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Análise | Reverie Knights Tactics – um tático com um pé no Brasil

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8

Ótimo

Quando ouvi sobre Reverie Knights Tactics, surpresa foi o primeiro sentimento que surgiu. Tudo porque o RPG tático é baseado no cenário de RPG brasileiro “Tormenta”. Conheço este universo desde o lançamento em 1998, participando de dezenas de partidas de RPG ambientadas em Arton, o principal continente do cenário.

Durante os anos de jogatina, sempre ouvíamos sobre o continente perdido de Lamnor, onde a cidade élifca de Lenórienn foi destruída pela Horda Globinóide. O tema foi tocado em pequenos pedaços de textos, alguns contos e livros. Eis que a 40 Giants Entertainment apresenta Reverie Knights Tactics, um jogo desenvolvido durante quatro anos que traz como pano de fundo o passado da cidade élfica e a guerra que devastou Lamnor. 

O game traz elementos típicos de um RPG tático, como customização de personagens, exploração, seleção de grupos, batalhas em grid, magias elementais e muito mais. O jogador montará uma equipe com até quatro personagens, a grande maioria deles presenças frequentes em histórias do vasto universo de Tormenta. Mas neste game, os personagens de destaque são protagonistas da minissérie em quadrinhos “Dungeons Crawlers”, publicada em meados de 2000 e republicada recentemente pela editora Jambô, atual detentora dos direitos do RPG.

Revisitando “Dungeons Crawlers”

Apesar de pequenas diferenças, o enredo de Reverie Knights Tactics é baseado na história em quadrinhos Dungeons Crawlers. No passado, a cidade élfica de Lennórien foi o centro de cultura e pilar do continente de Lamnor. Mas, apesar de instruídos, os elfos sempre desprezaram e maltrataram outras raças do continente, a grande povos bárbaros como os goblinóides. Com o tempo, o ódio cresceu.

A história do game é focada nos acontecimentos da Guerra em Lamnor

Os povos que foram expulsos e humilhados ficaram afastados, mas não paradas. Com o tempo, treinaram e organizaram hordas para uma invasão ao centro do continente. Com isso, uma imensa guerra começou. Apesar da vantagem élfica, as raças bárbaras conseguiram a vitória no final, com o rapto da princesa e derrubata da cidade de Lennórien. Dos escombros, surgiu a fortaleza de Rarnaakk, a morada dos hobglobins, o centro da fortalecida Aliança Goblinóide. 

Após várias tentativas infrutíferas de exploração do continente, a Ordem de Tanna-Toh, a Deusa do Conhecimento, autorizou uma expedição para recuperar documentos e conhecimentos da civilização élfica. Infelizmente, o líder da última expedição, o clérigo Marius, nunca retornou.

Inconformada, Aurora, filha de Marius e clériga de Tanna-Toh, parte em sua jornada para continuar o trabalho de seu pai e, se possível, resgatá-lo. Ao lado da cavaleira e amiga Brigandine, a religiosa parte em sua perigosa missão para salvar seu pai e tentar descobrir mais sobre o destino final de Lennoríen.

Aquela pequena pegada de Final Fantasy Tactics

Jogos táticos são conhecidos, em sua maioria, por combates difíceis em vários momentos. Por conta disso, escolhi iniciar a aventura na dificuldade Normal, o padrão do game. Apesar de desafiante, a aventura foi até tranquila se comparado a jogos complexos como Disgaea ou Final Fantasy Tactics.

A 40 Giants desenvolveu um jogo que busca atender as demandas de desafio de jogadores mais experientes, mas não esquecendo dos novatos. Independente do seu nível, é possível curtir a aventura em qualquer um dos níveis. Mas é importante avisar que Reverie Knights Tactics não perdoa qualquer tipo de falha. Às vezes, um simples movimento errado pode gerar verdadeiras dores de cabeça desnecessárias, sendo até mais fácil para o jogador recomeçar uma missão do que tentar concluí-la.

As batalhas são no clássico sistema isométrico, onde controlamos nossos quatro personagens contra as tropas inimigas. Apesar das boas animações de batalhas e magias, a movimentação dos personagens é um tanto devagar e monótona, dando uma sensação de monotonia em cenários repetitivos, a exemplo das florestas no início do game.

Para os fãs de jogos antigos, o título possui elementos de point and click durante a exploração. Assim, os personagens interagem com cenários diversos, encontrando itens e descobrindo um pouco mais sobre o continente de Lamnor, companheiros e inimigos.

Para quem curte games do estilo visual novels, os diálogos são neste formato. O jogo também apresenta o sistema de tendência baseado em Caos e Ordem, comum em RPGs de mesa. Durante suas conversas, as decisões que você tomar determinam se você é um personagem com foco na missão da Deusa Tannah-Toh ou desesperada em recuperar o seu pai, independente do que você precise fazer.

