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Análise | Marvel’s Guardians of Galaxy – Um tributo aos fãs de quadrinhos e filmes

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Incrível

Marvel’s Guardians of Galaxy é um título que traz a emoção do universo cinematográfico com elementos dos quadrinhos. Confira nossa análise.

Sou um fã incondicional dos quadrinhos, em especial da Marvel. Acompanho os heróis desde 1994, começando nas “revistinhas formatinho” e passando para os extensos encadernados depois de adulto. Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Defensores… Foram várias as equipes que acompanhei por muitos anos. Até meados dos anos 2000, quando ressurgiu uma certa equipe do passado repaginada: Os Guardiões da Galáxia.

Marvel’s Guardians of Galaxy
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Os Guardiões da Galáxia estrelam um dos melhores games da Marvel

Assim como Korath no primeiro filme dos Guardiões, eu fiz a pergunta: “Quem?”

O sucesso da equipe nos quadrinhos seguiu por um bom tempo, mas foi com o filme da Marvel Studios que a explosão começou. Senhor das Estrelas, Rocket Raccoon, Groot, Drax e Gamora. O quinteto que definiu a cara do universo cósmico da Marvel desde de então.

Além dos filmes, foram diversas as tentativas de trazer a equipe para outras mídias fora os quadrinhos. Na parte dos games, participações esporádicas de alguns guardiões aqui e ali como personagens convidados e uma experiência interessante com o Guardians of Galaxy da Telltale (2017).

Agora, a Square Enix e a Eidos nos presenteiam com Marvel’s Guardians of Galaxy para PC, Switch, PlayStation 4 e 5, Xbox One e Xbox Series S|X. Tudo o que podemos dizer é que o game é uma das melhores adaptações de super-heróis de todos os tempos.

Avengers? Pfff….

Todos sabemos o burburinho que foi o lançamento de Marvel’s Avengers no ano passado. Um título que prometeu alavancar os heróis no mundo dos games falhou em vários pontos. Apesar de ter uma pequena legião de fãs, a crítica e o público em geral massacraram o título. A desconfiança pairava sobre o lançamento de Guardians, já que muitos pensavam que seria um “Marvel’s Avengers do Espaço”.

Marvel’s Guardians of Galaxy
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“Eu sou Groot” vai ficar em sua mente após algumas horas de jogo

Não poderiam estar mais enganados.

Marvel’s Guardians of Galaxy é um conjunto de paixões unidas em um único jogo que agrada a vários públicos. Os fãs de jogos de ação se sentiram em casa. Já que gosta de uma excelente trilha sonora, temos tributo aos fãs de clássicos  dos anos 80. Os leitores de quadrinhos dos mais antigos aos mais novos estarão no céu ao observar cada detalhe adaptado, com easter eggs brotando a todo momento.

Apesar da ação ser um dos pilares do jogo, a desenvolvedora Eidos-Montréal apostou em vários aspectos do todo. A narrativa e a caracterização dos personagens é algo envolvente, onde traçamos a história deles através de pequenas “peças” espalhadas por diálogos ou pequenas interações.

Falando em peças, o jogo traz uma mistura de elementos de gêneros que funcionam como uma obra única e coesa. Temos os elementos narrativos e personalizações de um RPG. Temos enigmas e quebra-cabeças de bons jogos de aventura. E não podemos esquecer do combate divertido e dinâmico liderado por pelo Star-Lord e seus guardiões.

Uma Galáxia com problemas

Doze anos atrás, uma guerra assolou toda a galáxia. Foi necessária a união de grandes nações espaciais para derrotar os destruidores Chitauri. Das cinzas deste conflito que repercute por mais de uma década, cinco arruaceiros unem-se para criar um grupo de mercenários, que preferem o termo “heróis”.

Com um pequeno background, a Eidos moldou sua própria versão dos Guardiões. Não esquecendo suas origens nos filmes e quadrinhos (que são conflitantes, mas a Marvel já tratou de unificar tudo. Mas o ponto forte do desenvolvimento dos personagens e da história é a simplicidade. Não perdem tempo com histórias de origem ou cutscenes para “encher linguiça”.

Marvel’s Guardians of Galaxy
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Cada roupa extra possui um background baseado no universo cinematográfico ou dos quadrinhos

É no meio de uma batalha, através de um simples diálogo, que conhecemos as motivações de Drax ou Rocket. É durante uma conversa paralela durante uma caminhada em ruínas de uma estação espacial que sabemos sobre a ligação de Gamora com Thanos e sua ligação com a guerra.

