Análise | Dragon Ball Z: Kakarot – Jogando o anime

Análises Xbox One
7

Bom

Dragon Ball Z é, de longe, a série em anime que mais recebeu adaptações para o mundo dos games. Pelo menos, todo ano sai um novo jogo dos guerreiros Z. Quando anunciado pela Bandai Namco, Dragon Ball Z: Kakarot trazia lindos gráficos e prometia revisitarmos as principais sagas da animação. Eis que, após um pequeno adiamento, o jogo finalmente foi lançado. E é muito daquilo que esperávamos, mas faltou aquele “tempero especial” na mistura do prato principal.

Abertura mais do que fiel ao clássico DBZ.

O game é desenvolvido pelo estúdio CyberConnect2, famoso pela série de jogos Naruto Ultimate Ninja Storm. Mas bem antes, lá na geração do PlayStation 2, a empresa foi responsável por uma das maiores franquias de J-RPG na época, que relacionava de forma trans-midiática um jogo e com um anime: .Hack. Mesmo com tanta experiência em produções de games “animescos”, Dragon Ball Z: Kakarot seguiu uma fórmula padrão digna do mangá que o originou.

Na verdade, é a história padrão de várias séries de batalhas da Shonen Jump. Temos um inimigo principal, que é mais forte que os protagonistas. É preciso treino e dedicação para ficar mais forte e derrotá-lo. E seguimos nesta ciranda por todos os capítulos do novo RPG da Bandai.

Jogue o anime

Uma coisa é inegável: Kakarot é um dos mais belo jogos da franquia. Chego a dizer que é até mais bonito que FighterZ. Os gráficos são excelentes, principalmente se comparados aos outros títulos baseados em animes da Bandai. Mas também não esperem algo digno de premiações. É bonito e impressiona, mas já era esperado pela desenvolvedora dos jogos da série Naruto Ultimate Ninja Storm.

Dragon Ball Z: kakarot
Raditz é o primeiro grande chefe do game

Quanto aos cenários, eles tentam reproduzir uma proposta de mundo aberto. Você pode ir para qualquer lugar que queria, seja voando, correndo ou nadando. Mas, ao explorar o gigantesco mapa, podemos ver falhas sofríveis, dignas dos piores jogos do PlayStation 2. Um bom exemplo são as diversas árvores do cenário. Algumas são tão mal desenvolvidas que se resumem a um tronco com “papéis de parede” no lugar das folhas, parecendo trabalho escolar de crianças da 4° série (não querendo menosprezar os pequeninos, claro). Tendo um vasto conhecimento em produções de cenários (basta olhar o belíssimo Asura’s Wrath), acredito que CyberConnect2 poderia ter feito um trabalho melhor.

Mas o que faltou em qualidade de cenários, sobra nas animações e gráficos dos personagens durante as lutas. Eles são lindos e dignos dos melhores momentos da saga Z. Com elementos de cellshading, as batalhas contra os inimigos comuns e chefes sem espetaculares. Nesse quesito, a fórmula de Ninja Storm se repete e temos um dos maiores trabalhos em jogos de anime da Bandai Namco em anos.

O mundo aberto prometia ser um dos maiores atrativos do game.

Apesar das batalhas contra os chefes serem incríveis e reproduzirem fielmente o anime, o mesmo não pode ser dito das lutas contra os inimigos comuns dos cenários. Seja na Terra ou em Namekusei, os inimigos se repetem várias e várias vezes, mudando apenas de cor e tamanho. O que deveria animar o jogador, com apenas três ou quatro horas, torna-se repetitivo e chato.

Grinding não é algo positivo

Apesar de ser um RPG, não tente subir demais os níveis dos seus guerreiros Z (o popular grinding dos jogos do gênero). Além de demorar e obrigar o jogador a passar pelas mesmas batalhas várias e várias vezes, diminuir a dificuldade do jogo ao evoluir demais pode torná-lo monótono em momentos importantes. Na batalha contra Freeza, por exemplo, Goku deve sofrer e passar por apertos. O jogador precisa ser desafiado a superar as dificuldades e prosseguir. Muito disso se perde ao “upar” demais.

Dragon Ball Z: Kakarot
Apesar de levar o nome de batismo de Goku, o game possui outros personagens jogáveis.

