Análise | Cyberpunk 2077 – Welcome to Night City

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6.5

Justo

O jogo mais aguardado de todos os tempos chegou. Mesmo com falhas, Cyberpunk 2077 oferece uma boa aventura. Confira nossa análise.

Finalmente, após tantos atrasos por diversos motivos, Cyberpunk 2077 está entre nós. Se você não viveu em uma caverna nos últimos anos, com certeza teve contato com alguma coisa do game, seja pela forte publicidade ou por momentos como a memorável apresentação de Keanu Reeves na E3.

A aventura futurista da CD Projekt (The Witcher III) foi um dos jogos mais aguardados do século.

O hype com o lançamento foi enorme.

Eis que ele chegou… E veio cheio de problemas.

Confesso que demorei bastante para terminar o game. De início, joguei no Xbox One. A primeira dificuldade foi que a versão para os consoles da Microsoft chegou com um bug que deixava o título sem qualquer tipo de dublagem. Outros problemas durante os primeiros dias foram quedas frequentes de frames, texturas falhas, erros na física do jogo e colisão de objetos.

Com os patchs, a condição geral do game melhorou, mas não muito. Por conta disso, proponho começarmos esta análise apresentando os principais defeitos de Cyberpunk 2077. Após, trarei pontos positivos para, enfim, apresentar o nosso parecer final do aguardado jogo da CD Projekt.

Welcome to Bug City

Confesso que não teria a coragem de quem jogou Cyberpunk 2077 no PlayStation 4 e Xbox One. Aparentemente, os desenvolvedores não focaram no desenvolvimento das versões para consoles.

Como já mencionei antes, jogar no Xbox One foi uma experiência terrível. E estou falando da primeira versão do console, o queridinho “FAT” de 2013. Além da lentidão no carregamento e renderização de objetos e cenários, o jogo travava e fechava sozinho. Segundo relatos, o mesmo acontecia com o PlayStation 4. Por sorte, meu Xbox Series S chegou dois dias após receber a versão do game para testes. Migrei para a nova geração sem pensar duas vezes.

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Já no tutorial, vemos os primeiros problemas do jogo. Legendas com erros são rotineiras no game. (Imagem capturada do Xbox Series S)

Aparentemente, o Series S consertou alguns dos problemas. As quedas de frames foram menores, as questões gráficas melhoraram e o jogo fluiu normalmente. Em 30 horas de gameplay, o game só travou e fechou três vezes. Bem menos que as 18 vezes no Xbox One em menos de três horas.

Recomeçamos a aventura no novo console e observamos os problemas do game que não estão ligados as limitações da plataforma. O primeiro deles é a detecção de colisão de objetos dentro do jogo. Não era incomum ver inimigos mortos atravessando paredes, NPCs presos no meio de mesas ou com objetos como armas e mesas atravessando seus corpos.

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Uma cena comum em Cyberpunk 2077. (Imagem capturada do Xbox Series S)

Falando em NPCs, aqui está o segundo problema detectado. Temos uma cidade repleta de “clones”. Não é incomum ver o mesmo casal discutindo em todos os bares que você for ou a mesma senhora desfilando pelas calçadas com as mesmas falas e dublagem, mudando apenas as roupas e o estilo do cabelo.

Outro grande defeito são os “desafios” ocasionais gerados por sua interação com os NPCs, a exemplo da polícia. Se você for um péssimo motorista como eu e bater três vezes sem querer nos carros, pode ter certeza que a força policial de Night City vai te caçar como se fosse um criminoso “5 Estrelas” do GTA.

A implacável polícia de Night City é um dos maiores desafios do game. É bom se comportar! (Vídeo: CoCon)

Por fim, os bugs que prejudicam o gameplay surgiram. Não era algo incomum um aliado ficar preso em algum lugar, sendo que você precisa interagir com ele para concluir uma missão. A solução para este problema frequente era reiniciar a missão ou carregar um save para antes do “bug”. Houveram missões que precisei refazer seis vezes. O medo era tão grande que eu salvava o jogo manualmente a cada 10 minutos já para não correr o risco.

Os patchs disponibilizados após o lançamento amenizavam alguns defeitos, mas os problemas continuavam assombrando o gameplay.

Um rico background que não souberam apresentar

Relembrando, o jogo da CD Projekt foi criado tendo como base o RPG de mesa Cyberpunk 2020, lançado no início dos anos 90 (inclusive no Brasil). A trama girava em torno dos guerreiros urbanos que lutam de várias formas contra as mega corporações que controlam o planeta. Um plot comum, onde os jogadores faziam toda a diferença no cenário do game.

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Elementos como armas e atributos foram baseados no RPG de mesa Cyberpunk 2020. (Imagem capturada do Xbox Series S)

Em Cyberpunk 2077, personalizamos o protagonista de nome “V”. Após escolher seus atributos e características físicas (inclusive as mais íntimas), temos que escolher entre as seguintes narrativas : Corporativo, Nômade ou Garoto das Ruas. Pela descrição, cada uma deveria guiar o jogador por caminhos diferentes em sua vida no cenário do jogo, a cidade de Night City.

Infelizmente, não é isso que ocorre. Cada narrativa possui um começo de jogo diferente, mas após poucas horas, todas seguem por um mesmo caminho, sem grandes mudanças na história. No geral, a sua escolha inicial desbloqueia algumas opções de falas e itens.

