren

Um destes amigos próximos a Max é Warren que, pelo que pude perceber, é bem apaixonado por ela, ou no caso, por você. Isso foi muito interessante, pois normalmente jogo com personagens masculinos. As poucas ocasiões em que joguei com personagens femininos não me recordo de ter passado por interações românticas – exceto em Mass Effect, mas a interação também foi com outro personagem feminino, então não conta. Lidar com a paquera de um rapaz foi algo diferente, e apesar de ter sido um pouco desconfortável a princípio (por ser algo novo), me permitiu ver as coisas de uma perspectiva diferente. Max é uma menina de corpo frágil, mas personalidade sólida, inteligente e doce, diferente dos personagens casca grossa e matadores com os quais normalmente estamos habituados. Assumir o papel da personagem a fim de solucionar as situações apresentadas a partir de sua personalidade é uma experiência que eu realmente recomendo. Sair um pouco da zona de conforto faz bem, até mesmo nos games.

A trilha sonora foi bem selecionada, com músicas de Syd Matters, Local Natives e um dos meus prediletos, José Gonzales, entre outros. As músicas foram aplicadas com muito tato, em momentos chave, apoiando harmoniosamente a bela edição e fotografia presentes em Life is Strange.

Os controles são simples, como esperado em um point-and-click e os marcadores não são visualmente agressivos. A apresentação dos objetos e pessoas com quem você pode interagir foram, de fato, bastante agradáveis. Também não presenciei nenhum problema técnico durante minha jogatina, realizada em um PC. A experiência foi muito suave do início ao fim.

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Life is Strange é um jogo que trata de dramas profundos da juventude mesclados a estranhos eventos sobrenaturais que sobrecarregam a jovem Max. Mesmo não sabendo ao certo como lidar com os seus problemas existenciais mais básicos, dentro de uma das fases mais turbulentas e decisivas de sua vida, ela é forçada a fazer mais escolhas difíceis. O primeiro episódio (Chrysalis) terminou bem e garantiu o meu interesse pelo segundo capítulo que será lançado até o final do mês de março. Falar mais seria tirar a graça de quem ainda vai jogar e Chrysalis também deixou muitas perguntas sem resposta no ar. Estamos apenas no primeiro de cinco capítulos.

Mas se fosse você? Mudaria seu passado mesmo que isso pudesse trazer consequências indesejadas no futuro?

É possível que ao jogar você se surpreenda pensando em momentos críticos de sua vida, imaginando se decisões diferentes teriam culminado em futuros diferentes. O que nem sempre significa um futuro melhor, como o jogo certamente vai nos mostrar.

Bom, ruim, quem sabe? Afinal, a vida é estranha.

Author: VelhoTulkas

Marketing na cabeça, game no coração. Não importa o dia, a hora e muito menos a plataforma, o que importa é o prazer de jogar.

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