Análise | Darksiders III

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6

Justo

Darksiders III traz inovações, não que isso seja uma coisa boa.

A série Darksiders está de volta e dessa vez traz Fury – que por algum motivo foi traduzida como Cólera – como a protagonista. Os acontecimentos do jogo se passam ao mesmo tempo que Darksiders II. Morte está desaparecido e Guerra está preso, condenado por apressar o Apocalipse. O conselho convoca Fury para combater os Sete Pecados Capitais, que se libertaram misteriosamente e vem afetando o tão prezado equilíbrio. A cavaleira então sai em busca de cada um deles no mundo dos humanos.

Darksiders III se parece mais com Darksiders, o primeiro jogo, do que com o anterior, que tinha uma pegada mais RPG. Mas ele não é hack and slash como o primogênito da série. Aliás, se você sair batendo nos inimigos loucamente, você provavelmente vai morrer. A semelhança acontece no cenário, que volta ao mundo dos humanos e com a questão das almas que são usadas para comprar itens e agora também servem para subir o level de Fury, sendo tudo feito pelo demônio Vulgrim. Mesmo trazendo essa semelhança com o primeiro jogo, para aí, pois o restante é bem diferente.

Darksiders III tem uma pegada mais metroidvania, mas não totalmente e já explico o motivo. O jogo tem diversas partes que, de princípio, são inacessíveis. Conforme você derrota os Pecados, você ganha certas habilidades que lhe permitem acessar essas áreas. Mas, o game não é um metroidvania em si, pois falta um dos aspectos mais importantes desse tipo de jogo: o mapa. E ele faz muita falta! Quando Fury recebe as habilidades, o jogador não se lembra mais onde deve ir para usá-las, tendo que explorar o mundo praticamente todo para encontrar os locais. A única ferramenta que temos para exploração é uma bússola, que mostra somente em que direção se encontra o próximo Pecado a ser enfrentado.

Talvez isso seja para incrementar a dificuldade do jogo. Podemos dizer que Darksiders III é o jogo mais difícil da franquia. Ele bebe muito da fonte de Darksouls e por isso você não pode sair atacando seus inimigos despretensiosamente, você deve esperar o momento certo de atacar e desviar. Além disso, ao morrer, você retorna ao último Vulgrim encontrado e todas as almas coletadas ficam onde você morreu. Mas ao morrer novamente a caminho delas, elas não somem, pelo menos. Os monstros causam dano massivo, fazendo com que você perca aquela noção de que Fury é um Cavaleiro do Apocalipse, que deveria ser extremamente poderoso. Ela é muito mais frágil do que Guerra ou Morte (talvez, por ser uma mulher?) fazendo com que o jogador morra muitas e muitas vezes.

O jogo em si contribui muito para essas mortes. A câmera atrapalha em diversas ocasiões (mais uma semelhança com Darksouls) e os controles não são muito práticos. Para travar em um inimigo, por exemplo, você deve segurar o L2, o que não ajuda muito. Como deu pra perceber, joguei no PlayStation 4, que teve dificuldades para rodar o jogo. Ele tinha que carregar em vários momentos onde eu simplesmente andava pelo mapa, além de dar umas travadas em alguns momentos. Se ele não foi muito bem otimizado pro PS4, eu nem quero pensar como Darksiders III roda no PC.

A dificuldade em si não é totalmente ruim. Enfrentar os Pecados é trabalhoso e é realmente uma conquista derrotá-los, o jogador se sente vitorioso ao fazê-lo. E falando em Pecados, eles são muito bem feitos graficamente, ou seja, são terrivelmente feios, fazendo com que o jogador se sinta muito bem em matá-los. Um dos pontos positivos do jogo é exatamente esse: o design dos personagens. Fury é bem feita, com sua armadura que funciona realmente como uma armadura, não aproveitando o fato de ser uma fêmea para ter uma roupa mais “aberta”. Ao sair derrotando os Pecados, como já disse, você ganha certas habilidades que mudam a cor de cabelo de Fury, fazendo com que seja mais fácil identificar qual poder está ativo no momento.

A Preguiça

Seguindo o modo de um jogo para cada cavaleiro, teremos mais um Darksiders, e o final desse deixa a entender qual será o papel de Strife (Conflito).

Darksiders III traz diversão, mas não como a dos jogos anteriores. Talvez por tentar ser algo completamente diferente e atrair outra parcela de público, ele falha com os fãs da série. Não que o jogo não deva ser jogado, mas pode e deveria, ser melhorado.

Positivo

  • Bonito, com design de personagens bem feitos
  • Fury não é explorada visualmente por ser uma fêmea
  • Derrotar os chefes é prazeroso e gratificante

Negativo

  • Tentou ser um Darksouls, algo que não deveria ser
  • Dificuldade deixou Fury como a mais frágil dos cavaleiros
  • Jogo mal otimizado, onde os controles não melhoram a jogabilidade
6

Justo

Amante de livros, séries, mangás e claro, amante de jogos, principalmente aqueles com uma ótima e profunda história. Estuda pedagogia porque precisa trabalhar para comprar os games no lançamento.