Claro que se o jogador conhecer os personagens pode apreciar a história e encontrar os easter-eggs espalhados ou identificar um acontecimento narrado. Mas o jogo não o obriga a acompanhar 25 anos de histórias da equipe. É tudo muito simples e preciso, com fatos trazidos a tona em momentos certos.

Ainda assim, os desenvolvedores trazem pequenos textos contando a história de cada personagem, suas aparições nos quadrinhos e momentos marcantes. Tudo para oferecer a melhor experiência aos jogadores, sejam fãs de quadrinhos ou não.

Falando nos fãs de quadrinhos, estes vão se sentir no paraíso com a quantidade absurda de colecionáveis e opções de rota. Em vários momentos, o jogador pode explorar caminhos opcionais que desbloqueiam conversas entre membros de equipe, oferecem itens ou roupas especiais. São coisas que não influenciam em nada na conclusão do jogo, mas oferecem um extra especial aos fãs.

Eu mesmo passei quase uma hora a mais em um planeta, navegando por túneis para encontrar uma roupa especial da Gamora e entender sua ligação com Thanos. A nova veste em questão é uma versão especial de uma saga obscura que muitos odeiam, mas que eu adoro. Foi estimulante e recompensador seguir por um caminho alternativo, enfrentar uma nova leva de inimigos e conquistar uma simples roupa.

A beleza está nos detalhes

Com certeza, Guardians of the Galaxy possui cenários belos e impressionantes. Apesar de seguirmos de forma linear, fugindo um pouco do fator exploração dos RPGS, podemos vagar por caminhos secretos ou rotas alternativas. Mas cabe ao jogador ficar atento para não perder os detalhes, o que não é difícil com a qualidade dos cenários.

São ruínas, planetas bizarros, naves santas banhadas a ouro, o título oferece uma associação do que existe de melhor nos quadrinhos e filmes, adaptadas com uma precisão impressionante. Até os inimigos são incríveis, adaptados para cada ambiente e sem repetições desnecessárias em outros cenários.

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Da nave aos cenários. Guardians mistura elementos visuais dos filmes do MCU e dos quadrinhos

Por mais de 20 horas de duração, Guardians of the Galaxy oferece novidades, seja em combates ou nos cenários do jogo. A equipe da Eidos não mediu esforços em diversificar a experiência. São novos ângulos explorados, ou inimigos que fogem do padrão, com o jogador precisando mudar o jeito de encarar o desafio. O jogo busca a reinvenção em cada capítulo, sempre oferecendo uma novidade. E quando você concluir o título, você pode jogar de uma forma diferente.

Você pode, por exemplo, criar um Star-Lord focado na porradaria e não nos tiros a longa distância. Ou então focar Groot nas ações de suporte. As escolhas de diálogo também interferem no rumo da história. Algumas vezes de maneira bem sutil, revelando detalhes do passado dos personagens. Em alguns momentos, a sua escolha é tão importante que influenciarão diretamente nos acontecimentos futuros. Um sistema simples de opções e escolhas simples e funcional. 

Peter, Rocket, Gamora e Drax se beneficiam muito desse foco na narrativa, extrapolando os limites do que vimos nas telonas. A triste exceção é o Groot, que tem pouco destaque e acaba tornando-se mais um acessório para o desenvolvimento do Rocket por conta de sua limitação linguística.

Star-Lord, o líder dos Guardians of the Galaxy

Apesar do foco na equipe, Guardians of the Galaxy oferece apenas um personagem controlável de maneira direta: Peter Quill, o Star-Lord. E devo dizer, isso não é algo ruim.

Como um verdadeiro líder, Peter comanda seus quatro companheiros com comandos que você executa de maneira rápida e simples. Groot pode auxiliar imobilizando os inimigos ou te protegendo com galhos. Gamora pode atacar sorrateiramente um inimigo pelas costas enquanto você o engana de frente. Existem diversas habilidades específicas para cada um dos personagens. Através de pontos de experiência, o jogador pode desbloquear novas técnicas de combate e incrementar os guardiões.

Porém, não basta dar comandos sem pensar ou ponderar sobre os inimigos ao seu redor. Falhe em comandar sua tropa e os guardiões irão agir por conta própria e podem cair em combate, cabendo a você prestar os “primeiros socorros” e levantá-los. Isso demanda tempo e pode deixar o líder Peter Quill despreparado contra inimigos poderosos.

