Análise | Code Vein – Uma nova roupagem para um bom gênero

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8

Ótimo

Outubro foi marcado pelo início das minhas férias, e como eu sou uma pessoa “diferenciada” decidi pegar um jogo para fazer uma review. Pensei, vou pegar um jogo bem tranquilo? Não! Vou pegar logo um soulslike – jogos como Darksouls, Bloodborne, Sekiro, etc. -, pois gosto de sofrer. E assim começaram minhas férias.

Como já podem notar, o título foi Code Vein.

Code Vein é aquele jogo que veio cheio de promessas, tentando trazer toda a dificuldade do mundo souls e com a novidade de um visual mais voltado para o formato de anime. O game foi anunciado em abril de 2017 e deveria ter sido lançado em setembro de 2018, porém sofreu um “leve” atraso e foi lançado apenas agora em setembro de 2019.

Imagem: Bandai Namco

Toda a narrativa se passa em Vein, uma região desolada por uma calamidade e envolta por uma grande névoa vermelha. Nesse mundo, alguns seres humanos sofreram um experimento e foram ressuscitados com a ajuda de um parasita, que se aloja no coração e estimula todo o sistema nervoso, esses seres são chamados de “Aparições”. Esse mesmo parasita permite a dispersão das células do corpo, caso o hospedeiro sofra um dano que fatal, tendo como efeito colateral a perda permanente de alguma memória. Essa habilidade torna as aparições seres semi-imortais, tendo o único ponto fraco o coração. E caso sofra um dano diretamente nele, a aparição se transforma em cinzas e não pode mais sobreviver.

O custo desse poder não é barato, as aparições precisam se alimentar de sangue, e como seres humanos são escassos nesse mundo, eles se alimentam de cristais de sangue que brotam em umas arvores específicas em Vein. A privação de sangue faz com que o parasita entre em descontrole, fazendo seu hospedeiro perder toda sua consciência e transformando-se em um “Perdido”, um dos inimigos desse mundo.

Imagem: Bandai Namco

Nossa jornada começa com um personagem que sofre de uma amnésia profunda e não sabe muito bem quem é, nem para onde precisa ir. A partir desse momento, toda a história segue num fluxo quase linear, onde raramente você precisará voltar em outros lugares já visitados, para poder prosseguir na história.

Um ponto negativo, é que toda trajetória do personagem é guiada por terceiros, desde o início da narrativa até o final do jogo. O que é meio inconveniente, pois foge um pouco das escolhas morais que temos nos outros jogos desse estilo.

Sem muitas novidades, temos uma base de apoio onde podemos comprar armas, itens, explorar mapas secundários, conversar com os NPCs ou escolher seus parceiros de combate. Esse é um ponto positivo diferente aqui. Desde certa parte do jogo, você pode optar por jogar com um parceiro controlado via IA.

Imagem: Bandai Namco

Os parceiros conversam sobre o mundo, falam sobre o que aconteceu ou dão a opinião sobre o que estão vendo durante a exploração. O que torna o avanço no mapa menos tenso e muito mais agradável. Outro ponto positivo para o sistema de parcerias, é a qualidade do combate deles. Todos os combatentes são bem competentes e não morrem facilmente. Eles tem uma variedade boa de golpes, conseguem se curar com frequência e te ressuscitam caso você morra em combate, deixando um pouco mais fácil a progressão, especialmente nos inimigos principais.

O combate não foge muito do que se espera do gênero: ataques fortes, fracos, esquivas, itens, um item de regeneração que sempre recarrega em certos pontos do jogo, defesas e um contra-golpes ativado por botão. Para quem nunca teve contato com esse estilo de combate, somos introduzidos à um tutorial no início do jogo para auxiliar os novos jogadores.

Beleza, mas o que esse jogo traz de inovação? Classes.

Imagem: History Channel

Aqui as classes são representadas por Códigos de Sangue. Cada código determina suas habilidades ativas e passivas, bem como seus atributos base. Esses atributos determinarão se você pode ou não utilizar certas armas ou Véus de Sangue (que são suas “armaduras”). As habilidade são vinculadas à um Código de Sangue, mas algumas podem ser dominadas e utilizadas em outros Códigos de Sangue.

Essas combinações de habilidades, armas e véus tornam a customização do combate o maior ponto forte de Code Vein. Dificilmente você verá duas pessoas jogando com os mesmos conjuntos de habilidades, tornando a experiência diferente também. Alguns inimigos podem ser facilmente vencidos com a configuração correta e outros podem ser extremamente chatos de se vencer, caso você não tenha alguma habilidade específica, como debufs ou remoção de status.

Imagem: Bandai Namco

Indo um pouco para o viés técnico, todos os níveis tem um bom trabalho de level design, onde as interconexões e caminhos que temos que seguir, fluem de uma forma bem elaborada. O campo de visão (FOV) que temos é fenomenal. Alguns pontos você realmente consegue parar e ver inimigos em locais bem distantes no mapa. Além de poder ver rotas por onde passou ou deixou de passar.

Todo esse processamento tem alguns custos de desempenho. Certas batalhas, com vários inimigos ao mesmo tempo, causavam um pouco de quebra de framerate, o que tirou um pouco do brilho de alguns combates. Me forçando a sair do modo 4k e voltar ao 1080p.

Imagem: Bandai Namco

A direção do jogo foi bem executada. A história é bem contada, os personagens são bem carismáticos, os vestígios de memória que coletamos levam para um ponto onde você começa a se importar com eles, o que aproxima muito o título de um anime em si.

Infelizmente esse também é seu ponto fraco. Muitos diálogos são bem sexistas, algumas personagens tem um design bem atrasado e focado no público japonês: grandes seios, decotes, roupas rasgadas. Tirando um pouco do brilho da obra.

Code Vein, é um ótimo ponto de partida para quem nunca jogou um soulslike. Tem uma dificuldade moderada, uma ótima história com um bom desfecho. E acaba te prendendo de uma forma bem positiva. Muito provavelmente eu não teria coragem para um New Game+, mas tem-se a opção caso almeje mais desafios ou ver todos os finais possíveis.

Essa análise foi feita com uma cópia para XBox, cedida pela Bandai Namco Brasil.

Positivo

  • História envolvente
  • Personagens carismáticos
  • Sistema de classes
  • Direção de arte
  • Grande variedade de armas

Negativo

  • Alguns slowdowns
  • Câmera atrapalhava um pouco o combate
  • Sexismo herdado de Anime
  • Falta de escolhas morais

Resumo

Code Vein pode ser a nova porta de entrada para o estilo soulslike. Sua história envolve e compensa os pormenores que possam aparecer durante o jogo.
8

Ótimo

Programador, hater e as vezes gamer.