Análise | Phantom Doctrine

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4

Fraco

O século XX foi marcado por conflitos marcantes para o mundo. Além de mortes e destruição, eles foram capazes também de trazer novas descobertas para a ciência e tecnologia, em uma corrida armamentista pela inovação. Claro, tudo deveria ocorrer em sigilo, a fim de deixar o inimigo sem possibilidade de reação.

A Guerra Fria, uma época de imensa tensão e de vários exemplos desses conflitos, tornou-se um dos períodos de maiores segredos da História, graças à paranoia. O medo das políticas de Estados Unidos e União Soviéticas serem corrompidas pela superpotência rival transformou os países em um barril de pólvora pronto para explodir.

Como esperado, a espionagem foi uma das tônicas da época, com seus disfarces, manipulações e até mesmo traições. Nada – nem ninguém – era confiável.

Phantom Doctrine tenta (e, muitas vezes, tem êxito em) passar esse cenário ao jogador. O game reflete uma realidade bem distante do glamour e do requinte transmitido por filmes e livros, com bases de operações bagunçadas, agentes em viagens constantes ou com disfarces que passam longe do terno e uísque de James Bond.

No jogo, você lidera uma agência de ex-agentes da CIA ou da KGB preparados para arruinar os planos de uma conspiração conhecida apenas por Beholder Initiative. Com as horas e o dinheiro suficientes, você adquire toda sorte de espiões e tecnologia, sem deixar de lado a estratégia por trás da gestão de tantos recursos.

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Esse é um dos brilhos de Phantom Doctrine. Seja ao enviar investigadores, descobrir pistas ou desenvolver novas técnicas, é preciso prestar contínua atenção a suas decisões. Tempo é um dos maiores patrimônios do jogo e pode definir seu sucesso.

Informantes, por exemplo, aparecem aleatoriamente em todas as cidades do mapa e, por isso, ter agentes em regiões estratégicas poupará preciosas horas de viagem. No entanto, quanto mais pessoal você possui ao seu lado, maior será sua notoriedade e, consequentemente, olhares perigosos se voltarão à sua base.

Ademais, deixá-los sempre bem equipados é uma tarefa árdua, visto que armas e outros itens devem ser encontrados ou pesquisados, bem como seus aliados possuem características próprias, como proficiência em armas específicas. São tantas variáveis a cogitar que não foram poucas as horas dispendidas somente na análise de qual seria meu próximo movimento, como num jogo de xadrez.

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É estranho, porém ficava bem mais confortável durante as missões. A mecânica de combate baseado em turnos é algo que conheço bem e, claro, muitos – assim como eu – ficarão interessados por suas similaridades com XCOM, mas o game vai além.

Termos como Overwatch e Cover, tão comuns ao gênero, não precisavam de explicações naquele momento. Contudo, abordagens como Breach (invadir ambientes e matar os inimigos lá dentro), equipes de apoio (snipers são melhores amigos) e o uso de disfarces renovam o conhecido esquema de “avançar – matar – cumprir objetivo” e abrangem as escolhas de abordagem do jogador. Complete a missão sem deixar testemunhas vivas, nunca seja notado ou faça ambos.

Mais do que minhas muitas horas de XCOM, foi minha experiência com o ótimo Invisible, Inc., da Klei Entertainment, que me auxiliou nas empreitadas furtivas. Ser cauteloso em Phantom Doctrine é essencial, pois ele rápida e brutalmente consegue te punir, talvez de forma até mais aterradora do que errar um tiro com 99% de chance de acerto.

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Ao contrário da obra da Firaxis, aqui não temos tal porcentagem (ao menos, não exibida). É errar ou acertar. As coberturas conseguem dificultar o trabalho das armas, mas a sensação de que você erra mais do que seu adversário é comum. Os agentes frequentemente causam muito dano e suas miras costumam ser certeiras, bem como a quantidade de inimigos nos mapas vai exigir atenção redobrada ao posicionar suas unidades. Isso quando as balas adversárias não ignoram as paredes e todo o dano dos tiros é tomado.

Mesmo quando suas decisões, dentro ou fora da base, parecem fazer sentido, sempre há como ter uma reviravolta, e esta obra é cheia delas. A máxima de “não confie em ninguém” é uma constante no título. Um pedido ignorado de um agente ou um companheiro abandonado em uma missão pode ser o suficiente para que eles abandonem sua base, mostrem-se um agente infiltrado ou ainda ter sofrido lavagem cerebral. Imagina descobrir isso no meio de um combate?

