Análise | Death Stranding

Análises PS4
9

Incrível

Quando saíram os primeiros trailers e detalhes de Death Stranding eu não sabia muito bem o que esperar. Isso porque ninguém sabia o que esperar. Sobre o que era o jogo? Era uma aventura, ação, stealth? A cada trailer as coisas ficavam mais confusas e causava efeitos diversos nos jogadores: alguns se empolgavam, outros preferiam esperar pra ver mais.

A verdade é que quando Death Stranding foi lançado, ainda não se sabia exatamente do que o jogo se tratava. Não joguei logo nas primeiras semanas, então acompanhei a reação dos jogadores e era bem diversa. Uns amavam, considerando um dos melhores jogos do ano, e outros odiaram, abandonando o jogo sem nem mesmo chegar à metade.

Por que Death Stranding causava esse efeito? E do que se trata a mais nova obra do Kojima? Vou tentar responder essas perguntas nessa análise.

O Death Stranding

Death Stranding é um jogo sobre conexões. Sam Porter Bridges (Norman Reedus) é um entregador, uma das mais necessárias e arriscadas profissões no mundo pós-apocalíptico. O mundo se encontra destruído depois do evento chamado Death Stranding. Este aconteceu depois do surgimento das BTs, aquelas criaturas negras que vimos em diversos trailers, que vou explicar com mais detalhes em seguida.

A missão de Sam, dada pela presidente dos Estados Unidos, é unir o país novamente. Isso será feito através da rede quiral, uma rede de conexões que permite acessar as pesquisas e descobertas de todos os outros conectados a ela, além de outras vantagens. O objetivo de Sam é percorrer o país de ponta a ponta realizando a conexão em diversos pontos e cidades.

Depois de conectado, o local pode solicitar entregas ao Sam. Muitas vezes você tem de fazer entregas para convencer o responsável a adentrar na rede. Impressões de equipamentos e armas também se tornam possíveis depois de conectar o local.

As entregas

O principal objetivo do jogo é realizar entregas. O plot de Death Stranding na verdade é bem simples: realizar entregas para unir o país. O foco não é o combate, não é a ação, mas proteger sua carga a todo custo. Como o foco é esse, o sistema de equilíbrio é presente e muito importante.

Sam é uma máquina de carregar peso. De início você carrega uma centena de quilos, que pode ser aumentada com o passar do tempo. Porém, quanto mais quilos você carrega, mais difícil é manter o equilíbrio. Nunca pensei que me sentiria apreensiva em descer um barranco em um jogo, mas isso acontece com frequência em Death Stranding. Cair é muito danoso pra sua carga, então você deve evitar perder o equilíbrio a todo custo.

O peso não é a única dificuldade encontrada para realizar entregas. A chuva é um dos fatores mais irritantes. A chuva é ácida e corrói suas entregas, então você deve ficar longe dela e, se não puder evitá-la, o recomendado é passar o mais rápido possível. As chuvas também são sinônimos de BTs, que na verdade são pessoas que morreram e ficaram presas nesse mundo. Você deve evitá-los ao máximo de início e o BB é muito importante para isso.

Outro empecilho são as Mulas, humanos que roubam cargas, que vão se tornando mais perigosos e irritantes com o tempo.

As entregas também ficam mais difíceis e complexas. Algumas não podem sofrer mais de 50% de dano, por exemplo, outras não podem ser carregadas na vertical ou molhadas.

BB

Um dos personagens icônicos – e mais estranhos – é o BB, um bebê que vive dentro de uma cápsula. Ele é tratado no jogo como uma ferramenta, pois é capaz de detectar as BTs.

Porém o BB do Sam é um tanto especial e logo você começa a compartilhar das memórias do mesmo. Deadman (Guilherme del Toro), que realiza a pesquisa dos BBs, avisa a Sam para não se apegar, mas isso é praticamente impossível. Como não se apegar a um bebê em um pod?

O BB pode sofrer estresse ao ficar muito tempo nas áreas de BTs ou quando Sam sofre alguma queda. Você pode acalmá-lo no quarto ou ninando, processo feito balançando o controle Dualshock gentilmente (balançando muito rápido ele fica irritado e começa a chorar). Ele também se apega ao Sam e dá curtidas para algumas ações como sair de uma área de BTs ou fazer uma careta no espelho do quarto.

Conexão com outros jogadores

Outro ponto interessante em Death Stranding é a conexão com outros jogadores através do mundo. Se você coloca uma escada em um ponto, por exemplo, outros jogadores podem vê-la e usá-la e o inverso também acontece. Para demonstrar o seu apreço, você pode curtir essas construções.

