Análise | Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy

Análises PS4 Switch
8

Ótimo

Após tanto tempo (e de muito falarmos), Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy chegou. Com o sucesso do primeiro game, Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout, a Koei Tecmo não tardou em lançar a sequência direta da aventura da carismática alquimista.

Trailer de lançamento

Quem poderia imaginar que um game da série Atelier teria tanto sucesso quanto Ryza. Mesmo com vários problemas, o primeiro jogo trouxe uma aventura satisfatória com elementos clássicos da franquia. Exploração, farming, personalização de itens, criação de armas e armaduras… Tudo o que consagrava a série lançada em 1997 estava presente.

Porém, o título não agradou a todos. Com um combate complexo, missões repetitivas e inimigos pouco carismáticos, o game foi abandonado por muitos. Pelo menos, a Koei Tecmo e a desenvolvedora Gust ouviram as reclamações do público e da especializada e corrigiram parte dos problemas no segundo Atelier Ryza.

Atelier Ryza 2 possui uma história mais elaborada

No primeiro game, a história era lenta e repetitiva, com clichês de J-RPGs que presentes em vários outros games. Ryza descobria o mundo da alquimia e, ao lado dos seus amigos, explorava um mundo cheio de perigos enquanto aprimorava suas habilidades.

Em Atelier Ryza 2, temos uma protagonista mais decidida e com maior conhecimento das habilidades alquimistas. Assim, os roteiristas seguiram para uma descrição mais direta do novo cenário principal, a grande cidade de Ashra-am Baird. Mais de três anos após os acontecimentos do primeiro game, Ryza decide morar na nova região para investigar um misterioso ovo místico e sua ligação com as ruínas espalhadas pelo mundo.

Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy
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A exploração faz parte da história do RPG.

Partindo dessa premissa básica, Ryza reúne-se com vários dos seus colegas do primeiro jogo e algumas caras novas para explorar diversas ruínas cheias de elementos e inimigos. Inclusive, todos os novos mapas são bem elaborados e possuem elementos variados. Assim, podemos esquecer os diversos mapas do primeiro game que eram extremamente repetitivos e pouco inovadores.

A história da sequência é narrada durante as missões principais. Porém, são nas side-quests que parte do backgrounds dos aliados de Ryza é explorado. Logo, sabemos o que aconteceu nos três anos entre os títulos e as motivações dos novos e antigos personagens. Tudo muito bem elaborado e narrado em diálogos dublados em japonês.

Mas caso você não seja um jogador que goste de conversas ao estilo “Visual Novel”, talvez este jogo não seja para você.

Um estimulante combate em tempo real

Um dos grandes atrativos de Atelier Ryza 2 é o seu renovado sistema de combate. Ele ainda é em tempo real, com o jogador controlando um dos personagens enquanto os demais são controlados por uma IA que segue suas instruções básicas.

Mas, diferente do jogo anterior, seus companheiros realizam ações em conjunto que funcionam de forma coerente e te ajudam nos momentos de maior necessidade.

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O combate reformulado de Atelier Ryza 2 é rápido e divertido.

O sistema continua o mesmo. Ao utilizar ataque físicos e realizar defesas, são gerados pontos de AP (utilizados para skills e magias) e CC (usados para utilizar itens). Com o acumulo de pontos, é possível expandir as habilidades durante os combates e deixar seus golpes mais fortes.

A grande sacada de Atelier Ryza 2 é que pequenas mudanças do sistema do primeiro título geraram um combate mais dinâmico. Agora, podemos defender de maneira mais precisa e agir de forma mais rápida com o apoio dos companheiros em combate com habilidades como Skill Chain.

O novo sistema de Skill Chain permite combinar seus golpes para gerarem uma quantidade maior de pontos AP, evoluindo as habilidades do grupo durante o combate. E toda ação é em tempo real, mas com elementos visuais que permitem que você saiba o que está acontecendo no cenário de batalha de maneira muito mais precisa. Bem diferente do caos dos combates do primeiro jogo, onde ficávamos perdidos em meio a barras de ação, pontos e preocupação em defender na hora certa.

Já o uso dos itens é outro grande trunfo da sequência. Diferente dos outros J-RPG, Atelier Ryza concentra-se na qualidade dos itens ao invés da quantidade. Assim, o jogador preocupa-se apenas em ajudar Ryza a produzir itens com altas notas de qualidade, para que os personagens possam utiliza-los com os pontos de CC. Administrar de maneira eficiente as ações em combate é importante ao enfrentar inimigos poderosos.

E não existe desespero em buffar ou curar seus aliados. Em Atelier, os itens em combate funcionam quase como skills, o que deixa tudo muito mais dinâmico e rápido.

Equilibrar defesa, ataque e os gastos em pontos de AP e CC é fundamental para o sucesso nos combates.

O único grande defeito do jogo são os inimigos. Apesar de desafiadores, eles são bastante repetitivos. Praticamente são os mesmos montros em diversas cores diferentes. Não se espante de encontrar o mesmo dragão em todos os cenários, com sua dificuldade determinada pela cor dele. Algo comum em J-RPGs, mas na série Atelier deveria ter sido consertado faz tempo.

Alquimia: o carro-chefe da série Atelier

Apesar da evolução na grande maioria dos elementos do jogo anterior, a Alquimia perdeu um pouco da importância na sequência. Ela ainda está aqui, mas os desenvolvedores decidiram “suavizar” o processo.

Você ainda precisa coletar materiais para executar as receitas alquimistas da Ryza, mas agora você é limitado ao uso de pontos SP na produção de itens. Esses pontos são adquiridos em missões, batalhas e evoluindo. Com os ingredientes certos, é preciso gastar os pontos para produzir os itens específicos.

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Alquimia continua fundamental para o desenvolvimento da história.

Apesar de facilitar a produção de itens, acredito que as mudanças no sistema de alquimia foram um retrocesso. No primeiro título, produzíamos os itens com base na matéria-prima que conseguíamos. Não nos preocupávamos com pontos, apenas com os itens que coletávamos nas missões. Com exploração, intuição e sorte, podíamos produzir um item de valor muito mais alto em relação ao nosso nível.

Agora, Atelier Ryza 2 obriga o jogador a realizar missões para coletar pontos para produzir itens. Por muitas vezes, realizei missões repetidas vezes para coletar ponto SP de maneira mais rápida, o que tornava o gameplay repetitivo. Bola fora por parte dos desenvolvedores.

Atelier Ryza 2 é um dos melhores jogos da franquia

Apesar do mecanizado sistema de alquimia, Atelier Ryza 2 se destaca por cenários muito bem elaborados e mecânicas de combate intuitivas e divertidas. A história do game também melhorou bastante, com uma maior preocupação na apresentação dos personagens e elementos do cenário. As músicas e dublagem também são espetaculares, com novas faixas que trazem um ar de novidade em relação ao primeiro game.

Como a Koei Tecmo já prometeu mais um jogo da série, vamos torcer para que o próximo capítulo encerre com chave de ouro a trilogia Ryza.

*Análise realizada no PlayStation 4.
** Imagens e vídeos da Koei Tecmo e Gust.

Positivo

  • Mudanças nos sistemas de batalha e exploração
  • Ótima trilha sonora
  • História cativante e personagens interessantes

Negativo

  • O sistema de alquimia ficou simples demais
  • Inimigos repetitivos
  • Necessidade de realizar quests repetidas vezes para conseguir produzir itens

Resumo

Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy é a sequência direta do game lançado em 2019. Porém, o título traz diversas mudanças em relação ao seu antecessor, inovando com divertidas mecânicas de batalha e exploração.
8

Ótimo

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!