Estudar as pistas, por outro lado, traz bem pouco dessa surpresa. O quadro de investigação é, sim, uma boa sacada e traz aquele ar de detetive. É verdade que o minigame traz pouco envolvimento ao se mostrar uma brincadeira de caça-palavras e acaba ficando repetitivo, mas a sensação de descobrir peças e elementos apenas com o ligar de pontos traz uma sensação divertida. Não é lá um Sherlock Holmes, mas dá uma pontinha de NCIS.

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Nas devidas proporções, as missões também sofrem com a repetição, muito em conta da pouca diversidade de oponentes e, principalmente, dos disfarces. Estes últimos conseguem facilitar bastante as invasões, pois dão acesso irrestrito a toda a base inimiga, com pouco ou nenhum perigo. Uma arma com silenciador, um kit de abrir fechaduras e determinadas habilidades desbloqueadas transformam uma tarefa outrora árdua em um passeio no parque.

O maior problema da obra, no entanto, é a quantidade de bugs. De pequenos glitches na interface a sérios problemas que quebram o jogo, a página de suporte do Steam relata os mais variados casos, sendo o meu “apenas” mais um.

É triste para mim gostar de um game defeituoso. Phantom Doctrine me trouxe muitos momentos de ansiedade, estratégia e diversão. Porém, tirou tudo isso ao me impedir de avançar. Eu não finalizei o jogo porque ele não me permitiu.

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Existe um bug de progressão na campanha da CIA (aparentemente, acontece algo parecido com a da KGB). Em certo ponto, é imperativo encontrar o agente “Omikron”, que deveria aparecer em uma das cidades do Reino Unido. Infelizmente, por algum motivo, ele nunca aparece. E nisso, passei horas e horas cumprindo side quests que começavam a me parecer repetitivas e fáceis (disfarces, novamente).

“Estou fazendo alguma coisa errada”, pensei antes de recorrer ao YouTube. Lá, percebi que o tal Omikron dava as caras rapidinho. Pedi ajuda aos desenvolvedores pelo Twitter quando me recomendaram entrar no canal do Discord deles – agradeço e destaco aqui a presteza do estúdio ao responder minha solicitação. Li relatos e cheguei à dolorosa conclusão de que sim, era um problema conhecido e não havia solução até o momento.

É mesmo um bug, infelizmente, que ocorre em cenários específicos. A solução alternativa (enquanto não corrigimos) é recarregar um save de antes do objetivo do Omikron e esperar 7-8 horas do jogo antes de você enviar agentes para completar os objetivos posteriores. O bug ocorre porque alguns agentes inimigos, necessários a também viajar na lógica do jogo estão indisponíveis naquele momento, e o jogo precisa de várias horas in-game para libertá-los. Então, em resumo: por favor, abra um save anterior ao objetivo do Omikron e, antes de fazer as partes requeridas pelo objetivo, deixe o game avançar por algumas horas ou faça outras coisas, a fim de prevenir que o bug ocorra. Se isso não funcionar ou você não tiver mais um save nesse ponto, por favor envie seu save mais recente para support@creativeforge.pl. Os arquivos salvos estão em  C:\Users[Windows user name]\AppData\Local\PhantomDoctrine\Saved[Steam ID number]\SaveGames. Pedimos desculpas pelo inconveniente e obrigado.

Ao ver que, para voltar a jogar, todo meu progresso seria desperdiçado, o desânimo me abateu. A vontade de continuar foi embora. É muito difícil que eu não volte a dar uma chance a Phantom Doctrine. Afinal, o jogo é promissor e traz uma enxurrada de ideias interessantes para um gênero tão centrado em um único game. Só que ainda não é o momento. É hora de esperar os patches de correção.

Positivo

  • Uma ótima experiência de espionagem
  • Liberdade na abordagem do combate
  • Rico em detalhes e boas ideias
  • Tem sua própria identidade

Negativo

  • Bugs, bugs, bugs
  • Desempenho gráfico e câmera não entram em harmonia, às vezes
  • O tutorial não é suficiente para iniciantes do gênero

Resumo

Um mundo de espionagem bastante promissor estragado por falhas técnicas e bugs.
4

Fraco

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.