Análise | Persona 5 Royal – a versão definitiva de um clássico

Análises PS4
9.5

Incrível

Lembro como ontem quando finalizei Persona 5 em 2017. Recém saído de uma experiência de jogo maravilhosa com Persona 4 Golden do PSVita, já esperava que o novo episódio da saga colegial da Atlus fosse excelente. E não foi diferente. Um enredo elaborado, personagens cativantes, batalhas criativas e plots twists mirabolantes transformaram o game é um verdadeiro hit da marca PlayStation.

Royal é a versão definitiva do aclamado RPG da Atlus.

Em 2018, eis que a Atlus anunciou a versão “melhorada” do título, desta vez recebendo um Royal no nome. Aos poucos, informações foram passadas. Teríamos novos personagens, desafios, inimigos e uma capítulo adicional. “Que interessante!” pensei.

Porém, “interessante” é pouco para descrever a obra prima que é Persona 5 Royal. De longe, um dos melhores JRPGs de todos os tempos.

O dia a dia de um estudante em Persona 5 Royal

Acompanhamos o cotidiano do herói sem nome (batizado por nós) e “mudo” que foi acusado injustamente de um crime que não cometeu. Com uma ficha criminal e expulso de sua antiga escola, o protagonista passa a morar com um tutor casca-grossa dono do Café Leblanc, Soujiro Sakura. E como não pode ficar sem estudar, é transferido para a Shunji Academia, um colégio tradicional da região.

Persona 5 Royal
Joker continua estiloso como sempre.

Porém sua vida vira pelo avesso quando ele e seus colegas acabam envolvidos com os mistérios do Metaverso, uma outra realidade distorcida pelos desejos da raça humana. Guiados pelo gato falante Morgana, os colegiais criam os Phanthom Thieves, um grupo de “ladrões gentis” que roubam os tesouros do Metaverso de adultos inescrupulosos. Estes “tesouros” na verdade são seus corações, carregados de desejos obscuros. Aqueles que possuem seus corações roubados acabam confessando seus crimes e alterando suas personalidades.

Este é apenas um pequeno resumo de toda a história por trás de P5 Royal. Temos dezenas de personagens e situações no game. Falar qualquer coisa além disso seria um baita spoiler. O que podemos dizer é que Persona 5 é um RPG que segue um calendário, onde o jogador vive o dia a dia do protagonista, que recebe o título de Joker, o ladrão de várias faces e Personas.

Persona 5 Royal
O que acontece no mundo real influencia a realidade obscura do Metaverso.

Além de um tradicional RPG de exploração de masmorras e batalhas por turnos, Persona 5 segue a tradição da franquia que traz elementos de simulador social. Ao protagonista, cabe interagir com diversos personagens no game e aumentar seu “nível” de amizade com elas. Quanto maior a amizade, maiores são as recompensas, em especial na invocação das Personas. Além disso, a amizade desbloqueia funções diversas em jogo, como curar mais rápido, novos itens em lojas, habilidades de melhoria de status, etc.

As místicas e poderosas Personas

Dando nome a série, Persona é a manifestação de um desejo ou “ideia” humana em forma de uma criatura mitológica. São elas que dão habilidades de combate e magias aos personagens do jogo. Cada um possui sua própria persona, funcionando como um “espírito protetor”. Assim como todos os demais jogos da série (com exceção dos dois primeiros), o protagonista do game é considerado um “trapaceiro”, sendo capaz de possui várias personas diferentes através de rituais de invocação e fusão.

Eis que temos os elementos Gotta Catch ell’ all da série Pokémon no RPG. Para se dar bem nos desafios do jogo, é necessário equilibrar as habilidades do protagonista com os demais personagens. Como um “trapaceiro”, Joker não está preso a um modelo padrão de personagem. Ele pode ser um combatente forte ou veloz. Pode ser um lutador ou um curandeiro. O que define as habilidades do protagonista são as personas invocadas.

Persona 5 Royal
O sistema de invocações de personas recebeu melhorias em Royal.

E o mais importante. Elas podem ser trocadas durante as batalhas, tornando as possibilidades de personalização do seu time criativas e dinâmicas. O desafio é ter a persona correta no momento certo. E para isso, precisamos recorrer a Velvet Room.

Guiada desde o primeiro game da série pelo enigmático Igor, a Velvet Room é o local de invocação e transmutação de personas. Guiado pelas gêmeas Caroline e Justine, Joker pode criar e fortalecer personas, além de permitir transformá-las em itens ou pontos de experiência. Um dos diferenciais de Persona 5 Royal é a adição de novos elementos que permitem novas formas de transmutação das criaturas místicas, aumentando as possibilidades de customização de habilidades do Joker.

Lembra da questão de amizade com outros personagens? Elas são importantíssimas para invocar as personas. As pessoas (chamadas aqui de confidentes) com quem Joker interage no mundo real são ligadas a uma carta de Tarô. Na Velvet Room, cada persona tambêm é ligada a uma carta. Ou seja, quanto maior a amizade do protagonista com o confidente da carta The Devil, maior o nível da persona que possui a carta correspondente. Uma mecânica interessante que foi melhorada na versão Royal, com novas e criativas oportunidades de aumentar as amizades.

