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Análise | Kingdom Hearts III

Análises PS4 Xbox One
9

Incrível

Veja o que achamos do terceiro capítulo da saga de Sora e seus amigos.

Foi há 15 anos que a Square Enix (nessa época ainda Squaresoft) apostou em algo inusitado. “E se misturássemos personagens da Disney com Final Fantasy?”. Assim surgiu Kingdom Hearts, um dos primeiros grandes sucessos do PlayStation 2. O tempo passou e a aposta virou uma série de sucesso. Após dois capítulos e diversos spinoffs, é chegado o momento final da saga de Sora e seus amigos em Kingdom Hearts III.

Resumindo (para aqueles que não conhecem), Kingdom Hearts III narra as aventuras do usuário de espadas-chave (Keyblades) Sora e seus amigos Donald e Pateta (Goofy no original) na proteção de mundos contra o terrível Xehanort, grande vilão da franquia que pretende conquistar o poder definitivo. Outros personagens originais da série apresentados em outros jogos como Ventus, Roxas, Aqua e Axel também dão as caras neste terceiro episódio, encerrando, aparentemente, a saga iniciada 15 anos atrás.

Todo o elenco da série estará presente em Kingdom Hearts III.

Uma coisa pode ser dita sobre a história de Kingdom Hearts: ela é muito complexa! São diversos acontecimentos divididos em onze jogos (sem contar remakes e remasters), que complicam um pouco a narrativa dos acontecimentos do recém lançado terceiro capítulo. A própria Square Enix apresenta um resumo com pequenos vídeos chamados Kingdom Hearts Memories Archives (disponíveis no jogo e no Youtube). Mesmo assim, nem todos os pontos da trama são explicados com clareza. Com um pouco de paciência, os próprios personagens nos apresentam um resumo dos acontecimentos passados. E também existem diversos textos explicando sobre cada personagem e acontecimentos anteriores. Com uma hora de “estudo” deste material, é possível situar até mesmo um iniciante nos acontecimentos da saga.

Pode ser complexa, mas a história do jogo é completa e bem amarrada.

Assim como todos os jogos anteriores, Kingdom Hearts III é um RPG de ação. Agilidade e movimentos precisos fazem muita diferença no combate. Veteranos na saga vão se sentir bastante confortáveis, pois os melhores elementos de cada jogo da série foram incorporados aqui. Temos as magias, as invocações, as habilidades diferenciadas, interação com cenários e outras mecânicas inéditas. E as famosas keyblades agora possuem habilidades únicas e impressionantes, que influenciam o gameplay durante as batalhas. E com a possibilidade de se equipar até três delas, o leque de opções e variações para se usar é enorme.

Cada keyblade adquirida no jogo possui habilidades e poderes variados.

Um ponto que sempre foi forte na série foram as visitas aos outros mundos. Em Kingdom Hearts III, os mundos que podemos visitar são (em ordem alfabética): 100 Acre Wood (Ursinho Puff), Arendelle (Frozen), Caribbean (Piratas do Caribé), Kingdom of Corona (Enrolados), Monstropolis (Monstros S.A.), Mount Olympus (Hércules), San Fransokyo (Big Hero 6), Toy Box (Toy Story) e Twilight Town (original da série).

O incrível no game é que cada mundo possui inimigos, cenários e mecânicas de jogo diferentes e que evitam a mesmice. Por exemplo, em Toy Box, você pode pilotar robôs e utilizá-los nas batalhas. Já em Caribbean existem as batalhas nos navios, com Sora interagindo com âncoras, velas e mastros. Cada mundo possui elementos únicos que tornam a experiência de visita-los (e revisitá-los) algo estimulante.

A batalha contra Xehanort é uma das mais épicas de toda franquia.

Os gráficos do jogo estão ótimos. Souberam usar muito bem o moto gráfico da Unreal Engine 4 (coisa muito rara em J-RPGs). Porém existem alguns problemas. Em alguns mundos (destaco aqui o mundo de Hércules, Mount Olympus) as animações dos personagens são medonhas, beirando a gráficos semelhantes aos primeiro Kingdom Hearts. Enquanto isso, temos mundos como Caribbean ou San Fransokyo onde as animações são espetaculares. Vai do oito ao oitenta. No geral, graficamente, o jogo é bom. Mas poderiam ter caprichado mais em alguns mundos.

Kingdom Hearts III possui gráficos de encher os olhos, com exceção de alguns mundos do jogo.

No quesito defeitos, um problema que ainda atrapalha bastante a jogatina continua: a câmera. Seja usando algum especial ou ao mudar de posição durante uma esquiva, o ângulo da câmera fica em uma posição onde você perde a visão dos personagens ou dos inimigos. Em muitos momentos, objetos do próprio cenário, como árvores ou paredes, acabam atrapalhando a visualização da batalha, o que incomoda bastante. Entretanto, essas situações são ocasionais e não atrapalham a jogatina como um todo.

Algumas habilidades, como as attractions, podem atrapalhar com ângulos de câmeras confusos.

A dificuldade do game é outro ponto a ser considerado. Se comparado a títulos anteriores, este Kingdom Hearts é muito fácil. O modo HARD lembra muito a dificuldade NORMAL dos primeiros jogos, com as diversas habilidades e keyblades do Sora facilitando as batalhas. Minha recomendação para os veteranos da série é que joguem na maior dificuldade.

Mas nem só de batalhas vive Kingdom Hearts III. Uma série de atividades extras acompanham o jogo e podem estender a jogatina por horas. Um bom exemplo são os mini games Classic Kingdom, que lembram os bons e velhos joguinhos da Tectoy. Gastei horas tentando melhorar minha pontuação em um deles. Também gastei um bom tempo coletando os cards que dão acesso a eles, que estão espalhados em doze baús por todo jogo. Outras atividades como as viagens nas Gummi Ships e cozinhar no restaurante do Tio Patinhas com Remy, o ratinho de Ratatouille, podem proporcionar bons momentos aos que se interessarem. Nada que influencie na jogatina final, mas são bons passatempos.

Atividades extras como os jogos Classic Kingdom são ótimos passatempos.

O terceiro capítulo da série e a conclusão da saga do vilão Xehanort pode ter demorado para chegar até nós, mas valeu a pena. A luta contra ele é espetacular e o final de Kingdom Hearts III é excelente, com ganchos para uma possível continuação. A história do jogo amarrou muitas pontas soltas criadas ao longo desses 15 anos e aproveitou para criar novas perguntas que só serão respondidas num possível quarto capítulo da série (tomara). O sucesso deste jogo é merecido e a Square Enix está de parabéns pelo resultado final.

Positivo

  • Bons combates
  • Muita atividade extra
  • Conclusão digna

Negativo

  • Câmera ruim em alguns momentos
  • Alguns mundos possuem animações ruins
  • Faltam legendas em português

Resumo

O terceiro capítulo da franquia fecha com chave de ouro as aventuras de Sora e seus amigos. Batalhas empolgantes, mecânicas variadas, um história interessante e atividades variadas esperam o jogar neste sucesso da Square Enix.
9

Incrível

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!