Análise | The Signifier – Uma satisfatória exploração da mente

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Incrível

The Signifier começa com o suicídio de um membro do alto escalão de uma famosa indústria tecnológica, que levanta algumas suspeitas. Foi realmente um suicídio? Ou as coisas foram feitas para que parecessem dessa forma? Com o cérebro de Johanna Kast em um disco rígido, Frederick Russell, um especialista em IA e psicologia e o pesquisador principal por trás de um scanner cerebral experimental chamado Dreamwalker, é responsável por explorar a mente e descobrir a verdade por trás da morte de Johanna.

O plot de explorar a mente para descobrir segredos já foi explorado em outro game, mas não se preocupe, The Signifier tem suas particularidades fazendo dele um jogo único… e melhor.

Os estados da mente

Explorar a mente de um indivíduo não é uma tarefa simples. Não existe um método fácil de selecionar uma memória livremente e ver com detalhes o que ocorreu. A mente pode pregar peças e possui meios de defesa, por isso é necessário interpretar os elementos que parecem não fazer sentido.

Em The Signifier a exploração é dividida entre dois campos: o Estado Objetivo e o Estado Subjetivo. No Objetivo, as lembranças são mostradas com mais detalhes e são mais realistas, já no Subjetivo as coisas não tendem a ser tão literais, com símbolos que representam sentimentos, medos e defesas do subconsciente. Essas defesas podem ser, inclusive, assustadoras.

Menu de exploração da memória em The Signifier
Menu de exploração da memória (Reprodução: Priscilla Brentan/PlaymeStudio)

O jogador pode trocar entre os estados livremente e, em algumas memórias, certas partes não podem ser acessadas em um dos estados, sendo necessário alterar. Cada um desses estados possuem itens chave, pistas, que devem ser coletados para cumprir o objetivo.

A parte de investigação e exploração da mente não é cansativa e os puzzles possuem sentido e são complexos no ponto certo. Isso faz com que explorar a mente não seja chato e é uma parte convidativa do game, algo que o jogador anseia, para descobrir a próxima pista e solucionar o mistério.

A realidade de The Signifier

Além de explorar as memórias de Johanna, Russell deve lidar com a realidade. Ele pode visitar locais para coletar pistas, como o apartamento de Johanna, o apartamento do marido e outras localizações que são desbloqueadas conforme as investigações avançam. Além do trabalho, Russell deve cuidar da sua vida pessoal. A casa do protagonista é um dos pontos que pode ser acessado no mapa, onde Russell deve atender sua filha, que passou a morar com ele temporariamente.

A realidade também deve ser explorada em The Signifier
A realidade também deve ser explorada (Reprodução: Priscilla Brentan/PlaymeStudio)

Explorando a realidade, Russell não precisa solucionar puzzles, mas é necessário tomar decisões. O especialista em IA está no meio de um embate entre a TBS, que quer controlar o uso da Inteligência Artificial, enquanto a Go-AT, quer afrouxar as leis e dar mais liberdade para o uso da IA. O jogador pode escolher um lado, ou tentar se afastar da discussão e se manter neutro.

The Signifier

O nome do jogo – em português: O Significante – se refere a um termo usado na linguística e psicanálise que trata do uso de signos. Explicando de forma rápida e superficial, o signo linguístico está dividido entre dois aspectos: significado e significante. Ao escutarmos a palavra cachorro, por exemplo, nossa mente constrói a imagem sonora, o significante, o signo do cachorro.

Esses símbolos são bastante utilizados em The Signifier, principalmente no estado subjetivo. Vemos nas memórias de Johanna símbolos e imagens que não parecem fazer muito sentido, mas estão intrínsecos à memórias de sua infância, por exemplo.

As defesas da mente podem ser assustadoras em The Signifier
As defesas da mente podem ser assustadoras (Reprodução: Priscilla Brentan/PlaymeStudio)

Se você já está perdido nessa explicação, não se preocupe. O jogo não adentra em termos técnicos e mesmo não entendendo sobre linguística e psicanálise, é possível apreciar The Signifier. Claro que, se você conhece esses termos e já estudou sobre, o game terá um aprofundamento e significado maior.

Conclusão

Com todos esses aspectos de psicanálise, significante e significado, não é de se estranhar que o final de The Signifier fique aberto a interpretações dos jogadores. Já terminou o game? Nos chame para conversar sobre o final! É algo que você sentirá necessidade de fazer.

Ao final, algumas decisões devem ser tomadas, mas ao retornar e escolher uma opção diferente da anterior, não vi diferenças nas cenas seguintes.

The Signifier está disponível no PC, via Steam, e pode ser finalizado com aproximadamente 8 horas de jogabilidade e apesar do final em aberto, traz uma experiência satisfatória, com uma exploração da mente que não é cansativa, puzzles que estão longe de serem enfadonhos e uma história misteriosa o suficiente para impelir o jogador cada vez mais fundo na mente de Johanna.

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Positivo

  • Exploração da mente é instigante e não se torna cansativa
  • Puzzles possuem sentido e são desafiadores na medida certa
  • História misteriosa o suficiente para impelir o jogador cada vez mais fundo na mente
  • Legendas em Português-BR desde o lançamento

Negativo

  • Pequenos bugs, que requerem uma reinicialização do game

Resumo

The Signifier nos apresenta Russell, um especialista em IA que tem a missão de explorar a mente de Johanna, vice-presidente de uma grande empresa tecnológica que aparentemente cometeu suicídio.
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Incrível

Amante de livros, séries, mangás e claro, amante de jogos, principalmente aqueles com uma ótima e profunda história. Estuda pedagogia porque precisa trabalhar para comprar os games no lançamento.