Análise | Hyrule Warriors: Age of Calamity

Análises Switch
9.5

Incrível

Hyrule Warriors: Age of Calamity é o que sempre pedimos nos jogos da série Musou e muito mais. Com novas mecânicas, habilidades e história cativante, o título é um dos melhores já desenvolvidos pelo estúdio Omega Force, criador da franquia Dynasty Warriors.

Quando saiu no Nintendo Wii U, Hyrule Warriors causou uma certa comoção na comunidade de fãs do The Legend of Zelda. Ver personagens clássicos como Link, Zelda e Impa destroçando hordas de inimigos na jogabilidade de Dynasty Warriors foi algo extraordinário.

O game foi um sucesso no Wii U.

Apesar da lambança com personagens de diferentes linhas do tempo, o jogo adicionou mecânicas levemente baseadas na série Zelda ao beat ‘em up / hack and slash do gênero Musou. Algum tempo depois, a Nintendo tentou repetir a fórmula com Fire Emblem Warriors, mas o resultado foi aquém ao esperado

Porém, a terceira parceria entre Nintendo e Koei Tecmo, através do estúdio Omega Force (responsável pela série Warriors), nos presenteou com Hyrule Warriors: Age of Calamity. Para mim, o melhor game do gênero Musou / Warriors já criado!

Trailer de lançamento

Com uma história rica, elementos clássicos da série, personagens cativantes, mecânicas inéditas aos jogos do gênero e elementos gráficos impressionantes, o game é uma obra-prima. Um presente da Nintendo aos fãs de Link e da aventura Breath of the Wild.

Um complemento ao Breath of The Wild

A entidade Ganon ameaça o reino de Hyrule novamente. A lenda contada por milênios é que um herói surge nos momentos de dificuldade para derrotar este mal. Há 10 mil anos, com a ajuda das tecnologias perdidas Sheirak, o herói se aliou a Deusa Hylia e selou as trevas de Ganon.

Após uma era de paz, hordas de monstros ameaçam Hyrule. A realeza, percebendo que este era um dos muitos sinais da volta de Ganon, começam a reforçar seus exércitos e criar poderosas armas de destruição. Sabendo dos perigos que cercam a volta do Rei Demônio, a princesa Zelda encontra no soldado raso Link o que procurava: a chama do herói lendário.

Hyrule Warriors
Quem jogou Breath of the Wild verá vários rostos conhecidos.

Link, Zelda e Impa, guarda-costas e conselheira da princesa, partem pelo mundo em busca de guerreiros de grande poder. O motivo da busca é despertar as quatro Bestas Divinas, desenvolver a magia de Zelda e despertar completamente o poder lendário em Link. Só assim Ganon será derrotado e a atual Era da Calamidade chegue ao fim. 

Este é um resumo do resumo do enredo central de Hyrule Warriors: Age of Calamity. O game possui vários personagens com suas próprias histórias e motivações. Alguns rasos, de fato, mas mesmo assim cativantes ao seu estilo. Algo que falta na maioria dos jogos do gênero Musou.

Espere por milhares de diálogos, CGs instigantes e momentos marcantes e hilários. Age of Calamity foi feito para o fã da série, em especial aqueles que viveram as emoções de Breath of the Wild. Hora funciona como um prequel, em outros momentos é uma história completamente a parte. O game foi feito para todos. Fãs de Zelda, apaixonados por Musou ou quem curte boas histórias. O enredo de AoC funciona para vários tipos de jogadores.

Hyrule Warriors: AoC foge do padrão Musou

Neste game, você destruirá milhares de inimigos, como qualquer Dynasty Warriors. Existem ataques fortes, médios, sequências de golpes, ataques especiais e esquiva. Tudo o que se encontra em qualquer jogo do gênero. Porém, eis que temos o grande diferencial de AoC.

Tablet, inimigos e magias baseadas em Breath of the Wild são introduzidas ao Musou.

Elementos de Breath of the Wild foram inseridos às mecânicas beat ‘em up e hack and slash do Musou, a exemplo da tablet. Com ela, é possível utilizar itens, magias, habilidades e poderes do clássico que mudou para sempre a série The Legend of Zelda em 2017. É possível invocar uma barreira de gelo para esquivar de um golpe e contra atacar o inimigo. Ou uma bomba para destruir o escudo do adversário e atacar sem problemas. As possibilidades são diversas.

Mas engana-se quem pensa que um inimigo “X” só poderá ser derrotado de uma única maneira. Hyrule Warriors: AoC oferece várias formas de derrotar inimigos rasos e até chefes. Cabe ao jogador escolher o que for mais conveniente ao seu estilo de jogo.

As missões também são diversificadas. Como um Musou, o objetivo central deveria ser destruir a maior quantidade de inimigos. Em partes, isso não mudou. Porém, o game não se limita apenas a isso. Muitas vezes, as missões são a ativação de armadilhas para derrotar inimigos mais poderosos, impedir um cerco a sua fortaleza ou conquistar determinados territórios para permitir o avanço de suas tropas.

Hyrule Warriors
Apesar do gênero Musou ser baseado em destruir exércitos, é possível concluir missões derrotando poucos inimigos.

Isso já existia nos diversos Warriors, mas em Hyrule Warriors: AoC é possível realizar tais tarefas sem precisar focar em derrotar 2 mil inimigos na fase. Por vezes, é possível completar seus objetivos matando “apenas 300” adversários. Parece até muito, mas para quem é fã da franquia da Koei Tecmo sabe que isso é algo “improvável” em um Dynasty Warriors.

