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Análise | Flat Heroes

Análises
9.5

Incrível

Flat Heroes é um jogo indie minimalista para aqueles que adoram desafio e é o título de estreia da Parallel Circles.

Depois de um longo período de early acces, esse jogo que se encaixa naquela categoria “fácil de aprender, difícil de dominar”, chegou às lojas virtuais para desafiar as habilidades motoras dos desavisados e dos experientes jogadores do sub gênero massocore.

Flat Heroes é um plataforma 2D com visuais minimalistas e ação frenética focado em partidas multi jogador local e que promete um gameplay fluido com controles extremamente polidos. O título é a primeira tentativa de dois ex funcionários da TTGames, mais conhecida pelos jogos LEGO, de oferecerem a qualidade dos jogos AAA com o refinamento dos estúdios independentes.

Embora o título seja focado em uma experiência multi jogador, existe a opção solo, a qual vou me focar por ter sido a que mais joguei.

Com poucos movimentos disponíveis ­— Corrida, Pulo, Dash e Ataque ­— o game consegue entregar o prometido e, assim como em Super Meat Boy, é tudo sobre controle e precisão. Deixando a dispor do jogador mecânicas extremamente polidas, cai sobre os ombros deste a tarefa de vencer cada desafio, sabendo que a eventual derrota é apenas sua culpa. Controlando um pequeno e simples quadrado, o qual a única personalização possível é sua cor, devemos vencer mais de 300 fases que apresentam diversos desafios, numa cuidadosa ascendente de dificuldade que permite ao jogador iniciante compreender os diferentes elementos de cada novo mundo e acumular conhecimento o suficiente para lutar contra os chefes.

Como mencionado, as fases são divididas em mundos, e cada mundo apresenta diferentes desafios, que vão de fugir de setas perseguidoras, desviar de bombas, atacar esferas, desviar de mais setas que refletem como lasers pela fase e, ao final, descobrir a fraqueza e padrões do chefe enquanto desvia de seus ataques e revida. Cada desafio é feito pensando nas diferentes formas de explorar os controles ­— obrigando o jogador a se grudar nas paredes, se manter no ar, usar o dash e o ataque ou apenas fugir das setas enquanto desvia de bombas ­— criando fases que por vezes perdem uma aleatoriedade comum, para exigir o aprendizado de complexos padrões que, depois de incontáveis derrotas, levam a uma emocionante vitória.

A súbita mudança de um gameplay mais caótico para o aprendizado de padrões pode parecer um ponto negativo, entretanto, ao olhar para o tipo de experiência proposta pelos desenvolvedores, fica claro a preferência de explorar ao máximo as mecânicas em detrimento de uma unidade de dinâmicas.

Visualmente, Flat Heroes chama a atenção por sua identidade bem resolvida. A experiência visual está presente já no menu principal, com as opções dispostas de modo discreto em uma fonte fina e sem serifa, com animações de transição que ao passo que são belas, introduzem o jogador aos controles básicos.

Falando em animações, tudo no título da Parallel Circles é fluido, utilizando dos consagrados fundamentos básicos da animação, o quadrado que o jogador controla pode ter apenas quatro lados, mas os movimentos que quase parecem passos, as esticadas e inclinadas e o rastro que deixa pelo caminho, dão muita personalidade a esse pequeno objeto bidimensional. Tudo isso acompanhado por ambientes que reagem a ação, com plataformas e paredes se movendo diante de uma bomba ou a aterrissagem do jogador.

A trilha sonora, por outro lado, faz pouco e cumpre apenas com o papel de ser um som de fundo em meio a zuns e explosões. Se o jogo não fosse tão exigente, diria que seria mais um daqueles títulos para se jogar ouvindo podcasts ou algo parecido.

Finalmente, Flat Heroes consegue entregar praticamente tudo o que prometeu, com mecânicas sólidas e um gameplay que se estende na dificuldade heroica e nos modos de jogo como sobrevivência ou partidas para até 4 pessoas, sendo uma ótima opção de party game. Com uma experiência estética quase perfeita, os amantes do gênero podem se alegrar com o título de estreia da Parallel Circles, que se mostrou mais que competente e me deixou ansioso para seus futuros projetos.

Flat Heroes já está disponível para Steam e Switch que, visto a qualidade do título, parece perfeito para ser jogado no console da Nintendo.

Positivo

  • Controles precisos
  • Difícil, mas justo
  • Longevidade
  • Ótima identidade visual

Negativo

  • Trilha sonora esquecível

Resumo

Flat Heroes consegue entregar praticamente tudo o que prometeu, com mecânicas sólidas e um gameplay desafiador e longevo, tudo isso aliado a um visual incrível.
9.5

Incrível

Designer, jogador e leitor ávido, a lista de coisas diferentes que faço é longa demais, porém minha curiosidade e busca por entender tudo a minha volta é maior ainda. Mas e o futuro? Bem, Game Designer e escritor são meus objetivos, conseguir um desses já é uma conquista desbloqueada.