Cada decisão determina para que lado da balança Aurora e o grupo penderam, determinando o rumo da história e escolhas nos diálogos. Por isso, por mais monótono que possa parecer, é importante ficar atento aos diálogos e escolher sabiamente suas respostas.

Por curiosidade, decidi seguir pelo caminho do Caos, com uma Aurora mais determinada em ações imediatas do que no planejamento. As consequências surgiram em melhorias de combate, mas com alguns elementos que acredito que seriam melhores no lado da Ordem, a exemplo de magias de cura e suporte. Por sorte, seus companheiros possuem uma alta resistência e aguentavam a porrada desenfreada, enquanto Aurora os destruíam com poderosas magias.

Um jogo que respeita suas origens no RPG de mesa

Como um bom RPG, o jogo possui um sistema de níveis e desbloqueio de novas habilidades através de pontos de experiência. Diferente do padrão Dungeons & Dragons, que é a maior inspiração do RPG Tormenta, Reverie Knights Tactics seguiu por um caminho simplificado.

O jogo possui três habilidades básicas: Força, Astúcia e Defesa. Como o nome sugere, a primeira influência em ações de combate físicas. A astúcia foca em elementos mágicos,  habilidades mentais e de sorte, como críticos. Já a última interfere na defesa e resistência dos personagens.

Reverie Knights Tactics

A simplicidade do sistema de atributo permite aos jogadores escolher rapidamente qual caminho seguir com seus personagens. Apesar do sistema de Caos e Ordem influenciar no rumo da história, o jogador ainda domina o rumo do seu grupo através da customização de habilidades dos personagens do grupo.

Infelizmente, é bom o jogador ficar atento ao que vai escolher. A cavaleira Brigandine é uma ótima Tank, aguentando porradas e auxiliando os personagens. Se, por algum motivo, você decidir pela força ao invés da defesa, muitas de suas habilidades tornam-se inúteis, dificultando o gameplay da personagem.

Os cenários isométricos de Reverie Knight Tactics são belos, parecendo belas artes de histórias em quadrinhos. Apesar da simplicidade no design de personagens, sem grandes inovações, o jogo é visualmente belo. As animações nos combates são fluidas, apesar de repetitivas. Com o tempo, você vai desejar aumentar a velocidade ao máximo para tentar pular aquela movimentação lenta de um ou outro personagem.

Reverie Knights Tactics

Os combates contra os chefes são incríveis, Eles possuem movimentos únicos, que trazem um ar de “ameaça real”. Acredite, você chega a tremer quando pensa na quantidade de dano que o gigantes Hobglobin vai causar com a batida de seu martelo gigante.

Mas o maior defeito de Reverie Knights Tactics com certeza é sua trilha sonora. As músicas do game são massantes e pouco originais, com várias delas possuindo elementos em comum entre elas. Por vezes, uma música calma do jogo parecia reaparecer em momentos críticos do enredo, só que outro arranjo.

Por fim, temos que bater palmas para a localização do game para o português do Brasil. Além da bela tradução, todos os elementos do RPG Tormenta estão no título, sem mudanças nos seus sentidos ou adaptações sem pé nem cabeça como “BugUrso” e outras.

Reverie Knights Tactics é excelente game brasileiro

Mesmo com os problemas na música e repetições desnecessárias, o jogo traz um desafio na medida, com estratégia constante. A simplicidade no sistema de níveis e habilidades também ajudam a dinamizar a experiência de jogo. A história possui diversas reviravoltas, muitas delas influenciadas no sistema de tendência de Ordem e Caos.

O point and click do jogo traz uma certa nostalgia ao jogo, principalmente quando somado ao excelente trabalho de localização para o portugues. Os fãs antigos de Tormenta podem aproveitar a jornada e relembrar vários momentos do RPG original. Já os novatos terão acesso a ponta do iceberg de um vasto cenário de aventuras.

*Review realizada no Xbox Series S e Nintendo Switch com cópia cedida pela 1C Publising e  40 Giants Entertainment

Positivo

  • Sistema de tendência / Customização simplificada de personagens e equipe / Belos cenários isométricos

Negativo

  • Animações repetitivas / Pouca criatividade nas músicas / Design de personagens que foge ao padrão "Tormenta"

Resumo

Baseado no popular RPG brasileiro Tormenta, Reverie Knights Tactics traz batalhas táticas em cenários isométricos, com direito a exploração e escolhas que decidem o rumo da história. Apesar de pequenos defeitos, é um bom título para fãs do gênero.
8

Ótimo

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!