Falando em upar, temos várias missões secundárias no jogo. A promessa da Bandai nos trailers de divulgação era de que Kakarot mostraria situações nunca antes exploradas na franquia de animes. E isso acontece, mas de forma muito simples e até preguiçosa. Por exemplo, Android 8 (Oitavo) foi um dos primeiros androides da Red Ribbon, que serviu de modelo para as gerações que deram tanto trabalho na fase Z. Temos uma missão que busca explorar a história por trás da origem dos androides, mas ela se resume a pequenos diálogos e poucas batalhas contra inimigos comuns do cenário. Uma verdadeira decepção.

Todo jogo de anime deveria ter a jogabilidade de Dragon Ball Z Kakarot

Em muitas análises de jogos de anime, temos uma constante de que a jogabilidade é um dos pontos mais fracos deles. Não podemos dizer isso de Kakarot. Os golpes, habilidades e poderes funcionam perfeitamente, em especial durante as lutas. Existem pequenos problemas relacionados a câmera do jogo, mas eles acontecem em momentos muito pontuais.

Os diferentes personagens jogáveis de Dragon Ball fazem o jogo ser interessante em suas batalhas e explorações. Voar, saltar ou virar Super Saiyan, tudo é encaixado muito bem com os comandos do jogo. Com pouco tempo, o jogador dominará os principais movimentos sem grandes dificuldades.

Dragon Ball Z: Kakarot
Escorreu suor pelos olhos ao relembrar deste momento.

A evolução das habilidades e aprimoramentos dos guerreiros Z acontecem por meio de pontos de experiência ou através de missões diversas. Mas o grande destaque de Dragon Ball Z: Kakarot fica por conta do chamado “Fórum da Comunidade”. O jogador pode se relacionar com outros personagens do anime e aumentar sua amizade com eles, destravando e ganhando emblemas.

“Fórum da Comunidade oferece diversos benefícios para os personagens.

Através dos emblemas do Fórum, é possível configurar as relações entre personagens, sejam principais ou secundários, conectando-os em um mapa de relacionamentos.

De fato, caçar os emblemas e personagens para incorporá-los ao “Fórum da Comunidadeé o maior atrativo das entediantes missões secundárias de Kakarot. Liberar habilidades e benefícios por meio do mapa de relações e emblemas é uma grande sacada do game, que permite personalizar o jogo de uma forma pouco explorada em títulos baseados em animes.

CHA-LA HEAD-CHA-LA

Um ponto que vale destacar é a qualidade de som de Kakarot. A trilha sonora é a mesma do anime. Não aquelas mixagem de Dragon Ball Kai ou Super. Temos as mesmas músicas da clássica fase Z que encantou e emocionou tantas pessoas ao longo dos anos. E os sons de cada soco, chute, voo ou rajada de energia também são os mesmos presentes no anime. A experiência de revisitar o mundo criado por Akira Toriyama é elevada pela excelente qualidade sonora de Dragon Ball Z: Kakarot.

Dragon Ball Z: Kakarot
O mini game das rebatidas é um dos mais interessantes do jogo.

Agora vamos falar um pouco de algo que foi muito abordado nos diversos trailers e informações liberadas antes do lançamento oficial: os mini games. Mas que decepção. Seja voar por todos os lados e pegando bolas coloridas ao melhor estilo Superman 64 ou pescar de um jeito estranho, nenhum deles consegue segurar o jogador por muito tempo. O melhor é a “licença de motorista” de Picollo, mas a falta de recompensas significativas não empolga tanto.

É bom, mas poderia ser melhor…

Dragon Ball Z: Kakarot é um claro exemplo de oportunidade desperdiçada. É um bom jogo, mas está muito longe de divertir por horas e horas como um tradicional RPG. Pode ser bom para fãs e entusiastas, mas os veteranos terão uma experiência bem rasa e simplória se comparada a outros RPGs com elementos de mundo aberto.

O fator “replay” também não será um ponto forte, já que não existem muitas mudanças no enredo ou situações em jogo, sendo uma experiência engessada e fixa na história original. Diverte, mas não revoluciona em nada o mundo dos RPGs japoneses.

*Análise feita com a versão para Xbox One

Positivo

  • Fiel ao anime
  • Ótimos gráficos durante as lutas
  • Som e trilha sonora idênticos ao anime
  • Ótima jogabilidade (para um jogo de anime)

Negativo

  • Cenários simples e pobres
  • Missões secundárias rasas e sem sentido
  • Mini-games simplórios
  • Mundo aberto com poucos atrativos

Resumo

Apesar de belo, Dragon Ball Z: Kakarot falha em muitos aspectos. É uma linda homenagem ao clássico anime, mas é longe de ser perfeita.
7

Bom

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!