Análise | My Hero One’s Justice 2 – PLUS ULTRA!

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7

Bom

Após o inesperado sucesso de My Hero One’s Justice e a quarta temporada do anime My Hero Academia, já era esperada uma continuação. E a Bandai Namco não tardou em anunciá-la. Apesar de ser mais um jogo de luta, o título tenta inovar em relação ao gênero. Apesar de simples e relativamente fácil, com muitos elementos repetitivos, My Hero One’s Justice 2 é muito divertido.

Trailer final.

O game segue os acontecimentos da temporada mais recente do anime (a quarta). De antemão, é bom avisar que o jogo não faz nenhuma questão de ambientar o jogador. Para aproveitar a história contada, é necessário a pessoa ser fã do anime. Se você não é fã de animes ou viveu em uma caverna, segue um resumo:

Izuku Midoriya, um jovem que nasceu sem poderes em um mundo de humanos super poderosos, deseja a todo custo se tornar um super herói igual ao seu ídolo, o todo poderoso All Mighty. Após superar uma crise e ajudar seu herói, este torna Midoriya seu sucessor oficial, cedendo boa parte do seu poder, o One for All. Assim, ele acaba ingressando na prestigiada Academia de Formação de Heróis e tentará a todo custo virar um sucessor digno.

Mais do mesmo

Mesmo sendo um grande fã da série, é inegável que o título claramente joga em um terreno seguro. Temos um jogo de luta em arenas e um sistema de combos, com poderes sendo acionados com o simples apertar de botões. Ao jogador cabe emendar sequências, defender, agarrar e evitar ataques dos adversários.

É o mesmo que vemos tantas e tantas vezes nos jogos da Bandai. A diferença aqui é que My Hero One’s Justice 2 busca inserir diversos elementos da obra original. Temos os golpes especiais, mas todos são baseados em super poderes apresentados. Midoriya possui sua super velocidade e força atreladas às pernas, a chamada forma Shooter. Isso segue a história original, pois nas primeiras temporadas ele utilizava os braços e quase morreu por isso.

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Forma Shooter de Midoriya é extremamente “apelona”, sendo uma das mais utilizadas nas partidas online.

E Midoriya não é o único personagem interessante no game. O desenvolvedora Byking melhorou alguns poucos pontos em relação ao título original, mas tentou ao máximo diferenciar os personagens entre si. Cada um dos lutadores possuem características próprias e especificidades em seus golpes. Temos Mina com seus poderes ácidos que prolongam o dano, funcionando como um veneno. Ou então temos Uraraka e seus poderes de levitação, que estão mais poderosos e dinâmicos em relação ao título anterior.

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Várias das artes do mangá estão presentes no game.

Os comandos também foram bastante simplificados. Agora o controle pode ser configurado para facilitar sequências com um sistema de auto combos. Literalmente, é possível realizar extensos combos apertando apenas um botão. Funcional, em especial para jogadores casuais e mais jovens. Porém, no modo online, é possível ver que a simplicidade não funciona bem com outros jogadores. O essencial para vitória é esquivar e defender no momento certo.

Falando em momentos certos, a Byking inseriu um sistema de iluminação do personagem bastante interessante. Ao carregar um golpe especial, o personagem é iluminado por uma aura amarela. Caso tente um golpe de agarrão, uma aura vermelha. Isso possibilita saber o que esperar de um golpe e não ser surpreendido com as habilidades do lutador adversário. E em um jogo com mais de 40 personagens jogáveis, isso facilita muito o gameplay.

My Hero One’s Justice 2 sofre com desbalanceamentos

O jogo possui diversos modos de jogo. Temos o Arcade, com batalhas contra a CPU. No modo Missão é possível formar times para realizar missões pela cidade e ganhar pontos especiais por isso. Por fim, o modo REDE permite batalhas livres e ranqueadas contra outros jogadores. Neste último, eventos por tempo limitado permitem liberar diversas recompensas, como cores ou peças de vestiário para os personagens.

MY HERO ONE'S JUSTICE 2
Quanto melhor a pontuação em batalhas, maiores as chances de desbloquear novos itens.

Um dos grandes incentivos do game é bonificar o jogador com o tempo gasto. Cada sequência de partidas oferece itens variados, desde roupas especiais até cartões de personagens. Caso gosto muito do anime, você se verá jogando por horas para tentar desbloquear aquele traje especial apresentado em uma página extra da edição 5 do mangá.

Mas o maior problema de My Hero One’s Justice 2 é o seu desbalanceamento. Isto é algo muito comum em jogos baseado em anime, mas aqui ele é gritante. Personagens centrais como Midoriya conseguem arrancar 30% da barra de vida com uma simples sequência de botões. Outros como a sapinha Tsuyu Asai precisa realizar uma sequência gigantesca para causar o mesmo dano. Das dezenas de personagens, apenas alguns poucos são escolhidos nas partidas online justamente por conta deste desbalanceamento.

Apesar de carismática, Nejire sofre com seus golpes lentos e de baixo dano.

Graficamente, o jogo é agradável. Nada inovador, mas muito melhor que vários títulos de anime da Bandai Namco. As músicas e efeitos sonoros são simples, mas segue o que encontramos nas animações.

Os cenários são bem elaborados, mas muitos são reciclados do título anterior. A diferença aqui é que a interação com eles foi bastante reduzida em relação ao jogo anterior. No primeiro título, a navegação pelas paredes (no melhor estilo Spiderman) era algo frequente, mas dificultava bastante a jogabilidade. Sabendo disso, a Byking decidiu simplificá-los, o que serviu como uma luva no resultado final.

Plus Ultra!

My Hero One’s Justice 2 é uma boa continuação. Oferece novos e antigos personagens atualizados, novos poderes e história fiel ao conteúdo original. Os diversos modos tentam agradar a todos os gostos, com recompensas que estimulam a replay constante. A jogabilidade de luta em arena continua a mesma que presente nas dezenas de títulos de anime, mas com algumas novidades.

MY HERO ONE'S JUSTICE 2
Modo história reconta os principais acontecimentos da atual temporada do anime.

O maior problema do game é de fato o desbalanceamento entre os personagens, que poderia ser resolvida se a desenvolvedora tivesse se esforçado mais. Pelo menos, a aposta da Bandai Namco no estúdio Byking é muito bem vinda, se compararmos aos recentes jogos produzidos pela Spike Chunsoft como One Punch Man ou Jump Force.

*Análise feita com a versão para Xbox One fornecida pela Bandai Namco.

Positivo

  • Boa adaptação
  • Diversas opções de personalização
  • Recompensas pelo tempo de jogo
  • Dublagem original do anime

Negativo

  • Repetitivo e simples
  • Personagens desbalanceados
  • Muito fácil
  • Cenários e inimigos reciclados

Resumo

My Hero One’s Justice 2 tenta inovar em relação ao título anterior, adicionando elementos interessantes ao jogo de luta. Apesar de tudo, acaba caindo nos mesmos vícios de outros games baseados em animes.
7

Bom

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!