Um aventura de encantar os olhos e os ouvidos

Hyrule Warriors: Age of Calamity é o título mais belo entre todos da linha Musou / Warriors. Tendo como base The Legend of Zelda: Breath of the Wild, o game emula o que é encontrado na aventura de 2017, mas adiciona elementos extras. Afinal, não existe a pretensão de uma aventura em mundo aberto.

Temos cenários menores, mas ricos em objetos e efeitos de luz e sombra. E mesmo com as limitações do Switch, as texturas e qualidade dos ambientes são impressionantes. Fui surpreendido com o que encontrei no jogo, já que é um trabalho muito superior ao que encontramos nos demais jogos Warriors da Omega Force.

A dublagem dos heróis e vilões é excelente. Link mantém a tradição do protagonista silencioso.

A trilha sonora é espantosa. Muitas das faixas são versões remixadas ou expandidas da trilha sonora de Breath of the Wild. Mas são nas músicas inéditas que vemos o trabalho do compositores Kumi Tanioka, Reo Uratani, Ryotaro Yagi e Haruki Yamada. Com experiência em jogos anteriores da Koei Tecmo, a equipe não se restringiu às batidas eletrônicas e aceleradas características da série Warriors, optando por uma trilha baseada nos jogos da série Zelda

Mesmo a obra-prima tem seus defeitos

Hyrule Warriors: AoC não está livre do grande mal que assola vários títulos do Nintendo Switch: a queda de frames. Apesar de pontuais, o problema surge em situações com muitos inimigos e elementos na tela. Não é algo que gere dores de cabeça, mas pode irritar um pouco nos momentos críticos de uma missão. O problema pode incomodar os jogadores que buscam recompensas com a destruição de hordas de inimigos. Mas repito que é algo muito ocasional e não atrapalha muito o gameplay geral.

Hyrule Warriors
A queda de frames é uma constante quando existem muitos inimigos na tela.

Como já mencionado, os gráficos são parecidos ao que encontramos em Breath of Wild. Mas não é algo idêntico! Apesar de emular bastante a primeira aventura de Link no Nintendo Switch, o jogador mais atento verá um objeto mal renderizado ou uma árvore “pixelada” demais.

Outro problema é a câmera. Como ocorre nos demais Warriors, a confusão de ângulos pode acontecer. Assim, o jogador por vezes precisa tomar cuidado com a mudança de posicionamento durante o combate para não deixar um inimigo passar despercebido. Contra adversários menores não é algo perigoso, mas contra chefes será um problemão. Por isso, é um dedo no analógico de movimento e outro no controle da câmera.

Vale lembrar que o game é um hack and slash / beat em up. Não um jogo de mundo aberto. Existem barreiras, locais apertados, salões enormes e espaços sem grandes atrativos. É um spin off, não uma continuação. Apesar de cenários enormes e bem desenvolvidos para o padrão Musou, não espere a sensação de completa liberdade de movimentação do Breath of Wild.

Hyrule Warriors
Apesar de confuso de início, o sistema de evolução e missões é muito simples e dinâmico.

Durante a aventura, Link e seus companheiros ativarão as Divine Beasts, que são armas de tecnologia Sheirak. Em resumo, o jogador controlará armas gigantes e destruirá os mesmos inimigos de sempre, só que em quantidade muito maiores. Apesar da ideia ser interessante, a execução é fraca. A resolução dos cenários em uma versão menor é falha e sem grandes atrativos. A movimentação também é estranha, fazendo o jogador “empacar” se não tomar cuidado em destruir os inimigos antecipadamente. Fora o problema da queda de frames com o grande número de objetos em tela. Por sorte, utilizar uma Divine Beast (pilotando ou batalhando contra ela) é algo ocasional.

O melhor Warriors já criado

Confesso que sou um grande fã dos jogos Musou. Tanta paixão por muitas vezes me fez jogar títulos rasos e ignorar defeitos terríveis. O último título do gênero que joguei antes de AoC foi One Piece: Pirate Warriors 4, que fiz análise aqui no Pulo Duplo. Foi uma aventura emocionante.

Mas Hyrule Warriors: Age of Calamity tem algo a mais. Claramente, possui um cuidado maior em seu desenvolvimento e um carinho especial digno dos grandes títulos da marca Nintendo. O jogo busca agradar quem viveu e se encantou pela magia de Breath of the Wild e é um “tapa na cara” daqueles acostumados em simplesmente derrotar centenas de milhares de inimigos nos jogos Musou.

Palmas eternas para a equipe de desenvolvimento da Omega Force e Koei Tecmo!

*Análise feita no console Nintendo Switch Lite.
** Com imagens da Nintendo e Koei Tecmo.

Positivo

  • Histórias e personagens envolventes
  • Gráficos e trilha sonora impressionantes
  • Novas mecânicas aos elementos do Musou

Negativo

  • As batalhas com Divine Beasts
  • Queda de frames
  • Alguns problemas com câmeras

Resumo

Hyrule Warriors: Age of Calamity é o que sempre pedimos nos jogos da série Musou e muito mais. Com novas mecânicas, habilidades e história cativante, o título é um dos melhores já desenvolvidos pelo estúdio Omega Force, criador da franquia Dynasty Warriors.
9.5

Incrível

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!