Peguemos o caminho do “Corporativo” como exemplo. O jogador começa como um importante membro de segurança de uma grande corporação Arasaka, com status e prestígio na alta sociedade. Tudo isso é jogado no ralo nos primeiros 20 minutos de jogo, onde o antes renomado corporativo acaba voltando à vida de crimes como um garoto de rua. Uma verdadeira decepção.

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Independente da narrativa escolhida, a história central segue o mesmo caminho. (Imagem capturada do Xbox Series S)

Cyberpunk 2077 possui um mundo rico em detalhes, com personagens, empresas e marcas fictícias que são sátiras ao que encontramos no dia atuais. São membros biônicos sendo vendidos como tênis de marca ou a banalização da criminalidade com a criação de um “Plano de Saúde – Seguro – Segurança” contra o crime chamado de Trauma Center.

Você pode passar algumas horas tentando explorar tudo o que o rico universo tem a oferecer. Eu disse “tentando”, pois Cyberpunk 2077 não oferece muitas opções para a imersão. Temos um caminho simples até a conclusão da história básica.

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Conseguir créditos para pagar por aprimoramentos é um bom incentivo para realizar missões secundárias. (Imagem capturada do Xbox Series S)

Porém, diferente do que ocorre em outro sucesso da CD Projekt, The Witcher III, o jogo falhou em trazer side quests envolventes que aprofundem o background do cenário. Elas estão lá, mas pecam por uma falta de originalidade e uma sensação de “mesmice” em várias delas. Salvo algumas poucas exceções.

Caso você se interesse em conhecer mais sobre o cenário, os quadrinhos da Dark Horse e o livro “The World of Cyberpunk 2077são boas fontes de informação para complementar sua experiência com o cenário.

A luta para trazer uma aventura única em Cyberpunk 2077

Mesmo com tantos problemas, Cyberpunk 2077 é divertido. Seguir a jornada de V é envolvente e traz personagens marcantes como o seu parceiro Jackie ou o destrambelhado Johnny (com a excelente interpretação de Keanu Reeves).

As falhas técnicas e narrativas do título dificultam o jogador a se divertir no rico cenário de Night City. Dificultam, mas não impedem. A história é o principal motivo para continuar jogando. Presenciamos o crescimento de V e suas interações com o cenário, seus elementos e personagens marcantes.

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Johnny é uma presença marcante na trajetória de V. (Imagem capturada do Xbox Series S)

A campanha principal possui pouco mais de 20 horas. Mas as side quests, mesmo que não sejam bem elaboradas, trazem um conteúdo adicional ao game. Podemos interagir com personagens interessantes como Judy ou Panam, que oferecem uma boa variedade de diálogos e momentos que permitem um aprofundamento maior à história.

Apesar de tentar, o game falha em trazer a liberdade única que os jogos de mundo aberto tem a oferecer. Já mencionamos em outro artigo diversos exemplos de títulos que possuem mecânicas de Open World melhores Cyberpunk 2077. No game, falta uma liberdade ao jogador no controle das decisões e da vida de V. A exploração da cidade está “engessada”, fixa as rotas das estradas ou espaços para “trocarmos tapas” com a marginalidade e outros rivais.

O próprio livro “The World of Cyberpunk 2077” traz centenas de páginas com o desenvolvimento do cenário, histórias, elementos marcantes e muito mais. De que adianta um bar cheio de pessoas se não podemos interagir com elas? A promessa de uma experiência massiva de liberdade e riqueza de cenário é perdida em uma gameplay engessada e sem grandes inovações.

Um gigante que caiu nos primeiros passos

Apesar de todos os defeitos, Cyberpunk 2077 é um jogo divertido. Porém, não podemos esquecer das inúmeras promessas que geraram um gigantesco hype em seu lançamento, muitas delas não cumpridas. Mesmo que tenha chegado cheio de bugs que serão consertados no futuro, é impossível não imaginar que o game entregue ao público é algo “inacabado”.

Os jogadores queriam viver naquele mundo futurista. Alguns atraídos pela liberdade de mundo aberto. Outros por uma história cativante e interativa. Infelizmente, o produto final não é algo que agradará a maioria dos consumidores.

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O problema com as legendas continua mesmo com o recente patch 1.1. (Imagem capturada do Xbox Series S)

Independente dos motivos para as falhas, a CD Projekt perdeu a oportunidade de trazer um título que revolucionaria o gênero. Vamos torcer para que os chamados “patchs massivos” tragam melhorias significativas ao título.

Quem sabe daqui a alguns meses, Cyberpunk 2077 consiga renascer das cinzas e emergir triunfante como um dos melhores jogos de todos os tempos?

Não custa sonhar…


*Análise feita no Xbox Series S com cópia fornecida pela CD Projekt.

Positivo

  • História envolvente
  • Ótima trilha sonora
  • Universo rico em detalhes

Negativo

  • Bugs, muitos bugs
  • Escolha inicial do personagem não interfere no rumo da história
  • Falta de uma liberdade típica de jogos Open World

Resumo

A grande promessa da CD Projekt chegou com vários problemas que dificultam o gameplay. Porém, mesmo com defeitos, a saga de V em Night City diverte.
6.5

Justo

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!