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Análise | Bloodstained: Curse of the Moon

Análises PC PS4 Xbox One
8

Ótimo

Em 2015, o produtor Koji Igarashi, conhecido pelo seu trabalho na Konami nos games da série Castlevania, iniciou uma campanha de financiamento coletivo para o jogo Bloodstained: Ritual of the Night. A campanha fez sucesso e foi ganhando novas metas conforme o dinheiro das doações ia chegando. Uma delas consistia em um jogo prelúdio com visual retrô. A meta foi atingida e Bloodstained: Curse of the Moon acabou sendo lançado.

Com direção do pouco conhecido Hiroki Miyazawa (Azure Strike Gunvolt), o novo título utiliza gráficos 8-bit para trazer de volta aquele sentimento de nostalgia gamer, mas vai além disso e mostra que mesmo com pouca ambição, ainda pode se tornar uma obra deliciosa de se experimentar.

Enquanto Ritual of the Night será um metroidvania, Curse of the Moon é um game de plataforma dividido em fases. Na obra, é possível controlar Zangetsu, um caçador de demônios amaldiçoado com a “Maldição da Lua” que busca acabar com o maior número de demônios possível. Quando fica sabendo da presença de uma poderosa entidade, Zangetsu viaja para o local onde a criatura se encontra na busca de matá-la para sempre.

Conforme o jogador completa os diferentes estágios do jogo, é possível recrutar alguns aliados para a causa de Zangetsu, sendo que todos eles (assim como o protagonista de Curse of the Moon) aparecerão de alguma forma em Ritual of the Night. Estes aliados são: a habilidosa Miriam (protagonista do vindouro game); o alquimista Alfred; e o misterioso Gebel.

Cada um possui habilidades e armamentos únicos que podem facilitar a vida do jogador na hora de enfrentar determinados inimigos ou chefes, mas também possuem fraquezas. Alfred, por exemplo, consegue conjurar poderosas magias, mas sua vida e sua capacidade de movimentação são menores que as dos outros personagens. Desse modo, o jogador precisa aprender a lidar com cada um dos aliados e ir alternando entre um e outro para conseguir superar os desafios.

Além disso, deve ficar de olho nos “Weapon Points”, mecânica que possibilita que se utilize as armas/habilidades especiais dos personagens gastando-se alguns pontos coletados durante os estágios. Se esses golpes especiais podem ajudar a enfrentar inimigos mais poderosos, é necessário ter em mente que não se pode ficar dependendo totalmente deles. Interessante também citar que os golpes especiais dos personagens podem ser “trocados” ao se coletar itens conforme se quebram lâmpadas espalhadas pelos cenários – algo muito similar ao que acontecia com as armas secundárias de Castlevania.

Como é de se esperar, determinadas seções de um estágio só podem ser alcançadas ao se utilizar de um determinado personagem. Por exemplo: Gebel pode se transformar em morcego, então, para alcançar plataformas mais altas, o jogador deve ter o aliado em sua equipe (e sim, você pode perder a capacidade de utilizar seu aliado momentaneamente caso o deixe morrer). Uma forma simples (e bastante usada, é verdade) de mostrar as habilidades de cada personagem fora do ambiente das batalhas.

Cada nível guarda consigo algum item que pode melhorar alguma característica do jogador, como a vida dos personagens, o poder dos ataques ou sua resistência. Desse modo, é compreensível que os jogadores busquem coletar todos esses itens e, caso acabe concluindo um nível sem o item especial, é possível utilizar da mecânica “Curse of the Moon” para “retornar no tempo” e concluir o mesmo nível mais uma vez. O único problema é que aliados e qualquer progresso feito em níveis seguintes serão perdido (lembre-se, você voltou no tempo), então é bom pensar duas vezes antes de fazer isso.

As músicas do game são um charme à parte, pois são sintetizadas de forma a remeterem àquelas dos jogos dos anos 80 e, embora possuam progressões de acordes simples, são capazes de ficar presas em nossa cabeça e dar identidade à obra (talvez justamente pelo fato de serem um tanto repetitivas). Entretanto, os efeitos sonoros deixam um pouco a desejar, já que não oferecem identidade aos inimigos da obra e mesmo os chefes não apresentam alguma característica sonora que possa distingui-los (a exceção é o último chefe).

A obra pode ser desfrutada em dois estilos de jogo: o estilo veterano, em que há contagem de vidas e o sofrer golpes faz o personagem ser arremessado levemente para o lado; e o estilo casual, sem contagem de vidas e sem o efeito secundário dos golpes inimigos.

O estilo veterano provavelmente é aquele que mais vai chamar a atenção do público para o qual o game é destinado, pois oferece um gostinho de todos os elementos que os gamers antigos sentem falta em algumas obras atuais (e eu confesso que fazia tempo que eu não me sentia tão tenso ao pular uma plataforma com medo de cair e perder uma valiosa vida). Entretanto, é interessante notar que Miyazawa e sua equipe se mostram preocupados em atrair um público “mais jovem”, oferecendo um modo de jogar mais similar ao estilo das obras atuais.

O que prejudica a obra são seus inimigos que, em geral, se mostram pouco criativos, com alguns sendo basicamente cópias de adversários de Castlevania. Até mesmo os chefes apresentam esquemas de luta similares uns aos outros, de modo que a maioria exige apenas que os jogadores pulem de um lado ao outro no momento exato para desviar de um ataque e desferir um golpe. Felizmente, o jogo não se torna enfadonho, uma vez que os desenvolvedores sabem como encaixar esses adversários em ambientes que exigem novas formas de agir por parte dos jogadores.

A narrativa é simples (já que esse não é o foco principal do game), mas possibilita que se tenha um primeiro contato com os personagens do mundo sombrio idealizado por Igarashi e até consegue oferecer aos jogadores algumas surpresas. Uma delas, aliás, exige que se conclua o game mais de uma vez, de modo que a obra convida o jogador a retornar à aventura mais uma vez. Interessante notar também como uma mecânica (e agora aviso que estarei revelando um leve spoiler até o fim deste frase, então continue por sua conta em risco) permite Zangetsu sacrificar seus aliados para conseguir novas habilidades, de forma que não é de se espantar que os jogadores retornem ao jogo mais de uma vez só para saber qual o resultado do final cada vez que se toma uma determinada decisão em relação aos seus aliados.

Embora bastante curto (o que já era de se esperar, pois ele foi vendido como um mini-game) e bebendo da exata mesma fonte dos primeiros games da série Castlevania, Bloodstained: Curse of the Moon mostra que Igarashi e seu time de desenvolvedores estão levando a sério os anseios do seu fã e buscando trazer algo realmente divertido e empolgante para os jogadores. Agora só resta esperar para que Ritual of the Night seja uma obra ainda maior e bem acabada quanto seu prelúdio se mostrou ser.

Positivo

  • Jogo bastante curto
  • Inimigos pouco criativos
8

Ótimo

Nerd, gamer e cinéfilo. Apaixonado por Zelda, acredita ser a reencarnação do herói do tempo.