Análise | The Messenger

Análises PC Switch
9.5

Incrível

O que acontece quando dois veteranos da indústria se juntam para produzir uma ode a Ninja Gaiden e ainda conseguem implementar a fórmula? O resultado é o jogo de ação e plataforma retro The Messenger.

Cada vez mais eu olho para videogames como uma mídia que oferece experiências estéticas, ou seja, produtor de uma resposta emocional. Mais do que controles precisos, belos gráficos ou falta de bugs, o que me parece mais relevante em um jogo é como ele afeta o jogador e The Messenger entrega a experiência desejada por seus idealizadores ou, pelo menos, o que imagino que eles desejem.

Desenvolvido pelo pequeno estúdio Sabotage, fundado pelos veteranos Thierry Boulanger e Martin Brouard em 2016, muito do humor e ideias que definem o primeiro jogo da equipe vem da mente de Thierry. The Messenger abraça o discurso presente em tantos outros jogos que se reconhecem como jogos e, com muita criatividade e quebra da quarta parede, apresenta uma narrativa totalmente genérica e com personagens conscientes de sua realidade ficcional.

Introduzindo o jogador a velha história do fim do mundo e do escolhido, temos contato com um dos controles que mais exemplificam o tipo de experiência oferecida ao jogador. Uma espécie de Pulo Duplo apenas disponível quando um ataque é certeiro, permitindo que o jogador se desafie a criar combos e nunca tocar no chão. Como esperado em qualquer título plataforma, essa mecânica é explorada ao máximo, apresentando diversos cenários onde a criatividade do jogador é testada.

Falando em cenários, o game se divide em diversas áreas, como a das catacumbas, as florestas, castelos e, é claro, os mundos de gelo e fogo. O game é repleto de salas secretas com colecionáveis e cristais (a moeda do jogo), que o jogador pode buscar em meio a jornada ou depois.

Isto nos traz a segunda e mais relevante mecânica, destaque em todo e qualquer material de divulgação do título e que para alguns pode ser considerada spoiler, fica o aviso. The Messenger possui uma estética 8 bits e, durante 3 ou 4 horas, é tudo que o jogador verá, até o momento que é introduzida a dinâmica de viagem no tempo. Distribuído pelo mundo, diversos “portais” permitem ao jogador saltar no tempo e passar de uma estética 8 bits para 16 bits, trazendo diversas mudanças no mundo e servindo para construção de diversos puzzles ambientais. Essa abertura expande o jogo não só visualmente, mas de uma experiência até ali linear, somos apresentados a um mundo aberto e um hub, que nos permite viajar as diversas áreas do jogo.

Quando recebi o jogo, havia no e-mail um lembrete: use um tempo para conversar com os NPC’s, especialmente o Shopkeeper. E como foi bom seguir este conselho! Um dos elementos mais importantes, e que tornam a aventura em The Messenger recompensadora, são seus personagens, especialmente o Shopkeeper, que a cada nova visita pode, a pedido do jogador, contar uma história diferente, muitas vezes cínica e outras auto referenciais, me causando altas gargalhadas e deixando aquele gostinho pela próxima. Outros personagens, como um cajado que deseja dominar o mundo, mas é incapaz por ser um cajado, e o dragão Manfredo, o qual maior desejo é se tornar um mordomo, integram um panteão de personagens cativantes e divertidos.

Nota: parabéns aos tradutores

Toda essa experiência incrível é acompanhada por uma trilha maravilhosa, composta pelo artista Rainbowdragoneyes, especialista em programar músicas usando consoles antigos como o GameBoy e o Mega Driver, dando vida a um estilo que ele chama de ”Extreme Chiptune Dance Metal“. Ou seja, só ouvindo para compreender:

Esse aqui também:

Talvez The Messenger se perca um pouco no final, com uma conclusão aquém do que foi apresentado durante a jornada, mas a experiência como um todo foi incrível, repleta de momentos engraçados, desafios criativos e controles precisos, mal posso esperar para ver o que os speedrunners vão fazer com esse jogo. Já o estúdio Sabotage possui um grande futuro pela frente após sua estreia com um dos melhores títulos desse ano, uma tarefa difícil em um ano tão concorrido.

The Messenger está disponível para PC e Nintendo Switch.

Positivo

  • Experiência Estética
  • Narrativa
  • Controles

Negativo

  • Conclusão

Resumo

Talvez The Messenger se perca um pouco no final, mas a experiência como um todo é incrível, repleta de momentos engraçados, desafios criativos e controles precisos.
9.5

Incrível

Designer, jogador e leitor ávido, a lista de coisas diferentes que faço é longa demais, porém minha curiosidade e busca por entender tudo a minha volta é maior ainda. Mas e o futuro? Bem, Game Designer e escritor são meus objetivos, conseguir um desses já é uma conquista desbloqueada.