Análise | Fairy Tail RPG – anime recontado em turnos

Análises PS4
7.5

Bom

Após muita espera, finalmente conseguimos jogar Fairy Tail RPG. Mesmo com alguns tropeços, o game é um tributo aos fãs do anime e mangá.

Quando anunciaram Fairy Tail RPG, recebi a notícia com um misto de surpresa e animação. A surpresa foi ao saber quem desenvolveria o título, o estúdio Gust (famoso pela série Atelier). Já a animação foi saber que o game seguiria os moldes clássicos de RPG de turnos, fugindo do já batido estereótipo de jogos de ação e luta das adaptações em anime.

Fairy Tail RPG
Demorou, mas o game está entre nós!

Eis que finalmente temos o game em mãos. Apesar de sofrer três adiamentos, é possível atentar que a qualidade final melhorou bastante em relação às primeiras impressões. É a prova de que ao ouvir a comunidade e suas reclamações, o resultado final tende a melhorar. Mesmo assim, Fairy Tail possui algumas falhas sérias, mas que não prejudicam a diversão de quem joga.

Sobre o enredo, o RPG segue a história original do mangá e abrange três grandes arcos: Os Grandes Jogos Mágicos, O Projeto Eclipse e A Guerra contra Tártaros. Aqueles que acompanharam o anime ou mangá não terão dificuldades para entender a história, principalmente ao ler o glossário de termos e lembrar as principais aventuras dos magos. Porém, quem nunca acompanhou com afinco a obra de Hiro Mashima vai ficar perdido boa parte do tempo.

Um belo RPG

Graficamente, Fairy Tail não decepciona. Como foi desenvolvido pelos mesmos criadores da série Atelier, toda a experiência da Gust no desenvolvimento de RPGs foi aproveitada. Não chega a ser algo espetacular, mas é muito superior a maioria dos jogos baseados em anime. As animações em batalha são excelentes e não ocorrem queda de frames ou travamentos ao usar magias e golpes especiais.

Os efeitos sonoros e músicas do título são um show à parte. Com um estilo céltico, as melodias encaixam como uma luva no cenário, reproduzindo fielmente o que encontramos na obra original. Os sons de cada golpe são idênticos aos da animação, também não fazendo feito. Outro ponto interessante que pode passar despercebido é que a entonação dos golpes de cada personagem varia, o que não deixa tão maçante repetir as batalhas várias vezes.

Fairy Tail RPG
As batalhas contra dragões são as mais interessantes.

Com uma grande variedade de personagens (16 no total), a possibilidade de personalização de sua party é enorme. Existem personagens de diversos tipos como suporte, atacante ou especialista em velocidade. Cabe ao jogador montar o seu grupo de acordo com suas necessidades.

Como já mencionado, a Gust ouviu todas as reclamações apontadas e consertaram alguns problemas apontados durante seu desenvolvimento. O grande exemplo são os efeitos de luz e sombra. Não é algo tão espetacular que vale destaque, mas o que foi apresentado anteriormente (a exemplo de sombras serrilhadas e baixas texturas) era medonho. O trabalho final surpreendeu, chegando a níveis semelhantes ao que encontramos em Atelier Ryza.

Batalhe ao lado dos melhores da Fairy Tail

Aproveitando que mencionamos Ryza, é hora de agradecer a Koei Tecmo e a Gust por manterem um estilo clássico de batalhas. Uma das maiores reclamações de diversos jogos da série Atelier são as complexidades nas batalhas. Algo que foi simplificado no resultado final de Fairy Tail.

É algo simples! Ao encontrar um inimigo no cenário, somos transferidos para uma batalha em turnos. O cenário de batalha é dividido em grids, com uma única fileira para os personagens jogadores. Já as outras três fileiras correspondem ao espaço destinado aos inimigos, que podem se deslocar entre elas para causar mais dano ou aumentar as chances de acerto.

Fairy Tail RPG
Ao batalharem no mesmo grupo, a amizade entre os personagens aumenta.

Aos personagens, existem as opções clássicas de ataque, defesa, uso de item e magia. Como é um anime sobre magos, as magias nos combates do jogo são os tradicionais golpes especiais. Com divisões como elemento de magia,  tipo de ataque ou área de efeito, as batalhas de Fairy Tail RPG são desafiantes, mesmo que simples.

Aqui vale ressaltar um ponto: as batalhas são muito fáceis. Caso você seja um jogador veterano e gostaria de desafios reais, é melhor iniciar o jogo no modo Hard. É possível modificar a dificuldade do game. 

