Análise | Assassin’s Creed Valhalla – Digno de levantar o martelo de Thor

Análises PC PS4 Xbox One
9

Incrível

Como o mais novo representante de sua franquia, Assassin’s Creed Valhalla carrega um fardo tão pesado quanto os machados e martelos dos guerreiros nórdicos representados em seu conteúdo. Além de ser o sucessor de uma série com mais de 10 anos de idade, a nova experiência oferecida pela Ubisoft retrata a época das Invasões Vikings da Grã Bretanha, uma época conturbada e repleta de conflitos violentos no continente.

A história central de Assassin’s Creed Valhalla se inicia com a ambição de dois irmão, Eivor e Sigurd, que decidem sair da Noruega para buscar novas terras e glória em batalha na Inglaterra. Entretanto, acompanhados por misteriosos membros dos Ocultos, sua jornada se transforma em algo muito maior que seus objetivos originais.

Jogabilidade Viking

Uma grande expectativa foi gerada sobre o game quando o tema Viking foi inserido em seu contexto, e pode-se dizer que muitas dessas expectativas foram atendidas na experiência.

A forma como as respostas aos comandos foram desenvolvidos oferece uma experiência visceral. Cada golpe desferido em seus adversários no campo de batalha consegue simular a relação entre os pesos das armas empunhadas e a força da guerreira (ou do guerreiro). Um esforço é perceptível tanto no início do movimento quanto no retorno da arma, mas a sensação de impacto é incrivelmente satisfatória.

As Incursões Vikings lembram um pouco a mecânica de abordagem de navios utilizada em Assassin’s Creed Black Flag, mas aplicadas a terra firme. A corneta de Eivor anuncia o terror que está por vir e o local invadido entra em estado de alerta. Guerreiros inimigos se preparam para defender suas terras enquanto monges e aldeões correm amedrontados.

Talvez o único infortúnio nessa bela representação de uma incursão seja a dependência de NPC’s para abrir certas portas e saquear recursos. Certas vezes, alguns de meus companheiros se “esqueceram” de me ajudar e tive que reiniciar incursões para a mecânica funcionar.

Outras mudanças importantes foram aplicadas ao sistema de adrenalina e estamina. Diferente de Assassin’s Creed Odyssey, Eivor não consegue desferir uma sequência de golpes de forma indefinida, pois investidas erradas e esquivas baixam sua barra de estamina. Quando estamina chega a zero, é necessário esperar alguns segundos até que seja possível utilizar esses movimentos novamente.

Aptidões que consomem adrenalina também devem ser usadas com parcimônia, tendo em vista que existem poucos “gomos” consumíveis. Essas alterações adicionam maior dificuldade ao game e tornam a experiência um pouco mais real. Um avanço em relação ao gameplay super poderoso de Odyssey.

A árvore de habilidades traz uma constelação de melhorias para aumentar o poder de Eivor, transformando a evolução do personagem em pontos que podem ser aplicados conforme o desejo do jogador. Essas opções são representadas em regiões voltadas para furtividade, combate corpo a corpo, combate a distancia e habilidades de assassino.

Entretenimento para os guerreiros

Alguns mini-games foram incluídos no jogo e alguns deles servem até para auxiliar sua jornada nas missões principais. Pescar e caçar certos animais gera recursos que podem ser trocados por itens de grande valor para suas melhorias de equipamento. Flyting, a batalha de rimas Viking, pode melhorar seu desempenho em alguns diálogos.

O mini-game mais complexo disponível em Assassin’s Creed Valhalla é Orlog, um tipo de jogo com dados onde o jogador deve rodar dados de ataque, defesa e roubo de bênçãos para reduzir os pontos de vida de seu adversário a zero.

Entre todos os mini-games, o meu favorito é o jogo de bebida combinado ao arco e flecha que pode ser jogado em algumas oportunidades da história. Um brinde a essa mecânica incrível que deixa vestígios de embriagues depois de uma partida. Skal!

Um Viking furtivo?

Apesar da palavra Viking ter uma conotação bem distante do que conhecemos sobre o credo dos Assassinos (ou dos Ocultos), o sistema de furtividade funcionou muito bem com Eivor.

