Unity, glitches e embargos

Assassin’s Creed: Unity mal foi lançado e já rende uma boa dose de dor de cabeça e polêmica aos jogadores. Pessoas ao redor do globo relatam glitches e problemas gravíssimos com o game: rostos que somem, paredes invisíveis, física bizarra. A Ubisoft liberou um patch para correção de glitches e problemas de animação à data do lançamento, mas já vimos e ouvimos essa história de erros no jogo prematuros com outro título da gigante produtora:

O efeito das falhas em Unity é negativo para a empresa francesa visto que suas ações na bolsa de valores recuaram 12,8% desde o lançamento do game na terça-feira. Não é apenas a confiança dos investidores que está abalada: rumores de que o gigante estúdio saberia das instabilidades do jogo antes de seu lançamento se espalharam na internet graças ao embargo imposto pela Ubisoft à mídia especializada.

Funcionou da seguinte maneira: o jogo foi lançado à meia-noite de terça-feira via distribuição online – Steam, Amazon e outras plataformas. Antes disso, a Ubisoft concedeu algumas cópias pré-lançamento aos grandes veículos jornalísticos do meio – IGN, Gamespot, Polygon, enfim, nossos concorrentes – para que estes fizessem suas análises. Um acordo foi firmado entre estúdio e mídia para que os jornalistas não publicassem seus textos até o meio-dia da mesma terça. Se você ainda não ligou os pontos, perceba que isso garante 12 horas de isenção crítica ao título. Lembrem-se, estamos falando de Assassin’s Creed, uma das maiores franquias da atualidade. 12 horas é tempo mais que suficiente para que os fãs da série comprassem o game sem poder consultar qualquer opinião sobre o produto de seu interesse.

Em resposta à BBC sobre o assunto, uma representante da Ubisoft afirmou o seguinte:

“A natureza dos jogos e sua maneira de serem analisados está mudando, como é evidenciado por games como Assassin’s Creed Unity, Destiny The Crew – games que tem um número significativo de componentes online.

Tendo elementos online disponíveis e servidores online é essencial para criar uma experiência completa e representativa para críticos especializados.

Atingir isto antes do lançamento é incrivelmente complexo, o que é a causa de jogos serem criticados muito mais perto de sua data de lançamento – ou no caso de Destiny, até depois dela.

Estamos trabalhando para adaptar nossos serviços e comunicações com consumidores adequadamente ao mudar a maneira como trabalhamos com críticos especializados e também ao oferecer aos jogadores open betas, ou outras formas de acesso prematuro a alguns games, tudo para que eles consigam a informação que precisam e querem”.

A prática do embargo de análises por algumas horas é comum na indústria, mas nunca durou tanto tempo quanto o caso Unity. Em sua coluna opinativa, o redator do Polygon Ben Kuchera afirma que o último título de Assassin’s Creed municiou este tipo de ação. Embora Mr. Kuchera trabalhe com a concorrência, devemos nos unir nesta hora difícil para o jornalismo especializado e concordar com sua fala para, até mesmo, defender com um mínimo de dignidade nosso ganhapão. A resposta da Ubisoft simplesmente não convence, sua justificativa tem alicerces abalados e soa como um agregado de palavras vazias que tentam tapar o sol com peneira. Não falamos isto de forma leviana, mas levando em conta que a empresa lançou outros títulos de maneira semelhante e que lida com atrasos em seus lançamentos constantemente – The Crew já acumula nove meses de adiamento. Sinceramente, que vergonhaUbi.

Author: Luiz Roveran

Brasileiro de estatura mediana, gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer. Compositor, guitarrista e pesquisador de trilha musical de videogames, meti-me a falar de jogos e pretendo continuar nesta toada por um tempo.

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