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Análise | Marvel’s Spider-man

Análises PS4
8.5

Ótimo

Balançar pela cidade, enfrentar vilões mais que conhecidos e o humor sarcástico do Cabeça de Teia. É de tirar o chapéu como a Insomniac rejuvenesce essas tarefas tão vistas em quadrinhos, filmes, séries e tantos outros conteúdos transmídia e as transforma em algo quase viciante em Marvel’s Spider-Man.

Não se deixe enganar, no entanto. A fórmula é tão batida quanto a porradaria frequente. Quase que invariavelmente, seu objetivo será de sair de um canto a outro da cidade e brigar com homens do Rei do Crime, soldados especiais e vilões como Shocker e o próprio Wilson Fisk. No entanto, o ritmo é tão frenético e os malabarismos do Aranha tão fluidos que é bem difícil cansar de enfrentar capangas a todo momento.

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Um dos motivos para isso está na história e na personalidade do personagem. Marvel’s Spider-Man mostra com fidelidade as nuances de Peter Parker com e sem a máscara. Vários de seus conflitos são demonstrados durante a narrativa e cabe a você assimilá-los e passar por toda essa experiência lado a lado com o protagonista, seus companheiros e inimigos. Diversos deles têm suas motivações e convicções, de forma que todos estes saem do arquétipo corriqueiro de “vilões malvados”, cabendo, inclusive, sentir empatia.

Cabe ressaltar também a excelente ideia de introduzir Mary Jane e Miles Morales como personagens jogáveis. A obra faz questão de mostrar do Homem-Aranha o lado super, mas também o humano – passível de falhas, físicas ou mentais. Nesse ponto, a inserção dos personagens traz uma íntima perspectiva de pensamento deles e incute ao jogador sentimentos de confiança e amizade, e conceitos como o “herói mundano” e de que ninguém é invencível.

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Outro destaque é a mecânica de combate. Ainda que as similaridades com a série Batman: Arkham sejam reconhecida, o sistema de combos e o sensor de ameaça acima da cabeça (o popular  “Sentido Aranha”) são característicos dos jogos do herói, de Maximum Spider a Spider-Man 2 e Shattered Dimensions.

Talvez por isso, a maior novidade esteja nas animações e nos movimentos. A forma pela qual o protagonista se mexe, em especial nas batalhas, é extremamente rápida e fluida, quase performática, com uma gama de comandos – e dispositivos de apoio – perfeitamente responsivos, com exceção da câmera. Está nela, ao meu ver, uma das duas únicas falhas do game, visto que a mesma é lenta e chata de controlar, especialmente em momentos de tensão.

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Ao usar uma abordagem furtiva (esta, uma autêntica inspiração de Batman: Arkham), por exemplo, é sempre trabalhoso girar a câmera e colocá-la em posição de lançar a teia em um poste ou outro lugar alto. Muitas vezes, o tempo entre achar o ponto de lançamento (que depende do ângulo em que se põe a câmera) e efetivamente chegar ao caminho desejado é o suficiente para ser encontrado e estragar sua invasão silenciosa. É certo que sair na porrada é mesmo divertido, mas ser furtivo em Spider-Man é pouco encorajador.

Outro defeito é a dificuldade não-escalável, ou seja, os oponentes não evoluem com o jogador. Isso se mostrou um problema quando notei que não encontrava empecilhos ao enfrentar hordas de capangas e desviar de dezenas de balas, socos e pontapés, tornando o jogo fácil mesmo que eu estivesse no nível máximo de dificuldade disponível. De fato, ainda era divertido, mas a emoção da falha cessou.

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Isso acaba retratado também nos confrontos contra os chefes. Embora construídos com o intuito de deixar a adrenalina no máximo, a mecânica é simples e padrão em todos eles: esquive -> atire teias/itens do cenário -> ataque. Ainda que as artes sejam lindas e as cinemáticas sejam profundamente empolgantes, não há segredo nesses confrontos. De fato, minhas derrotas foram justamente por esperar o contrário.

Entre uma luta e outra, quando o Aranha pode finalmente respirar, é o momento perfeito de vislumbrar a cidade e ver todo o seu potencial. Além do fato de a Nova Iorque do Spider-Man parecer tão viva quanto a real, é interessante testemunhar o comportamento de uma cidade que possui um super-herói. Enquanto dá um descanso pra seu lançador de teias, um passeio a pé pelas ruas mostra carros andando tranquilamente, pessoas que cumprimentam, elogiam, xingam e – mais importante – ignoram completamente a presença da celebridade.

O requinte pintado nas telas de carregamento dão esse tom. Cidadãos munidos de jornais com o Homem-Aranha na capa lado a lado do mesmo, um homem dormindo com a cabeça encostada em seu ombro… pessoas habituadas com os oito anos de seus heroísmos – ou, ao menos, de alguém vestido da mesma forma que ele. Imagens tão bonitas quanto reveladoras.

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Esse tipo de detalhe se espalha por todo o trabalho feito pela Insomniac no game. Mesmo com sua própria história e personalidade, é comum encontrar referências de outros lugares, a exemplo da célebre frase “Go get’em, Tiger” de Mary Jane proferida nos quadrinhos e em Homem-Aranha 2. Colecionáveis, personagens e a própria cidade que contam uma história diferente, mas com elementos facilmente reconhecível e que nunca se distanciam da mitologia do herói.

Minúcias podem ser encontradas também em missões secundárias espalhadas pelo mapa, juntamente com os colecionáveis. Ainda que soe completamente idiota correr atrás de pombos ou drones do Treinador, é interessante encontrar momentos do passado de Peter pelo mapa, mesmo que eles estejam em mochilas espalhadas pelo mapa por motivos de “esqueci aqui, dã”. Caso não ache isso suficiente, pegar esses itens são essenciais para habilitar novas roupas e melhorar dispositivos, e há uma variedade suficiente desses colecionáveis para não cansar. Na verdade, talvez existam em excesso até, mas… bem, a gente pode simplesmente ignorar.

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Por muito tempo, achei que este seria só mais um jogo do Cabeça de Teia. Passear por arranha-céus, ver os vilões de sempre e socar geral sem motivo aparente. Como fiquei feliz por estar errado e ter dado a chance. Este é possivelmente o Spider-man com mais personalidade fora dos quadrinhos e, graças a essa razão, o de maior fidelidade à visão que tenho do personagem em muito tempo, com a real capacidade de transmitir a dicotomia de ser ambos Peter Parker e Homem-Aranha.

Positivo

  • Uma cidade bela e vibrante, que vive sem a interferência do protagonista
  • Várias opções de missões secundárias e colecionáveis para fazer
  • Jogar com outros personagens dá novas perspectivas ao papel do herói e do cidadão
  • Uma história nova e divertida, mas repleta de referências conhecidas do personagem
  • Ação desenfreada, com vilões repaginados e cinemáticas empolgantes

Negativo

  • A câmera atrapalha em alguns momento, especialmente em combates mais frenéticos ou em uma abordagem furtiva
  • A dificuldade não escala com o jogador
  • As lutas com os chefes seguem um único padrão

Resumo

Marvel's Spider-man é finalmente o jogo que o herói merecia desde Maximum Carnage. Mesmo com problemas, traz ação desenfreada, uma cidade viva e personagens cativantes.
8.5

Ótimo

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.