Muitos fãs que sentiam falta da Hidden Blade poderão se deleitar com a icônica arma, utilizando mecânicas de assassinato antigas e novas. Felizmente, graças a uma mecânica de assassinato avançado inserida na árvore de habilidades, é possível matar até o mais forte dos inimigos com um golpe.

Diplomacia e liderança

Conforme anunciado pela Ubisoft no primeiro trailer de Assassin’s Creed Valhalla, um outro lado dos Vikings seria revelado nessa nova aventura. As incursões e batalhas podem ser vencidas com machados e força, mas a guerra deve ser encerrada com diálogos e inteligência.

Esse foi o primeiro Assassin’s Creed que trouxe decisões realmente tensas para o jogador. Palavras mal escolhidas podem significar o fim de personagens importantes para Eivor, e isso assombra o jogador em muitas de suas interações futuras no jogo.

Certas decisões me trouxeram arrependimento, enquanto pude desfrutar de outras escolhas sensatas ao final do jogo. Isso demonstra uma das principais características em relação a liderança: a tomada de decisões sensatas e traçar um circulo maior ao seu redor.

O confronto milenar entre o Credo e a Ordem

Sem nenhum spoiler, o que é possível falar sobre o conflito central da franquia Assassin’s Creed nesse jogo é que as pontes entre os Ocultos e os Assassinos, bem como a Ordem dos Anciões e os Templários foram explicadas. Além disso, uma grande reviravolta, que nem Loki seria capaz de criar, ocorre no tempo presente.

Apesar dessas revelações, existem muitas oportunidades ainda para trazer conteúdos no tempo presente em aventuras futuras. Mesmo com as recompensas para fãs dos primeiros games, ainda existem muitas lacunas a serem preenchidas e personagens a serem utilizados no universo Assassin’s Creed presente.

Conclusão

Uma das características mais interessantes sobre os jogos dessa franquia é a habilidade de tecer sua narrativa entre a história real e o lore dos Assassinos e dos Templários. É possível afirmar que a forma como essas linhas foram cruzadas em Assassin’s Creed Valhalla revelou um belo bordado, que abre grandes possibilidades para os próximos jogos da franquia.

Podcast sobre Assassin's Creed é lançado pela Ubisoft!

Em um jogo dessa complexidade, certos bugs foram inevitáveis mas nenhum deles me impediu de concluir todas as missões principais. Entre inimigos que se debatiam eternamente no chão sem morrer e NPC’s que não queriam conversa, acredito que o único bug significativo para a experiência foi o das incursões sem ajuda.

Ao final dessa empreitada sinto que a experiência conseguiu entregar tudo o que prometeu e um pouco mais. O game consegue desafiar seus jogadores com batalhas brutais, uma história densa e reviravoltas surpreendentes. Tudo isso adornado por ambientações de tirar o fôlego, uma trilha sonora envolvente, um trabalho de pesquisa histórica exemplar e mistérios intrigantes por todo o mapa. É possível dedicar muitas horas em Assassin’s Creed Valhalla sem perder engajamento.

Positivo

  • Experiência Viking completa
  • Controles simulam peso e impacto do combate
  • Sistema de combate mais realista
  • Narrativa envolvente e complexa
  • Sistema de escolhas de diálogo envolvente
  • Reviravoltas surpreendentes na história
  • Mini-games divertidos
  • Atualização do tempo presente

Negativo

  • Dependencia de NPC's em Incursões

Resumo

Assassin's Creed Valhalla é um brinde a toda a cultura Viking, desde a brutalidade de seus combates até sua diplomacia fora do campo de batalha. Mesmo que NPC's, por vezes, me ignorem em incursões, seus sistemas de escolhas em diálogos, sua história e suas reviravoltas trazem o melhor que um título da franquia pode oferecer.
9

Incrível

Aparentemente fragmentado, geralmente atarefado mas certamente engajado, este profissional do ramo bancário da seus pulos duplos no mundo dos games por ser fascinado pela forma como esta "arte" influencia os indivíduos.