Análise | Bravely Default II – O melhor dos JRPGs no Switch

Análises Switch
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Incrível

Bravely Default 2 é um verdadeiro tributo aos RPGs japoneses que tanto amamos no passado. Confira nossa análise do novo clássico do Switch.

É inegável que Bravely Default foi um sucesso no Nintendo 3D. Tanto o primeiro título quanto a continuação, Bravely Second, renderam enormes elogios por parte dos fãs e da mídia especializada. Tamanho foi o sucesso que espanta um novo título da série demorar tanto para chegar.. Mas ele está aqui, para a alegria dos donos de Switch fãs de RPGs japoneses.

Desde o anúncio em uma das transmissões do Nintendo Direct, Bravely Default II despertou o interesse dos “J-RPGeiros” de plantão. Seja por suas batalhas com elementos clássicos ou a promessa de um gameplay aos modes antigos, o jogo esteve no radar de muitos. Após alguns adiamentos, o game finalmente está entre nós.

E ele é um tributo ao que existe de melhor no J-RPG.

Quatro heróis contra um império maligno

No game, seguimos a história Seth, um náufrago desmemoriado que envolve-se com Gloria, a princesa de Musa, reino guardião dos cristais elementais. Após a destruição do reino por Holograd, país que busca a conquista mundial através do domínio dos quatro cristais elementais, a dupla encontra Elvis e Adelle. O primeiro é um mago que procura as pedras mágicas Asterisks. Já a Adele é uma mercenário com um passado misterioso que trabalha como guardiã de Elvis. Juntos, o quarteto precisa reunir pedras e cristais para salvar o mundo do maligno Império Holograd.

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Seth e seus companheiros partem em busca dos cristais elementais.

Pode soar um pouco clichê o enredo, mas algumas horas de jogo já apresentam uma ampla teia de acontecimentos e tramas. Temos vilões caricatos, inimigos psicopatas, romance, tristeza, drama e debates sobre ética e filosofia. Precisamos bater palmas para os envolvidos no roteiro e cenário, Yura Kubota (roteirista-chefe de Octopath Traveler) e Tomoyoshi Nagai (responsável pelo cenário de vários animes).

A condução da história em meio aos belos cenários que lembram pinturas dão um ar de seriedade e envolvimento. Vale destacar também que muitos dos diálogos funcionam com elementos de visual novel, que em Bravely Default II funcionam muito bem e permitem observar as expressões e sentimentos dos personagens.

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Os quatro carismáticos heróis possuem um rico background.

Outra bola dentro é a dublagem do game. Tanto na versão japonesa quanto americana, a atuação dos dubladores é excelente, transmitindo as emoções dos personagens, sejam principais ou coadjuvantes. E são várias horas de diálogos com dublagem, sem aquele excesso de vozes repetidas ou interpretações fracas.

O sistema Bravely & Default

Como dizem, é bom começar pelo começo. O nome do game vem da mecânica de batalha Brave & Default. O domínio dela é fundamental para o sucesso nas batalhas, que muitas vezes são incrivelmente difíceis. Com o comando Default, o personagem adquire uma posição defensiva e acumula “turnos extras”. Já o Brave permite ao jogador utilizar os turnos acumulados para realizar múltiplas ações, como quatro ataques seguidos, curar ou melhorar os atributos dos outros personagens através de magias e habilidades.

Após um extenso prólogo e tutorial, o jogador aprenderá quando é a hora certa para acumular turnos ou liberá-los. Por vezes, consegui salvar todo o time por deixar a curandeira com quatro turnos disponíveis, usados para ressuscitar os companheiros caídos e curá-los.

Dominar as classes do game é quase obrigatório para superar os chefes do game.

Aliado ao sistema de turnos clássico de J-RPG, o sistema traz um equilíbrio ao time e as estratégias necessárias para derrotar os adversários. Estratégias estas que são definidas pelas classes oferecidas pelas Asterisks, pedras mágicas obtidas ao longo do jogo. No total, são 24 classes, a grande maioria desbloqueáveis durante a história principal.

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Toda classe possui habilidades que podem migrar para outras, aumentando os poderes de ataque, defesa e suporte dos personagens.

Temos as clássicas classes Mage (em suas três cores), Monk, Thief e outras mais desenvolvidas como SpiritMaster ou Pictormancer. Para desenvolver cada profissão, o personagem precisa acumular Job Points. Enquanto evolui, habilidades são desbloqueadas. Divididas em active e passive, cada profissão oferece um poder específico ao personagem, seja um golpe ou magia.

Mas o sucesso no jogo não é definido pelo nível de cada classe (que chegam até o level 15), mas na customização dos personagens principais com as habilidades.

