Os dez anos de The Witcher correram como vinho na garganta

Ah, o tempo… Como ele anda depressa, não? Parece que foi ontem que eu quase ignorei o primeiro The Witcher e fui jogar outras coisas. Que sorte a minha de voltar e resolver testar.

Pouco tempo depois, eu fui sugado pelo jogo. Joguei freneticamente por uma semana inteira, prestando atenção em detalhes que, mais tarde, descobri serem pistas para o futuro da série. Após finalizá-lo – e um tempinho tirado para jogar Call of Duty: Modern Warfare e Mass Effect (final de 2007 foi bom) -, fui compelido a voltar à saga de Geralt e vê-lo rodopiar feito um louco com espada nas mãos. Nunca gostei muito de jogar o mesmo título por mais de uma vez, mas The Witcher mexeu com isso.

Finalizei-o mais uma vez antes da chegada do The Witcher II: Assassin of Kings, em 2011. Lembro de ter ficado uns meses angustiado pois minha placa de vídeo na época não era boa o suficiente e, por isso, não pude usufruir muito do jogo. Quando arrumei o PC, fiquei maravilhado com os gráficos, especialmente por ter sido uma obra cuja instalação não ocupava tanto espaço quanto outros jogos da época.

Geralt e Shani

A grama alta balançava pelo vento assim como meus olhos batiam pra lá e pra cá na tela. Absorvia cada detalhe como uma criança com brinquedo novo. The Witcher II, porém, não me cativara como seu antecessor. Os avanços técnicos foram bons, mas tiraram muito da jogabilidade que tanto gostei da obra original. A história também não me atraiu muito, especialmente por um uso exacerbado do flashback que, por vezes, me confundia. Os personagens, por outro lado, continuavam especiais.

Eis que, quatro anos mais tarde, a CD Projekt Red lança sua proposta mais ousada. The Witcher III foi um mundo aberto maravilhoso, com missões interessantes e divertidas (tornando-se, inclusive, influência para jogos como Horizon Zero Dawn), personagens incríveis e, como dito na análise aqui do site, a “emoção de sempre encontrar novas histórias”. Aliás, não somente encontrar: contar nossas próprias. The Witcher III me deixou ansioso, nervoso e com raiva. Tirou de mim risadas empolgadas e lágrimas soluçantes. Fui guerreiro, caçador, investigador, namorador e tantas outras coisas que apenas um game pode fazer por seu jogador.

E agora, depois de tantas conversas e viagens, vejo que a franquia completa dez anos e, como tantas outras coisas, percebo como o tempo corre. Como eu estou velho. Como um simples vídeo de 10 anos (na verdade, 9 anos e 11 meses, né?) de uma obra me mantém jovem. As lembranças voltam a “pipocar” na cabeça, mesmo após um ano sem revisitar Velen ou Novigrad. O tempo voa quando estamos em boa companhia.

Como eu estou, lobo branco? Velho, nostálgico e com saudades. Aguardo agora o Cyberpunk 2077 na esperança de contar tantas histórias quanto tive com você. Não me leve a mal; nossas andanças nunca serão esquecidas. Mas é justo te ver aproveitar essa tão merecida aposentadoria, mesmo que tenha “dificuldades em ficar parado”. Obrigado por tudo e, mais uma vez, va fail.

Author: Marco King

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.

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