Mas nem tudo são flores nas batalhas. Não existe uma grande variedade de inimigos no jogo. Muitos deles, inclusive, são reciclados de tempos e tempos mudando apenas a cor. E a animação de alguns deles é quase idêntica ao que encontramos nos demais jogos da série Atelier. Algo muito repetitivo, principalmente para qualquer pessoa que tenha jogado outros RPGs da Gust.

Ajude no crescimento da guilda

Ao começar o game, somos apresentados a uma Fairy Tail fálida e destroçada. Ao longo dos capítulos, realizamos uma série de missões para elevar o status da guilda de magos. Algumas são obrigatórias, mas a grande maioria são secundárias, não interferindo em nada na história.

Entretanto, ao completar o máximo de missões, é possível desbloquear novos recursos na sede da guilda, dando upgrades nas lojas de itens, quadro de missões, áreas de lazer, entre outras. Mas a grande sacada do jogo é o laboratório de criação de Lacrimas, os cristais mágicos que funcionam como equipamentos.

Fairy Tail RPG
A piscina é um dos muitos espaços especiais da sede.

Pegando emprestada muitas das mecânicas de criação de itens por alquimia da série Atelier, o jogador precisa reunir matéria prima para a produção de diferentes lacrimas. Com funções que aumentam atributos diversos, quando mais poderosa a lacrima, mais raro e difícil é a matéria prima para produzi-la.

Assim, os principais motivos para concluir missões secundárias é evoluir a guilda e conseguir material para produzir lacrimas. Existe também a possibilidade de aumentar a amizade entre os personagens, liberando novos golpes e pequenas linhas de diálogo entre os personagens.

Pisaram no rabo da fada

Porém, nem tudo é mágico em Fairy Tail RPG. Apesar de gráficos bonitos, os desenvolvedores não se esforçaram muito na inovação. Diversos personagens e NPCs do jogo possuem movimentação quase que idênticas. Por exemplo, quase todos caem do mesmo jeito ou param após uma corrida na mesma posição. Até os personagens jogáveis sofrem com isso. Aqueles que estão na guilda principal, a Fairy Tail, possuem animações excelentes. Já aqueles que são convidados de outras guildas não receberam o mesmo capricho, recebendo golpes simplórios.

Koyka é uma das poucas chefes interessantes no jogo.

Apesar de agradar os fãs, a Gust não se esforçou para ambientar os jogadores que não conhecem o anime ou mangá. O título se limita a explicar os acontecimentos da história em pequenas falas ou parágrafos do glossário. Personagens importantes são apresentados via balões de fala, não recebendo nem uma imagem para apresentá-los. Por diversas vezes, tive que procurar no Google quem era o personagem mencionados durante os diversos diálogos do jogo. Mas é algo estranho, uma vez que o título usa diversas screenshots do anime durante o jogo. Não custava aumentar um pouco mais a quantidade e deixar a narrativa mais fluída e informativa.

Apesar do combate ser extremamente simples e divertido, ele é muito fácil. Recomendo aos jogadores veteranos de RPGs japoneses que joguem no modo Hard. Em breve, a Koei Tecmo irá liberar um novo modo de dificuldade via DLC.

Os inimigos do jogo também não ajudam a deixar o combate mais difícil. Como explicamos antes, a pouca variedade deles os tornam alvos fáceis. Sabemos exatamente quais golpes usar, independente dos personagens. Por exemplo, todos os inimigos possuem em torno de 6 variações de cores, com cada uma representando um elemento diferente. E os chefes do game são poucos, não recebendo nenhuma característica especial, salvo os vilões principais da série.

Indispensável para os fãs de Fairy Tail

O novo título da Gust e Koei Tecmo é indispensável para todos os fãs do mangá de Hiro Mashima. Fugindo da mesmice das maiorias dos jogos de anime, desenvolver um RPG com batalhas em turnos foi uma excelente decisão.

Apesar dos tropeços, o resultado final é bom e atinge as expectativas de quem esperou pelo game. Ao concluir Fairy Tail RPG com pouco mais de 40 anos, somos convidados a continuar realizando missões e continuar desbloqueando upgrades para a guilda. Entretanto, no epílogo do jogo, a Gust deixou claro que existe muita história para um possível continuação. Caso aconteça, ela será muito bem vinda.

*Análise realizada na versão de PlayStation 4 fornecida pela Koei Tecmo.

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Positivo

  • Boa adaptação dos personagens e cenário
  • Batalhas em turno rápidas e simples
  • Ótima trilha sonora

Negativo

  • Pouca variedade de inimigos e chefes
  • Narrativa voltada apenas para os fãs da obra original
  • Pouco desafio

Resumo

O RPG de Fairy Tail é uma ótima adaptação da obra original. Mesmo com problemas pontuais, o resultado final agradará que curte o anime.
7.5

Bom

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!