É preciso “grindar” (e muito)

De antemão, é preciso deixar claro uma coisa: Bravely Default II é um RPG desafiador, mas não impossível. O jogador precisa de estratégia e empenho nas batalhas contra a grande maioria dos chefes do jogo. Não é algo incomum encontrar um inimigo que precise de uma fórmula específica para derrotá-lo. Alguns possuem minions que recuperam 100% da vida, outros provocam diversos status negativos aos personagens ou até mesmo realizam ataques instant-kill.

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São muitas classes e todas possuem habilidades únicas.

Ao jogador cabe elaborar a melhor estratégia para derrotá-los. No meu caso, eu personalizei meus personagens com habilidades que recuperam pontos de MP quase que instantaneamente. No time, dois personagens realizavam ataques físicos, um atacava com magias e o último se preocupava em curar. Mas, por muitas vezes, a estratégia ia para o “brejo” quando um chefe utilizava ataques que retiravam MP ou matavam com um único golpe o curandeiro (mesmo defendendo com Default).

Como superar este e outros chefes? Reconfigurando todo o meu grupo. Mudando classes, colocando dois curandeiros, utilizando itens ou fazendo um novo conjunto de habilidades com outras profissões que aumentassem o HP ou MP. Não será incomum o jogador revisar toda sua estratégia de combate para derrotar um chefe. É algo normal e que, ao conseguir, será uma experiência recompensadora soltar um grito de vitória. No meu caso, foram vários gritos de “MORRE, DESGRAÇA”.

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O bom uso dos ataques especiais e movimentos Brave e Default é essencial para o sucesso nas batalhas.

Bravely Default II é envolvente, mas a dificuldade nas batalhas e a necessidade de “grindar” (upar os personagens através de batalhas repetidas) pode espantar novatos ou aqueles não acostumados ao JRPG mais “raiz” das gerações passadas. Mas com esforço e estratégia, é possível superar todas as dificuldades.

Pequenos problemas no ótimo J-RPG.

Apesar de excelente, Bravely Default II possui alguns defeitos comuns em JRPGs. Começando pela falta de variedade com inimigos comuns. Você terá dezenas de variações de cores dos mesmos lobos, pássaros, plantas e tantos outros inimigos. O Minotauro virá Yeti ou Sasquasth simplesmente mudando as cores e fraquezas. É algo cansativo a falta de variedade em um RPG que obriga o jogador a “grindar” com várias batalhas.

Outro problema grave são as sidequests do game. Algumas poucas são interessantes, estendendo os acontecimentos do enredo principal. Mas a grande maioria envolve simplesmente levar um item de um lugar “A” para “B” ou conseguir um objeto específico derrotando inimigos. E como o jogador batalha várias vezes para evoluir os personagens, conseguindo muito dinheiro e itens, as recompensas ao realizar missões não são tão atrativas.

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Os cenários são belos, mas às vezes confundem um pouco durante a navegação.

Outro ponto que poderiam melhorar são as músicas do game. Elas não são ruins, muito pelo contrário. São excelentes. Mas falta uma variedade maior de faixas relacionadas a cenários ou batalhas.

Em questões de gráficos, o game não decepciona. Ele oferece um ótimo resultado no Nintendo Switch. Em alguns momentos, porém, a movimentação no cenário é confusa devido a vasta quantidade de elementos como árvores, arbustos ou pedras. E se jogado no modo portátil do console ou no Switch Lite, o problema fica pior. Porém, o problema é algo que não ocorre com frequência.

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Uma jornada inesquecível, tanto pela história quanto pelos desafios.

Bravely Default 2 é um tributo ao gênero

Um dos melhores JRPGs do Nintendo Switch. Acompanhamos uma jornada heróica com uma ótima história e gameplay prático, funcional e divertido. Os fãs de longa data do genêro com certeza adorarão. O jogo traz o amor da equipe de desenvolvimento em cada música, arte, diálogo e desafio elaborado. Existem elementos repetitivos aos montes, seguindo a fórmula dos RPGs do passado. Algo que seria evitável, mas nada que atrapalhe ou tire todo o brilho da obra.

Parabéns Square Enix, Nintendo e estúdio Claytechworks pela obra-prima dos JRPGs.

*Análise realizada no Nintendo Switch Lite.
** Imagens da Nintendo e Square Enix.

Positivo

  • Ótimo gameplay / Ótimo enredo / Sistema de combate e classes envolventes e funcionais

Negativo

  • Navegação confusa em alguns mapas / Inimigos repetitivos / Sidequests repetitivas

Resumo

Bravely Default 2 traz uma rica história para um jornada marcante recheada com o que existe de melhor nos RPGs japoneses. Um novo clássico do gênero para o Nintendo Switch.
9

Incrível

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!