Batalhando com estilo

Assim como os demais jogos da série, os heróis devem explorar as profundezas de uma dimensão alternativa. Em P5, o nome desta dimensão é Metaverso. E dentro dela existe o Mementos, um local de escuridão que reúne as definições cognitivas de todos os humanos. Dentro dela, existem os castelos, áreas que abrigam os tesouros que os Phantom Thieves buscam.

Persona 5 Royal
Golpes combinados são a novidade da vez em Royal.

Nos castelos, os Thieves devem passar por armadilhas diversas, resolver enigmas e desafiar o desconhecido. Cada local possui sua própria identidade que corresponde ao dono do tesouro. Temos castelos com aspecto de escola, museu, banco e até estação espacial. Cada um muito bem elaborado e com sua própria personalidade.

Já em Mementos, percorremos túneis sinistros de um metrô, guiados por Morgana que assume a forma de um carro. São dezenas de andares, cada um com tesouros, armadilhas e inimigos diversos. Lembrando que os andares são gerados aleatoriamente, surpreendendo constantemente quem navega por eles.

Seja nos castelos ou em Mementos, as batalhas contra personas acontecem constantemente. O grupo que interage nas batalhas em turnos é formado por quatro personagens, que podem ser trocados posteriormente com o desbloqueio de habilidades.

As personas inimigas possuem habilidades e atributos próprios, além de fraquezas e resistências. Uma persona pode ser forte contra o elemento vento, mas fraca contra golpes do tipo psíquico. Muitos podem imaginar que o sistema é semelhante aos tipos encontrados em jogos da franquia Pokémon, mas é aqui que a Atlus capricha. São dezenas de inimigos, cada um com suas próprias características. Ao jogador, cabe escolher qual a melhor habilidade usar e que tipo de time convocar para enfrente uma persona ou chefe de fase.

Persona 5 Royal
Kasumi é a nova personagem jogável. Ela será um dos destaques nas batalhas do terceiro semestre.

Falando em chefes, Persona 5 Royal não decepciona. Cada um possui uma característica própria, algo que o torna único. Diferente das personas tradicionais, os chefes de castelos possuem mecânicas únicas, como ataques específicos e habilidades diferenciadas. O jogador deve ficar atento e analisar cada uma destas batalhas especiais com muito cuidado ou sofrerá um belo “Game Over”.

As mudanças significativas de Persona 5 Royal

Quando foi anunciada a versão Royal, imaginei que seria possível o lançamento de uma DLC para expandir a primeira versão de Persona 5. Isto não aconteceu. E antes de ficar chateado, tive a oportunidade de testar esta nova versão. E digo que são versões com muitas diferenças entre elas.

Novas animações foram inseridas no game.

Royal possuí elementos que distanciam bastante da primeira versão. Diversas mecânicas sofreram alterações. Temos batalhas ainda mais ágeis, com novas opções e habilidades. Temos novas cenas e diálogos, que trazem significativas mudanças na história. Muitos dos problemas apontados na versão original foram alterados, facilitando a navegação do jogador pelos cenários e poupando horas de jogo.

Mas a grande alteração que devemos destacar é a adição de um capítulo extra, trazendo um semestre inteiro na história de Joker. Este conteúdo adicional traz a história de Kasumi, a nova personagem jogável de Royal, novos confidentes e um novo vilão.

Sem contar a adição de mais horas de jogo. O tempo médio para finalizar Royal é de 120 horas. Para terminar por completo o game, precisei de 140 horas.

A edição definitiva de Persona

Não tenho medo algum de dizer que Persona 5 Royal é a versão definitiva não apenas do quinto título da série, mas de toda a franquia. A Atlus simplesmente pegou algo que já era muito bom e tornou ainda melhor. A conexão com o universo já firmado com os personagens da trama se torna mais profunda e carismática.

As batalhas estão mais desafiantes. Os personagens receberam novas falas e momentos na trama. Os problemas pontuais do título anterior quanto ao invocação de personas ou a interação com os confidentes receberam um tratamento especial, facilitando a vida do jogador. O único defeito, ao meu ver, são os conteúdos em DLCs pagos que oferecem diversas opções de batalhas extras que poderiam estar inseridas no jogo base. Outro ponto negativo é o “presente” para quem migra da versão original para Royal: míseros 50 mil ienes e alguns itens simples.

Apesar de ter Persona 5 como base, Royal pode facilmente ser classificado como um novo game. Todas as mudanças e adições feitas ao título tornam a experiência de jogo ainda melhor. Parabéns à Atlus pelo trabalho excepcional!

*Análise feita com cópia cedida pela Atlus.

Positivo

  • Trilha sonora espetacular
  • Novos personagens carismáticos
  • Elementos que facilitam as mecânicas de jogo

Negativo

  • Mínimo de 100 horas para finalizar
  • Fracas recompensas para quem migra do jogo original
  • Ausência de dialógos dublados em momentos importantes

Resumo

Com novidades e novas mecânicas, Persona 5 Royal é a edição definitiva do mais recente game da franquia.
9.5

Incrível

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!