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Análise | Bloodstained: Ritual of the Night

Análises PC PS4 Switch Xbox One
7

Bom

Um castelo que veio direto do inferno, cheio de demônios, com um grande mapa e que deve ser desbravado por um herói gótico que vai ganhando habilidades novas durante sua jornada. Se essa pequena descrição de Bloodstained: Ritual of the Night lhe lembrou qualquer jogo da clássica série Castlevania, não é sem motivo: o produtor da obra é Koji Igarashi, um dos programadores por trás do famoso Symphony of the Night.

Bloodstained é o que muitos têm chamado de sucessor espiritual da série Castlevania, por seguir temática e mecânicas similares a esta série. A obra foi concebida através de crowdfunding, algo similar ao que aconteceu com Mighty No. 9 (considerado sucessor espiritual do Mega Man). Entretanto, se o game do robô azul teve um resultado decepcionante, a obra de Igarashi segue um caminho bem diferente.

É notável o cuidado da equipe da ArtPlay em manter vivo o espírito “Castlevania” dos anos 90, mesmo que para isso o jogo perca certa originalidade. É verdade que Miriam, a protagonista da obra, é versada em uma variedade muito maior de armas e possui habilidades mágicas que Alucard jamais sonhou em ter, mas ainda assim fica aquela sensação déjà vu em alguns aspectos do jogo, inclusive nos chefes e em um personagem vampiro que é quase idêntico ao protagonista de Symphony of the Night.

Na trama, a nossa heroína é uma fragmentária, uma humana que teve seu corpo unido ao cristal de um demônio. Graças a isso, ela é capaz de absorver os cristais dos monstros que derrota, permitindo que o jogador utilize habilidades variadas para enfrentar seus inimigos. 

Quase todo demônio possui um cristal que pode ser absorvido e, ao ser utilizado, consome um pouco da barra de magia da personagem. Dessa forma, as opções de técnicas mágicas são vastas de tal forma que seja quase impossível gravar na memória todas elas – e talvez o jogador nem ao menos queira testar todas. Basta apenas selecionar aquelas habilidades que melhor se encaixam no seu modo de jogar e sair por aí matando demônios.

O mesmo vale para as armas, que vão de espadas a armas de fogo, passando por sapatilhas assassinas e chicotes enfeitiçados. A maioria desses equipamentos pode ser conseguida matando inimigos ou abrindo baús, mas ainda é possível construir armamentos, alimentos e itens mágicos com a união de recursos através de uma mecânica de alquimia.

Os inimigos da obra possuem diferentes fraquezas a elementos e armas da protagonista, mas aqui o jogo dá uma ajudinha para o jogador não precisar ficar trocando de equipamento um a um toda hora: é possível criar conjuntos de armas e cristais para acessá-los rapidamente por um botão do controle.

O game é de fácil progressão, mas muitas vezes o jogador precisará pensar um pouco “fora da caixa” para prosseguir em seu caminho durante a obra. Há até mesmo momentos em que ele poderá se surpreender ao pegar uma rota que o levará a uma conclusão indesejada para sua aventura ou fazer escolhas que podem desbloquear chefes secretos muito poderosos – mas divertidos de enfrentar, como todo chefe deve ser.

O problema é como o jogo recompensa o jogador. Enquanto vencer um chefe principal do jogo lhe dará um cristal com habilidade essencial para prosseguir em sua jornada, os chefes menores e secretos costumam oferecer cristais com magias para a batalha que não são tão interessantes assim para se aplicar em uma luta difícil.

Outro detalhe está no dinheiro recebido: seja abrindo baús, matando inimigos ou quebrando lâmpadas no cenário, o dinheiro obtido é consideravelmente baixo e demora muito para se acumular uma boa quantia de moedas para usar na loja do game. O problema é que itens como poções de cura só podem ser comprados ou feitos com alquimia e vencer um chefe sem eles é quase impossível. Só que é mais fácil fazer Miriam subir de nível do que acumular as 10 mil moedas de ouro necessárias para comprar uma poção suprema e isso é frustrante (e utilizar alquimia aqui acaba saindo tão caro quanto, graças ao custo dos materiais utilizados).

Um fato interessante a destacar é a relação de Ritual of the Night com Bloodstained: Curse of the Moon, um prelúdio em 8-bits lançado quando a campanha de crowdfunding atingiu determinada meta. Ao contrário do que se poderia esperar, o jogo pode ser considerado um prelúdio pela sua forma e não sua história. Isso porque os acontecimentos de Curse of the Moon não parecem se encaixar na linha temporal de Ritual of the Night, ainda que se passe no mesmo universo e com os mesmos personagens. O fato é que ambos são obras que buscam manter viva a memória de uma época passada: enquanto Curse of the Moon é uma homenagem aos side scrollings do final da década de 80, Ritual of the Night é influenciado pelos games da década de 90 (principalmente Symphony of the Night).

Em relação ao detalhe da história, é bom dizer que ela não é incrivelmente elaborada e possuí algumas reviravoltas previsíveis. Talvez por isso as missões secundárias sejam tão simplórias e pouco atrativas, se resumindo a três tipos: matar um número X de inimigos, conseguir itens específicos e cozinhar alimentos. As recompensas são itens simples e nada que vá lhe levar a outras áreas a serem descobertas.

Ainda assim, é possível passar longas horas na jogatina, seja desbravando o castelo ou tentando vencer os desafios dos modos extras do game.

Muito pautado na nostalgia, Bloodstained: Ritual of the Night diverte e seu universo de demônios e fragmentários tem força para se colocar como algo independente à franquia que o originou sem necessariamente abandonar elementos clássicos já bem estabelecidos.

Positivo

  • Variedade de armas e magias
  • Grande mapa para explorar
  • Batalhas empolgantes
  • Mecânica de alquimia

Negativo

  • Recompensas frustrantes
  • Missões pouco variadas

Resumo

Bloodstained: Ritual of the Night leva os jogadores para um divertido universo de demônios e alquimistas que vai agradar os fãs de Castlevania.
7

Bom

Nerd, gamer e cinéfilo. Apaixonado por Zelda, acredita ser a reencarnação do herói do tempo.