Para ver construções de certos jogadores com mais frequência, você pode fazer um elo social, porém não significa que seus amigos, por exemplo, estarão disponíveis para fazer o elo. Seria interessante se o jogo desse preferência para os amigos e fazer elos com os mesmos fosse mais fácil.

Outros personagens

Grandes nomes fizeram parte do elenco de Death Stranding. Como já citei aqui, temos o ator Norman Reedus como Sam e o diretor Guilhermo del Toro como Deadman. Outros grandes nomes são: Madds Mikkelsen como Cliff, um ex-militar que persegue Sam clamando que o BB lhe pertence. Inclusive, Mikkelsen ganhou o merecido prêmio de atuação no último The Game Awards.

Tommie Earl Jenkins é Die-Hardman, um misterioso personagem que segue o legado da presidente. O famoso dublador, Troy Baker, é o vilão Higgs, poderoso e dedicado em fazer a vida de Sam mais difícil. Fragile, mas que não tem nada de frágil, também possui um papel marcante e muito importante na trama.

Há diversos outros que deram seus rostos e vozes para Death Stranding, personagens como a Mama e Heartman que apareceram nos trailers, aparecem somente depois de várias horas de jogo.

Mas, é divertido?

Uma das maiores reclamações de alguns jogadores foi o ponto da diversão em Death Stranding. É divertido realizar grandes caminhadas de um ponto a outro realizando as entregas?

O game realmente tem seus momentos calmos, com entregas tranquilas onde o Sam somente caminha de um ponto a outro. Nessas ocasiões a trilha sonora é um deleite. A banda Low Roar possui diversas músicas desses momentos e habita no Spotify da maioria dos fãs do game. Death Stranding tem músicas muito marcantes, que com certeza me lembrarei durante muito tempo.

Porém, mesmo com esses momentos, Death Stranding nunca se tornou monótono. Conforme você avança no jogo, a evolução de Sam e dos equipamentos é incrível. De início você só conta com suas costas para levar a carga e logo você tem motocicletas, carros, tratores flutuantes, estradas e tirolesas. Uma entrega que no início do jogo é trabalhosa e demorada, no final você a faz em poucos minutos.

Enquanto jogava, realizando as lives na página do Facebook do Pulo Duplo, muitos me perguntavam: é bom mesmo? E eu sempre respondia com outra pergunta: você gosta de jogos indies? Isso porque Death Stranding é praticamente um “indie AAA”. A indústria indie é conhecida por sua inovação, com ideias e plots arriscados, que normalmente chamam bastante a atenção. Death Stranding também traz essa inovação e se compara a um jogo indie nesse aspecto.

O game é divertido e pude gastar várias horas no mesmo sem muita dificuldade. Além das entregas que envolvem a missão principal, existem as entregas padrões que são como “sidequests”. Porém, é um jogo muito diferente do habitual dos games da grande indústria e por isso trouxe muita estranheza para algumas pessoas.

A história possui muitas camadas e, por mais que pareça confusa de início, no final o jogador já é próximo de termos como “praia”, “DOOMS” e “repatriado”. Poderia gastar alguns parágrafos explicando cada um deles, mas você irá entender melhor enquanto joga, garanto. Se tratando de um jogo do Kojima, Death Stranding possui algumas cenas que os fãs carinhosamente chamam de “kojimisses” e que são, bem, constrangedoras.

Vale a pena, mas…

Com certeza Death Stranding vale a pena e mereceu todas as indicações a diversas premiações, mas não é um jogo para todo tipo de jogador. Não é um padrão, nem tem uma denominação correta. É um jogo de entregas, mas ao mesmo tempo é mais do que isso. É o típico ame ou odeie.

Eu amei e recomendo. Não sou tão fã do Kojima como alguns jogadores, mas posso dizer que ele realmente conseguiu inovar e entregar uma experiência no mínimo agradável.

Positivo

  • Consegue inovar com um jogo sem foque no combate
  • Sistema de equilíbrio é uma boa maneira de substituir o combate
  • Atuações são muito boas
  • Trilha sonora excelente
  • Vínculo com o BB bem feito, você realmente se importa e sofre por ele
  • Ótimo sistema de progressão

Negativo

  • A história não é o ponto alto do game. Vou me lembrar de várias coisas, mas a história tende a ser esquecível.
  • Fazer o Elo Social com amigos poderia ser fácil e preferência.

Resumo

Death Stranding é um jogo "indie AAA". Com uma mecânica inovadora e um ótimo sistema de progressão das entregas, o game entrega uma história um tanto confusa, mas interessante o bastante, protagonizada por ótimos atores.
9

Incrível

Amante de livros, séries, mangás e claro, amante de jogos, principalmente aqueles com uma ótima e profunda história. Estuda pedagogia porque precisa trabalhar para comprar os games no lançamento.