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Herói, explorador e coach… Star-Lord é “O CARA”

Caso o caos seja instaurado durante o combate e você esteja perto da morte, Peter convocará uma reunião de emergência para motivar a equipe. Com isso, uma música empolgante tocará e os destemidos heróis voltam ao combate cheios de gás e vontade. Com isso, todos ganham bônus temporários de força e resistência, além de recuperar preciosos pontos de vida.

Existe um ponto complicado de defender nos combates do jogo. Em momentos cruciais, em especial perto do final, enfrentaremos combates incrivelmente difíceis. Não pelos inimigos desafiantes, mas pela quantidade deles. O combate divertido torna-se repetitivo, com você precisando derrotar dezenas de inimigos parecidos e que não param de chegar. Mas é algo bem pontual para considerar uma falha grave.

Fora de combate, cada guardião possui habilidades fundamentais para resolver quebra-cabeças e atravessar obstáculos. Rocket destrava portas ou conserta aparelhos. Drax é forte e ergue a carga-pesada. Gamora é ágil e pode escalar ou fatiar coisas. Já Groot cria pontes com seus galhos. Os quebra-cabeças são bem simples e rápidos, demandando pouco tempo ou esforço para concluí-los. Algumas missões possuem eventos de quicktime que demanda apertar o botão na hora certa para esquivar de um golpe ou pular um precipício mortal. Tudo no melhor estilo Tomb Raider. Morra e você voltará para momentos antes do momento crítico para tentar apertar o botão na hora certa.

Existem problemas em Guardians of Galaxy

São poucos, mas existem problemas técnicos em Marvel’s Guardians of Galaxy. Em nossos testes no Xbox Series S e X, o jogo apresentou queda no frame rate em vários momentos. No Series S ocorreu com mais frequência, algo que não foi consertado com a atualização Day One. Outro problema grave é o sumiço de texturas em alguns cenários e bugs visuais nos uniformes dos personagens, principalmente nas roupas secundárias.

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No Xbox Series S, o game apresentou alguns problemas com a câmera em momentos específicos.

Apesar da tradução incrível do jogo para o português brasileiro, existem diversas falhas na dublagem. São as mesmas vozes do filmes do Marvel Studios no Brasil, o que causa uma certa empatia com quem assistiu dublado por aqui. Mas falta um toque de emoção em vários personagens. Mas o grave mesmo são alguns erros relacionados com gênero e uso de pronomes que causam estranheza. A dublagem brasileira é uma das melhores do mundo, mas neste jogo, os dubladores originais dos Estados Unidos fizeram um trabalho melhor.

Apesar de tudo, são problemas que não estragam o excelente trabalho executado pela Eidos-Montreal. Provavelmente, futuros patches darão um jeito nesses problemas. 

Um épico espacial digno dos maiores heróis do cosmo

Marvel’s Guardians of Galaxy traz tudo o que um fã da Marvel pede em um jogo. Temos a fidelidade com o trabalho original, buscando sempre agradar às fanbases dos filmes e dos quadrinhos, através do equilíbrio na adaptação. O empenho nos detalhes, do simples pôster na parede ao colossal cruzador da Nova Corps, mostra a dedicação da equipe em oferecer um jogo memorável e divertido.

Somado a uma trilha sonora impecável e uma narrativa simples e eficaz, o jogo diverte ao longo de suas mais de 20 horas de jogo. Claro que se o jogador quiser, ele pode encurtar sua jornada, pulando diálogos e cutscenes. Mas fazendo isso, perderá os melhores momentos de um épico espacial que entrará para o hall da fama do mundo dos games ao lado de sucessos como Halo e Mass Effect.

*Análise feita no Xbox Series S e X com cópia oferecida pela Square Enix

Positivo

  • Combate divertido
  • Visual incrível, recheado de detalhes
  • Ótima narrativa, com muitos extras

Negativo

  • Alguns combates demorados e repetitivos
  • Erros na dublagem brasileira
  • Problemas técnicos pontuais

Resumo

Fiel aos filmes e quadrinhos, Marvel’s Guardians of Galaxy trabalha elementos com foco nos fãs, mas sem esquecer a diversão e detalhes técnicos importantes. O empenho nos detalhes mostra a dedicação da equipe em oferecer um jogo memorável e divertido. Um épico espacial que entrará no gall da fama junto com jogos como Mass Effect e Halo.
9

Incrível

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!