Análise | The Witcher III: Wild Hunt – Hearts of Stone DLC

Após receber 16 DLCs gratuitas, The Witcher III: Wild Hunt ganhou no dia 13 deste mês sua primeira expansão paga: Hearts of Stone. O novo conteúdo estende o game original em mais 10 a 12 horas, com mais missões principais e secundárias, alguns poucos cenários e personagens memoráveis. Com um foco maior na história, você não terá dificuldades em reingressar aos combates pela região de Velen – mas, se esperava por novidades nesse quesito, poderá ficar decepcionado – e, mais ainda, a envolver-se com uma trama digna de grandes jogos.

Hearts of Stone

O enredo começa trivial, mas bem ao estilo The Witcher: Geralt pega um contrato. É simples, mas simboliza o cotidiano de um bruxo, então nada mais justo retornar ao jogo assim. Além disso, conforme os acontecimentos se desenrolam, você simplesmente esquece de como tudo iniciou. O Lobo Branco pega seu contrato de Olgierd von Everec, um personagem caricato (ao melhor estilo piratão charmoso) para eliminar um sapo outrora príncipe (em uma clara referência à fábula do Príncipe Sapo). O anfíbio, claro, é morto e volta à sua forma humana, enquanto Geralt é preso pelos até então desconhecidos ofieri por matar o tal príncipe-sapo, mas acaba salvo por Gaunter O’Dimm – o Homem de Vidro, visto anteriormente no prólogo do game (é ele quem “ajuda” o fortão dos cabelos brancos a achar Yennefer).

Um problema, ao meu ver, é que, com exceção do artesão de runas, toda essa introdução foge rapidamente da mente, e seria interessante conhecer mais dos ofieri. A exploração de uma nova cultura, com costumes e arquitetura diferentes seria um adendo muito interessante à obra, mas apenas me deixou na vontade de conhecer mais.

Por falar no artesão, as runas ganham um maior destaque com esse conteúdo, embora não façam tanta diferença nas lutas. Como o DLC é direcionado a jogadores com nível 30+, o custo para começar a confeccionar as novidades é razoavelmente alto (5000 coroas apenas para fazer encantamentos básicos). É um investimento bastante caro para efeitos que não me chamaram tanto a atenção, mas conferi apenas o “pacote básico” por não contar com tantas moedas para melhorá-lo. De qualquer forma, junto com a alquimia e a confecção de armas e armaduras, é mais uma opção de crafting para quem gosta de construir coisas.

Gaunter O'Dimm

Após a libertação de Geralt, as atenções passam para o protagonista, Olgierd, O’Dimm e Shani – a mesma do primeiro The Witcher -, mas o trabalho feito com alguns personagens secundários chama a atenção. De fantasmas festeiros a ladrões organizadores de “roubos do século”, as caras novas têm suas frustrações, anseios e medos, e não é difícil entender (e compartilhar de) suas motivações. Ouso dizer que, se tais personagens não fossem tão bem construídos, boa parte das quests seriam tediosas. Um exemplo disso é a cena da festa de casamento, em que eu cheguei a “sentir ciúmes” de uma assombração.

Os protagonistas também não ficaram para trás, e proporcionaram sentimentos contrastantes em mim. Com Olgierd, eu sentia pena por seu passado e, ao mesmo tempo, raiva pelas coisas que ele fez. Já com o Homem de Vidro, ficava sempre com um pé atrás, mas sentia uma espécie de profissionalismo quando conversava com ele; achava que não iria ser passado a perna, por mais que todos ao redor dissessem o quão maligno O’Dimm era. E a médica ruiva é simplesmente a garota mais bem resolvida do jogo, com seus receios e tudo. Ela e Geralt podem reacender sua paixão de Vizima, mas Shani frequentemente dá a entender que sua profissão vem primeiro. Por isso mesmo, seu envolvimento com ela não interfere seu romance com Triss ou Yennefer: “o que acontece em Velen fica em Velen” ou algo assim.

Geralt e Shani

Geralt de sorrisão aberto é muito estranho

Embora toda essa trama seja realmente o foco da CD Projekt Red, a desenvolvedora poderia ter abusado um pouco menos no uso das cutscenes. A missão em que o Gwynbleidd participa de um grande furto, por exemplo, utilizou-se por demais do recurso, e não me deu a chance de realmente participar da ação. Ao mesmo tempo, a tarefa seguinte inseriu quebra-cabeças tão simples que me soavam inúteis, ao ponto de pensar que estavam ali apenas para não haver mais cutscenes (e há muitas nesta cena). Ainda assim, algumas batalhas foram bem interessantes, especialmente contra os chefões. Achei sensacional como algumas delas tiravam-me da zona de conforto que estava da versão original do game e eu precisava modificar minhas estratégias para vencer. Na casa mal assombrada, por sinal, foi onde encontrei os inimigos mais legais, inspirados em obras como Silent Hill e O Labirinto do Fauno.

Com um enredo tão envolvente e personagens cheios de personalidade, Hearts of Stone é sim uma adição excelente ao conteúdo original, especialmente para os fãs da saga do bruxo e de boas histórias. Pode não trazer grandes novidades nas batalhas nem cenas memoráveis como na Caçada Selvagem, mas foi interessante ver a CDPR arriscar e proporcionar sensações e ambientes tão incomuns, com fantasmas e sorrisos, animais e tristeza, roubos e ódio.

Author: Marco King

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.

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  • Iran Reis

    Que análise de merda.