Análise | The Outer Worlds

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8.5

Ótimo

The Outer Worlds conseguiu um feito: pegar todos de surpresa. Para os que não conheciam ou foram levados por uma campanha apenas honesta de marketing, o jogo surpreendeu-os de forma bastante positiva. Para os fãs de RPGs ou que viram os nomes Tim Cain, Leonard Boyarsky (criadores da franquia Fallout) e Obsidian (desenvolvedora de Fallout: New Vegas) juntos, o resultado final superou as expectativas.

Sucessor espiritual de Fallout?

Mas será que temos uma cópia de Fallout em mãos ou, pelo menos, algo muito inspirado na série? De fato, The Outer Worlds traz mecânicas facilmente reconhecíveis da saga pós-apocalíptica, como o combate e um sistema que remete ao conhecido V.A.T.S, porém ele consegue construir e manter uma identidade única e interessantíssima.

Isso porque é notório o esforço da produtora de criar um mundo imaginativo e crível. Um exemplo está nos planetas e espaçonaves coloridos e inventivos, onde quase todos os conglomerados de pessoas parecem bonitos por fora e sucateados por dentro. O game também adora se utilizar de extrapolações, contudo o faz justamente para tornar assuntos sérios mais palatáveis, como uma crítica exposta em uma piada sarcástica.

Toda essa construção cria um vínculo também com seus personagem, moldados quase à perfeição. Praticamente todos têm uma história que liga seus objetivos e motivações à sua estadia no local em que são encontrados. Além disso, seus companheiros parecem evoluir com os mundos e aventuras, sem esquecer de suas raízes, como boa parte das missões de companheiro reforçam. Tudo isso aliado a uma atuação de voz absolutamente primorosa, que enriquece e humaniza cada um deles.

Por conseguinte, você também acaba por compartilhar desse vínculo, tanto com seus colegas quanto pela marca deixada em suas viagens. Suas decisões causam impacto direto no futuro de cada região e as escolhas não costumam ser A ou B, vermelho ou azul. Há sempre um terceiro ou quarto caminho para lidar com os problemas, vai do seu propósito enquanto jogador.

Seja quem quiser

Nesse ponto, é possível ser quem você quiser a partir da construção de personagem. Em minha primeira jogatina, optei por assumir a persona de Haroldo Bonitão, o médico carismático cheio de persuasão para convencer as pessoas do que ele quiser. Isso aconteceu desde o começo do jogo, quando não precisei combater metade dos inimigos da área inicial apenas induzindo a polícia local a enfrentá-los no meu lugar, e perpetuou-se até o fim, com escolhas decisivas que me causaram grande satisfação por ter seguido tal caminho.

The Outer Worlds te dá inúmeras opções não apenas para sua personalidade, mas também na sua forma de jogar. Desde rifles de longa distância a espadas de plasma  – tem até um raio encolhedor! -, a obra está repleta de opções de armas e armaduras, auxiliadas por um sistema de crafting simples, porém eficiente. Que tal evitar conflitos ao máximo? Mantenha seu foco em esgueirar e talvez seja possível terminar o jogo com zero casualidades.

Remendos na espaçonave

Infelizmente, dois grandes problemas interferiram na minha experiência do game e um deles tem justamente a ver com o que disse antes. No final do jogo, há um bug de progressão em que, ao atravessar uma porta, uma cinemática deveria ocorrer, mas algo atrapalha e o jogo fecha sozinho.

Após várias tentativas frustradas e já com medo de corromper meu salvamento, encontrei uma forma de passar pelo bug, às custas de minhas habilidades de conversação. Mais tarde, achei outra forma de burlar o problema sem comprometer minha forma de jogar, mas já era tarde.

O outro, bem menos custoso, está no conjunto voice acting/animação dos personagens. Enquanto, por exemplo, o seu companheiro fala com um tom completamente animado, seu rosto às vezes passa longe dessa euforia, destoando da sua própria fala. É algo sem muita relevância em boa parte dos diálogos –  afinal, eles tendem a ser conversas corriqueiras. Porém, quando há sentimentos fortes (nervosismo, raiva ou ansiedade), os rostos não acompanham a empolgação dos atores.

No entanto, isso nem de longe é o suficiente para apagar a estrela do game. Repleto de experiências divertidas, The Outer Worlds é uma vastidão de escolhas a serem exploradas em um cenário que tenta não se levar a sério sempre que tem oportunidade, mesmo quando fala sério. Parada obrigatória para todo fã de RPG e uma ótima opção para quem não é.

Positivo

  • Excelente direção de arte
  • Personagens apaixonantes
  • Escolhas definem perceptivelmente o mundo ao redor
  • Diferentes e divertidas formas de jogar
  • O game arranca gargalhadas em momentos inesperados
  • Cenários com identidades únicas
  • Temas sérios são tratados de forma leve, mas provocam o jogador

Negativo

  • Animações não acompanham fielmente a atuação de voz
  • Bug de progressão no final do jogo frustra a experiência
  • Muitos diálogos podem afastar o jogador menos ávido

Resumo

The Outer Worlds é uma vastidão de escolhas a serem exploradas em um cenário que tenta não se levar a sério, mesmo quando fala sério.
8.5

Ótimo

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.